Esporte

A psicologia do futevolei: aplicando conceitos de Carol Dweck na praia de Ipanema

Kobe Blog
Escrito por Kobe Blog em 14/12/2015
A psicologia do futevolei: aplicando conceitos de Carol Dweck na praia de Ipanema

Esses dias fui jogar um torneio de futevôlei na Praia de Ipanema.

Calma aí… futevôlei, cara?

A galera que me conhece há muito tempo sabe que eu sou uma aberração com a bola nos pés.

Minha habilidade com a redonda era perto de zero mas consegui enganar meia dúzia de treinadores na base do Olaria, do CFZ e também do San Diego Cavers lá na liga da Califórnia.

Olha que eu fiquei na ativa até a categoria sub-19.

Consegui “sobreviver” por alguns anos no futebol porque sabia usar minha força física para fazer uma ou outra arrancada à la Adriano Imperador de vez em quando.

raiam santos futebol futevolei

Só que o futebol é muito mais do que uma arrancada e o funil ficou cada vez mais apertado.

Vi que tinha muito mais chances no futebol americano do que no soccer e decidi pendurar as chuteiras com 17 anos.

Para você ter uma idéia, eu NUNCA consegui fazer mais do que 5 embaixadinhas na vida.

Sempre fui fascinado pelo futevôlei mas aquele complexo de inferioridade que veio do futebol me deixava com vergonha de tentar.

Em julho de 2015, consegui superar essa zica aí e me matriculei na escolinha de futevôlei Bom Treino Ipanema do campeão mundial Gaetano Domenico e comecei a treinar todo santo dia.

Vou até aproveitar e fazer um merchant porque o cara é gente boa: a escolinha rola de segunda a sexta 7 às 9 e de 18:30 às 20 em frente ao Caesar Palace. Quer fazer uma aula experimental grátis? É só aparecer lá!

 

 

 

LITERATURA DE SUCESSO


Falei no post passado Preto-Vítima? Eu não! que passei o mês de outubro quase que inteiro lendo biografias de pessoas negras de sucesso.

Depois de estudar ícones como Barack Obama, Michael Jordan e 50 Cent, fechei a série com a biografia do Stevie Wonder e parti para outra tendência: livros de psicologia positiva e escrituras dos pensadores da Grécia Clássica, especialmente dos filósofos estóicos.

Quem leu meu livro Hackeando Tudo sabe que eu não tenho newsfeed no Facebook do computador (hack #1) e nem consigo usar o Facebook no meu celular (hack #3).

Quando eu não tenho porra nenhuma para fazer, vou lá pro site do Audible fico horas pesquisando bons livros… só para passar o tempo mesmo.


 

Esses dias, apareceu um livro chamado MINDSET: THE NEW PSYCHOLOGY OF SUCCESS na minha tela. Li os reviews que o povão escreveu e resolvi apertar “buy”.

O Mindset foi escrito por uma respeitadíssima psicóloga de Stanford chamada Carol Dweck. Gostei muito do estilo dela e parti para o segundo SELF THEORIES: THEIR ROLE IN MOTIVATION, PERSONALITY AND DEVELOPMENT .

Ambos livros da Carol Dweck giram em torno de um conceito em comum: a dualidade entre o fixed mindset e o growing mindset.

Se tiver um tempinho, vale a pena assistir o TED Talk da Carol The Power of Believing That You Can Improve.


 

As pessoas com mindset fixo pensam mais ou menos assim: nasci desse jeito, preciso provar para os outros que sou bom, esconder meus defeitos e assim serei aceito pela sociedade. A expressão chave do fixed mindset é “aprovação externa”.

Para eles, o caráter, a inteligência e a criatividade são estáticos.

Lembra ali em cima que eu falei que tinha medo de tentar o futevôlei por causa da falta de habilidade com embaixadinhas?

Mindset fixo: nasci ruim nisso então não adianta nem tentar… vou passar vergonha na frente de um monte de gente.

