Entrevista Daniel Paiva: Ele ficou milionário com o futebol (sem ser jogador)

Entrevista Daniel Paiva: Ele ficou milionário com o futebol (sem ser jogador)

[Raiam] Fala rapaziada, hoje eu estou diretamente de Miami… que lugar é esse aqui?

[Daniel] Kendall.

[Raiam] Kendall na Flórida. Com um cara que faz uma parada diferente de praticamente todo mundo que eu já trouxe nesse podcast: senhor Daniel Paiva. Bem-vindo!

[Daniel] Valeu, Raiam!

[Raiam] Bem-vindo é o caramba porque eu tô na tua casa. Explica pra galera que porra é essa que você faz de “Venture Capital” de futebol.

Agente de jogador de futebol 

[Daniel] Cara, eu sou agente de jogador de futebol há 19/20 anos. Eu comecei a trabalhar com isso em 2001 pra 2002, e aí eu senti uma dor que eu acho que foi a mesma dor que eu acho que você teve;

[Raiam] Qual foi…?

[Daniel] Eu era o centro de tudo. Então eu tinha que cuidar de jogador, cuidar do pai, cuidar da mãe, cuidar da namorada, cuidar de passagem, cuidar de tudo! Daí eu falei “Cara, tá tudo errado!”, eu vou infartar antes de ficar rico. E aí comecei a moldar o negócio de uma maneira diferente.

E comecei a criar…eu brinco que eles ficam com raiva as vezes, mas eu comecei a criar minions.

[Raiam] Sim, é uma capilaridade que você sozinho conseguiria administrar uns 10 jogadores, hoje cê administra 60 e daqui pra mais.

[Daniel] É, hoje eu tenho 60 assinados e a gente nos projetos que a gente toca a gente tem mais 180 atletas. Então, são 240 atletas, claro que nem todos vão virar atletas profissionais, mas eu comecei a criar…

[Raiam] Cuidado com o que você fala nesse podcast, porque daqui a pouco vai vir uma porrada de gente “Me manda pra Europa” e não sei o que. Um cara que só jogou vaza, vai ficar te enchendo o saco.

[Daniel] Eu lembro de você porque no meu Instagram tem umas 100 ou 150 mensagens todos os dias.

[Raiam] E é só isso?

[Daniel] É, “porque eu sou bom” e não sei o que, “eu não joguei porque minha mãe não quer”, “eu não tive chance’…

[Raiam] Vem uns caras de 27 anos.

[Daniel] 28, 29, eu falo “Filho, com 29 cê tinha que estar trabalhando com outra coisa, não dá pra jogar bola mais”…

[Raiam] Cê tem que ser sincero, falar na cara do cara.

Demitir cliente

[Daniel] E assim…eu comentei até com você hoje, foi bem legal uma coisa que você brinca muito que é demitir cliente.

É uma paz quando você fala “cara, não dá mais pra gente andar junto, segue seu caminho que eu sigo o meu, vai ser feliz e pronto”, porque não dá, quando não bate energia, quando não bate o negócio, quando não bate não bate, não dá, tem que mandar embora.

[Raiam] Isso aí é o Nirvana na vida de qualquer empresário.

Quando você chega naquele momento de dizer assim “vou demitir esse cliente”, significa que você tá em abundância.

Que você não pensa mais só em dinheiro. Mas você pensa na sua energia pessoal e no seu tempo.

Só que nem sempre foi assim, explica pra galera como que um maluco de Minas Gerais (BH), que tinha tudo pra “dar certo” acabou entrando em um mundo tão sujo…sei lá…

[Ambos] Diferente…

Como tudo começou

[Daniel] E quando eu entrei em 2001 pra 2002 era um mercado que era diferente, realmente…tinha uma visão ruim, eu te contei a história, mas vou te contar de novo…

Eu sempre estudei nas melhores escolas, tinha notas boas, era um menino que realmente tinha tudo pra dar certo, tava na FIAT, trabalhava na FIAT…

[Raiam] Estagiário ou Full Time.

[Daniel] Não, Full Time.

Fiz curso técnico no CEFET…

[Raiam] Curso técnico de que?

[Daniel] Mecânica.

[Raiam] QUE?!

[Daniel] Sai, fui pra FIAT…

[Raiam] Tudo a ver com negociação de jogador de futebol pra FIFA e pro exterior.

[Daniel] Igualzinho, é.

Sai do CEFET, fui pra FIAT. Comecei na FIAT como estagiário e em 6 meses eles me contrataram e aí eu comecei a trabalhar na FIAT.