Já o mindset de crescimento é diferente. Ninguém nasceu bom. Se eu trabalhar duro e melhorar diariamente, cedo ou tarde eu vou ficar bom nisso. A expressão chave do mindset de crescimento é “paixão por aprender”.

O cara do mindset de crescimento vibra com desafios e vê fracassos como uma plataforma de crescimento para aumentar as habilidades que já existem.

Na cabeça dele, o caráter, a inteligência e a criatividade podem melhorar ao longo do tempo.

Superei o medo do futevolei e me matriculei na escolinha? Mindset de crescimento: se eu treinar duro e melhorar dia após dia, lá na frente eu fico bom nisso.

 

O TORNEIO DE FUTEVOLEI

futevolei bom treino ipanema

Quando o Gaetano me convidou para jogar o torneio de fim de ano, eu fiquei com um pé e meio atrás.

“Pô cara, vou não… só treino há 4 meses. Tem cara muito melhor que eu lá.”

Esse torneio reuniria quase 30 duplas das filiais Tijuca, Barra e Ipanema da Bom Treino.

Para equilibrar as chaves, os professores fizeram questão de misturar as duplas e juntar iniciantes com jogadores tops.

Nessa brincadeira aí, me botaram com um local do Coqueirão chamado Gustavo.

O cara era ratão de praia e devia ter uns 10 anos de futevôlei já.

Em esportes como o basquete, até que dá para depender de um cara só. Se eu jogar 5×5 e tiver o Kobe Bryant no meu time de pelada, eu nunca vou sair da quadra.

Só que no futevolei não dá para jogar sozinho.

Vou te explicar o porquê.

Quando tem um forte (Gustavo) e um fraco (Raiam), os adversários vão sempre forçar a bola no mais fraco.

Se o mais fraco não conseguir dar o primeiro toque direito, o forte não vai nem ver a cor da bola.

Foi o que fizeram.

Todo santo saque vinha exatamente na minha direção.

Daí eu incorporei outro conceito de psicologia que eu já apresentei no MundoRaiam naquela série de posts sobre a Conferência ENE.

Lembra desse gráfico?

conferência ene futevolei

De acordo com o teste de personalidade e de estilos de trabalho que tivemos que preencher no processo seletivo para a conferência, eu sou MUITO acima da média nos fatores agressividade e agilidade.

Junto a isso, o teste provou que eu sou MUITO abaixo da média em estabilidade e atenção a detalhes.

Ao invés de trabalhar para melhorar as coisas que eu sou abaixo da média, aquele workshop de carreiras da Conferência ENE sugeriu uma solução diferente.

O negócio é focar naquilo que você é muito bom e pular de bom para excelente. Cada vez mais perto da maestria!

Com isso, o resto das coisas se adaptariam automaticamente e você aprenderia a lidar com aqueles “gaps”.

Trouxe esse conceito pro futevôlei.

Como eu falei ali em cima, ambos os meus pés são basicamente cegos.

Além disso, tenho dificuldade para receber saque de cabeça e de coxa.

O que sobrou? O peito!

Apesar de ter apenas 4 meses de esporte, minha peitada vai mais alto do que a de muito profissional do futevôlei. Olha o vídeo.

Se eu só tenho um golpe, o que eu fiz? Foquei exclusivamente nesse golpe!

Todo saque que vinha na minha direção, eu recebia de peito.

Bola veio baixa? Eu ajoelhava e mesmo assim colocava o peito nela.

Usando esse recurso da peitada, consegui receber 95% dos saques e colocar a bola em boa posição para meu companheiro fazer a levantada.

O terceiro toque (ataque) no futevôlei acaba sendo o mais tranquilo.

É tipo uma cabeçada pro gol no futebol.

Já fiz muito isso nos meus tempos de centroavante trombador.

Ganhamos a primeira… a segunda… a terceira…

O JOGO MENTAL

futevolei jogo mental

Aprendi ao longo dos anos que o esporte engloba muito mais do que a parte física do atleta.

Eu era muito bom no futebol americano e tinha grande potencial para ir para a NFL. Mesmo jogando em uma divisão inferior dos Estados Unidos, meus vídeos e estatísticas como punter caíram na mão de alguns olheiros da liga.

raiam santos futebol futevolei

Só que meu jogo mental era fraquíssimo.

Tipo… bem fraco!

Não adianta você fazer agachamento com 200kg e chutar 60 jardas se a tua cabeça não está no lugar certo.

Lesson learned. Na vida, ou a gente ganha ou a gente aprende.

Dessa vez aí eu aprendi a usar a cabeça.

Já que eu estava abaixo da média na parte física do futevôlei, resolvi investir na parte mental.

Como assim, Raiam?

Lembra aquele post Por que os EUA são mais avançados que nós? A resposta está na juventude! que eu comparei a mentalidade da juventude brasileira com a americana?

Um dos principais ítens daquele argumento foi a ideia do “entrar pra ganhar”.

Se eu pudesse levar para a vida apenas uma coisa que aprendi durante os 10 anos que eu passei nos Estados Unidos seria exatamente esse conceito aí.

Muita gente aqui no Brasil me critica por eu ser ultra-competitivo e eles têm razão. Até minha própria namorada pega no meu pé.

A verdade é que eu sou chato pra caramba, especialmente quando tá valendo algo.

E ali naquele campeonato posso te garantir que ninguém queria ganhar tanto quanto eu.

Viro monstro em competição.

Depois que eu aprendi com os “fracassos mentais” do futebol americano, hoje em dia o fator adrenalina me faz ficar 5x melhor… estilo Lance Armstrong mas sem produtos químicos.

O palestrante Les Brown tem uma frase que resume muito bem essa filosofia do entrar para ganhar:

“It’s not over until I win”

Falando em competição, te recomendo outro livro sensacional sobre psicologia relacionada ao esporte: WIN FOREVER: LIVE, WORK AND PLAY LIKE A CHAMPION do técnico campeão do SuperBowl Pete Carroll.

Pete Carroll é um cara obcecado por competição. Ele cria um sistema de hábitos no trabalho e acaba implantando essa filosofia do “entrar pra ganhar” 24 horas por dia nos seus jogadores.

O Pete passou os 20 primeiros anos de sua carreira sem ganhar títulos. Depois que ele começou a implantar essa filosofia na cabeça de seus jogadores, foi tricampeão da NCAA pela University of Southern California e levou o Seattle Seahawks para dois Super Bowls seguidos.

Se você gere pessoas no seu trabalho, recomendo pesquisar sobre a filosofia do Pete Carroll.


 

Nas quartas de final, pegamos uma dupla muito boa.

À medida que o mata-mata ia passando, as duplas com “cavalão-cavalinho” iam sendo eliminadas.

Eu e Gustavo éramos os únicos sobreviventes.

As outras duplas eram “cavalo-cavalo” e não tinha um Raiam para forçar o saque do outro lado da rede.

A verdade é que ambos caras tinham muita habilidade física.

Então a saída era testar o psicológico deles.

Cheguei à conclusão de que só o fato de comemorar alto depois de cada ponto já desestabilizava o adversário.

Quando o cara do outro lado da rede cometia um erro não-forçado, a gente ia lá e forçava o saque seguinte exatamente em cima dele.

O cara tremia mais ainda.

Junto com isso, lançava um trashtalk no ar… fazendo cara de mal e falando alto.

“Bora fechar agora que ele tá nervoso”

“Tem que virar a bola nele! O jogo é nele mesmo!”

Falei sobre essa “arrogância positiva” como mecanismo de defesa no post do Preto Vítima. Depois dá uma olhada lá!

Nada ilegal e anti-ético… Afinal, tinha juiz e vibrar faz parte do jogo.

Não sei se você lembra da rivalidade Brasil x Cuba no vôlei feminino na década de 1990.

As brasileiras eram mais talentosas que as cubanas mas a gente apanhava direto para Cuba exatamente por causa do jogo mental.

As cubanas sabiam entrar na cabeça de Ana Paula, Ana Mozer e cia.