Quando eu comecei a trabalhar na FIAT, ela tinha um planejamento, ela tinha um programa, que era um programa de desenvolvimento de líderes

E ela escolhia jovens “talentos” (que eles achavam que eram talentos) e iam desenvolvendo aqueles jovens nas áreas pra…duas pessoas que trabalhavam comigo hoje são diretores da FIAT…

[Raiam] Fazendo basicamente o que você faz com jogador de futebol, pegando um lá embaixo e desenvolvendo o moleque.

[Daniel] Isso…e daí os dois são diretores hoje, um teve 3 infartos, o outro teve um princípio de AVC, e tal, que é super tranquilo, mas é aquilo que a gente sempre comenta…

[Raiam] Só isso…

[Daniel] E aí eu saí da FIAT, perto de sair da FIAT eu falei “cansei, não quero isso pra minha vida”…

[Raiam] Com quantos anos?

[Daniel] 22.

[Raiam] Que foi a idade em que eu chutei a macumba e o pau da barraca pro mundo corporativo, 22 pra 23, eu saí com 23, mas eu já tinha chutado com 22.

[Daniel] Aí eu falei “cara, não é isso que eu quero pra mim, eu vou ser agente de jogador de futebol”.

Porque agente de jogador de futebol? Eu sempre achei fantástico a operação do futebol, eu acho que a operação do futebol é meio que fazer… eu brinco que você pega o jogador, põe na vitrine…engorda, põe na vitrine, vende; engorda, põe na vitrine, vende…

É uma coisa industrial.

[Raiam] É um bezerro…

[Daniel] É o bezerro, é o bezerro,

[Raiam] Bota pra pastar, mama…cê não mama o jogador não, né?

[Daniel] Não, não, não, não…essa parte não é comigo, não.

O projeto de base que eu tô, é muito engraçado porque eu faço a primeira reunião, faço só uma e chego pros atletas e falo o seguinte “Eu olho pra vocês todos…vocês são uns saquinhos de dinheiro. Uns são grandes, uns são pequenos, mas é um saco de dinheiro. Os maiores que vou ganhar mais, os menores eu vou ganhar menos, mas vocês são sacos de dinheiro”.

E nada mais real que isso, eles são ativos. Você tem um tanto de ativo, que você trabalha com o jogador e faz essa parte de engordar.

Mas voltando, quando eu saí da FIAT, eu e mais dois amigos falamos “vamos montar uma agência de esportes?”, um deles era jogador de vôlei, tinha jogado na seleção brasileira e tudo…eh, o Gegê, que hoje é um dos maiores agentes do Brasil de vôlei.

E o Luciano era um advogado que também era um moleque fora da curva, só tirava 100 e tal, e falou “vamo, vamo montar”…

[Raiam] Tudo novinho.

[Daniel] Tudo novinho, 21, 22, 23 anos.

[Raiam] Pô, empreender em 2001 não tava na moda não.

[Daniel] 0, hoje eu falo, hoje é lindo você falar de empreender…

[Raiam] É o sonho de todo mundo é empreender, mas em 2001 era só maluco.

[Daniel] Era só maluco.

E aí eu cheguei em casa…na verdade, meu pai trabalhava na Cemig, eu deixava meu pai na Cemig que era em Contagem em Belo Horizonte, e eu ia pra Betim de carro pra voltar pra pegar meu pai.

E um dia eu falei isso pro meu pai, e meu pai olhou pra mim e disse assim “meu filho…casa, comida e roupa não vai faltar, mas lembra que você tem um puta salário” – na época eu ganhava 5 pau por mês em 2001, era um puta salário, cê ganhava quase 5 mil podendo progredir, podendo crescer -…

[Raiam] Dava pra comer gente com esse salário…

[Daniel] Meu pai falava assim “cara, tem tudo, só não tenho esse dinheiro pra te dar, quer? Vai”.

Eu falei “Cara, o aval que eu queria do meu pai”…

[Raiam] Ah, o teu pai “te apoiou”…

[Daniel] Meu pai me apoiou.

Cheguei em casa, a gente tava conversando e sei lá o que, e contei pra minha mãe.

Cara…

Porrada.

Tiro, porrada e bomba.

Minha mãe é pequenininha, magrinha, mas minha mãe queria me matar.

“Você ficou louco!” “Você tá usando droga!”, “Você é maluco!”.

E minha mãe realmente abraçou isso

Ela ficou 15 dias exatos sem me responder.

Eu tomo benção da minha mãe, tomo benção do meu pai, sempre tomei, meu pai faleceu em 2005, mas assim…eu tomava benção da minha mãe e ela não respondia.

Eu na mesa pra tomar café “benção, mãe?”, ela não respondia porque ela tava com um ódio mortal, “meu filho que tinha uma puta carreira na FIAT, sempre foi o sonho dele” – eu sempre falava que eu só ia sair do CEFET se fosse pra trabalhar o que era na época a mecânica, ou a engenharia mecânica ou a engenharia elétrica na FIAT, eu não queria trabalhar em lugar nenhum mais -.

E eu sempre fui muito obstinado nessas coisas, quando eu fiz CEFET o CEFET era mais concorrido do que medicina, então eu fiz CEFET e COTEC, quando eu fiz o COTEC eu falei “não quero estudar no COTEC, eu não vou passar na prova do COTEC” e caguei pra prova, fui pro CEFET, passei no CEFET, fui pro CEFET.

Então, eu sempre fui um cara que sempre fui atrás dos meus objetivos e consegui meus objetivos, eu sou um cara chato atrás do que eu quero fazer.

E aí quando eu fui pro CEFET, eu falei “cara, eu só vou trabalhar na FIAT”, fui pra FIAT e sai da FIAT, quando eu sai foi um choque pra todo mundo.

Foi um choque pro meu diretor na FIAT, o meu gerente – o meu gerente me chamou pra conversar e falou “o que tá faltando?”, eu falei “cara, eu não tô feliz, eu quero ser feliz, eu não tenho uma passarinho pra dar água. Eu tenho casa, tenho comida, tenho roupa lavada, cara eu quero ser feliz, eu vou ser agente de jogador de futebol” -.

Nesse meio tempo entre a agência estar pronta e a gente começar a rodar, eu saí, a agência ficou pronta, começou a rodar e minha mãe começou a me pressionar muito pra trabalhar.

Porque ela achava que eu não trabalhava.

[Raiam] É, e basicamente você tinha o caminho do sucesso pra geração anterior que é um bom salário, bons benefícios, uma boa empresa multinacional, então na cabeça de alguém da geração anterior foi a maior burrada que você já fez.

E eu escutei a mesma coisa dos meus pais e de gente da minha família quando eu (dos 22 pros 23) larguei uma multinacional, um bom salário, bons benefícios e Nova York.

[Daniel] E eu ainda tinha expectativa, a FIAT mandava o pessoal pra Itália, ela mandava os funcionários pra ir treinar na Itália…

[Raiam] Onde é a FIAT? Turim?

[Daniel] Turim, Turim. Eu brinco que era a bolha dourada…

[Raiam] Algema de ouro, que nem esses caras aí falam…

[Daniel] Algema de ouro, é.

E a FIAT sempre fez isso muito bem porque ela te dava carro, te dava um plano de saúde fenomenal…

[Raiam] Qual era teu carro?

[Daniel] Eu não tinha ainda porque eu ainda tava crescendo.

Mas no primeiro ponto acima do meu, na época, o cara já tinha um siena e no ponto seguinte ele já andava de marea, que na época era O carro…

[Raiam] É o pior carro hoje.

[Daniel] Hoje virou meme.

[Raiam] Virou meme, mas na época…

[Daniel] Na época era top.

Então, eu cresci dentro dessa cultura, só que eu sempre tive um negócio que eu acho que esse negócio nasce com a pessoa: eu sou vendedor, cara.

Se você me botar pra vender coco em saquinho eu vou vender coco em saquinho e vou ser bom pra caralho naquilo.

[Raiam] Cê soube do caso do Maera, que vendeu o bogá de um amigo nosso aí por 3 milhões.

[Daniel] Hahahah, não soube…

[Raiam] Você falou que você é vendedor, cara. O Maera conseguiu um comprador pra virgindade anal de um amigo meu ai que eu não posso dizer quem é…

[Daniel] Você vê, uma oportunidade de negócio aí hahaha!

[Raiam] E ele ficou puto porque esse amigo meu recusou porque ele ia ter três milhões e ainda ia ter a comissão, entendeu?

[Daniel] Claro, né?!

[Raiam] Mas ele conseguiu um comprador, era um cara bilionário que queria só zoar e ia colocar alguém…exatamente, você falou que você vende qualquer coisa.

[Daniel] É, mas é isso.

E aí nesse período, a minha mãe tava pressão, pressão, pressão.