Quem era campeã do mundo nisso era uma negona camisa #3 de Cuba chamada Mireia Luis (lembra dela?).

futevôlei mundoraiam

No futevolei de sábado não foi diferente.

A tensão ia aumentando e o cara ia perdendo a cabeça.

Acho que ele ficou mais nervoso ainda porque a namorada dele estava ali assistindo na beira da quadra. Se minha namorada estivesse me vendo apanhando daquele jeito, ficaria nervoso também.

Acabou que ele ficou tão pressionado que rasgou a própria camisa e isolou a bola longe para extravasar sua raiva.

Funcionou! Conseguimos vencer essa dupla mega-talentosa só no psicológico.

 

 

A SEMIFINAL

Chegou a semifinal e pegamos uma dupla ainda melhor: Matheus e Palumbo.

Mais uma vez, não tinha cara fraco para sacar do outro lado da rede.

Começamos bem e continuamos a usar os recursos psicológicos do futevôlei que nos ajudaram a chegar na semifinal.

Só que os caras eram muito pacientes e inteligentes.

Matheus e Palumbo eram dois novinhos de 19 anos que jogaram uma partida a menos por serem cabeças-de-chave no torneio.

Eles sabiam que havíamos acabado de jogar as quartas de final e estávamos mais cansados do que eles.

Era um daqueles sábados clássicos de Ipanema: 35 graus, areia queimando, sol a pino e zero vento.

O que eles fizeram? Não arriscaram quase nada e apostaram nos ralis longos para acabar com o nosso fôlego.

Acabou que perdemos a semifinal por 16-18, a dupla Matheus/Palumbo venceu o jogo seguinte e levou o troféu de campeão para casa.

E olha que poderíamos ter chegado mais longe.

A nossa semi-final estava 16-12 e os caras conseguiram virar para 16-18 só forçando o saque longe do meu peito.

Mas tá tranquilo. Valeu a pena!

Junto com o troféu de terceiro lugar, também recebi o Troféu Revelação.

Os professores ficaram abismados com minha evolução da escolinha para o jogo competitivo.

Só que eles esqueceram daquele detalhe básico.

 

MINDSET DE CRESCIMENTO

futevolei

 

Postei a foto com os troféus e um camarada que me segue no Instagram fez o seguinte comentário:

“Parceiro tu é bom em tudo que faz msm hein kkk isso aê!

Li aquilo e lembrei do mindset fixo da Carol Dweck.

Não demorei nem 30 segundos para sugerir que ele olhasse a palestra Pica Pau no YouTube.

O pica-pau é um pássaro pequenininho que consegue fazer danos descomunais nos troncos de árvores centenárias.

O que ele faz? Trabalha duro, trabalha com consistência e arrisca o próprio pescoço e o próprio nariz para conseguir o que ele quer.

Traduzindo: o pica-pau entra para ganhar!

Respondendo ao camarada ali em cima: eu não sou bom em tudo que faço. É um pouco diferente disso.

Eu entro para ganhar em tudo o que eu faço.

Irmão, o segredo é esse: incorporar o Pica Pau em tudo o que você for fazer.

Desculpe o trocadilho mas não tem segredo!

Por trás desse “sucesso repentino” no campeonato de futevôlei, tinham 5 dias por semana de erros nos treinos e mais horas e horas assistindo os melhores do mundo do futevôlei no YouTube.

Antes de ganhar dinheiro com o site MundoRaiam e muito antes de bater o milestone de 100mil visualizações mensais, eu já tinha escrito 150 posts que eram lidos por meia dúzia de pessoas.

Sim, estava “trabalhando de graça” desde novembro de 2014 e só comecei a ser remunerado em novembro de 2015.

Agora eu te desafio a fazer o seguinte: experimenta aí colocar na tua cabeça que você tem o MINDSET DE CRESCIMENTO da Carol Dweck.

Depois disso, foca na melhoria diária e contínua e começa a incorporar aquela filosofia do Pica Pau.

Te garanto que você vai ficar impressionado com os seus próprios resultados.

Bora trocar idéia aí nos comentários. Eu respondo tudo.

~Raiam

 

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