Um dia eu sai de casa e falei “cara…vou arrumar alguma coisa pra eu fazer”. Daí…eh, pra quem conhece BH, BH tava fazendo o Pátio Savassi, que é um shopping na Savassi que é da Sion…

[Raiam] Ali no contorno, perto da Sion, morei do lado.

[Daniel] Esse shopping era do José Afonso Assumpção, ele não era na Multiplan ainda, era um shopping “privado” dos caras, e eles contrataram uma empresa pra fazer a comercialização de lojas.

Aí eu falei “vamos vender essas lojas” porque eu tinha flexibilidade de horário…

[Raiam] Tudo a ver com o futebol, né?

[Daniel] Tudo a ver com futebol, mas eu saía do escritório, meu escritório era ali pertinho, então eu ia pro Pátio Savassi, voltava e ia pro Pátio Savassi, voltava e ia pro Pátio Savassi.

[Raiam] Ah, então a tua formação como empresário foi como fazedor de rolo…

[Daniel] Fazedor de rolo, fazedor de negócio.

[Raiam] Você fazia um rolo aqui, outro ali…

[Daniel] Aí eu vendi a Richas que na época era top, ajudei a vender a Brooksfield.

Aí fiz uma comissão razoável. Falei “agora tenho um dinheirinho aqui, minha mãe pode parar de encher meu saco, vou pra onde eu quero, vou trabalhar”.

E o que eu comecei a fazer? O que eu pensei no momento? Falei “cara, eu não consigo brigar com os grandes agentes, eu sou muito pequeno”.

[Raiam] Na época quem eram os grandes agentes.

[Daniel] Juan Figer, Giuliano Bertolucci já tava no mercado…

[Raiam] Já tava grande?

[Daniel] A Traffic tava crescendo, e aí eu era um nenê, cara.

E eu não tinha o que os caras tem, eu não tinha um caminhão de dinheiro pra botar, os caras tinham um caminhão de dinheiro.

E aí eu falei “vou aonde? Vou na base”, e aí comecei a pegar jogador de base, dentro de casa (principalmente do Atlético, Cruzeiro e América), os times que eram dentro de BH.

Comecei a pegar jogador de base e dar o que os caras não davam, que era o que? Cuidado.

O que é o cuidado? É o que cê viu eu fazer aqui, o cara precisa de um apartamento? Babá de marmanjo. Precisa de um apartamento? Vou te ajudar.

Aí eu peguei um moleque que me ajudava, ele andava comigo, era o babador de jogador, ficava passeando…

E fui fazendo isso e crescendo.

E aí os jogadores foram chegando em um patamar legal. Teve uma taça em São Paulo que foi muito legal que na hora em que passou a escalação do time do Atlético na base que ia jogar a taça São Paulo, dos 11 titulares eu tinha 8;

Então eu tinha praticamente o time do Atlético de categoria de base era meu. Só que o funil é muito pequeno.

[Raiam] É, de 200 jogadores que saem da base de um time, 2 vão ser muito grandes.

[Daniel] E aí, se você não souber fazer o negócio, cê perde o atleta qualificado, com boa formação, com bons negócios, com estrutura pronta de jogar…porque ele tá pronto, o cara que joga 6 anos no Flamengo, 6 anos no Atlético Mineiro, 6 anos no Cruzeiro, cara…ele não é ruim.

[Raiam] Na base.

[Daniel] Na base. O cara que é formado ali tem formação, ele tem base.

[Raiam] Só que os caras desovam esses moleques, quando chega no junior aperta esse funil, só sobe um ou dois por ano e os outros 24, 30, ficam na rua.

[Daniel] E os caras jogam os ativos pro mercado.

[Raiam] Joga fora mesmo?

[Daniel] Joga fora. Manda embora. Ou empresta pra time pequeno.

[Raiam] É igual um restaurante ficar jogando fora comida que tá pra estragar. Porque o jogador com a idade realmente estraga, ele não pode jogar mais o sub.

Agora criaram o campeonato de aspirante, mas… pô…

[Daniel] Mas se você pensar o campeonato de aspirante é legal, mas são poucos ali que vão sair e vão pra algum lugar, cara.

[Raiam] Porque já tão “véio”.

[Daniel] Isso.

[Raiam] Então porque que os times mantém campeonato de aspirante?

[Daniel] Porque tem muito jogador de maturação tardia.

[Raiam] Bruno Henrique maturou tarde.

[Daniel] O Bruno Henrique pra mim é o exemplo clássico disso.

[Raiam] É de BH ele?

[Daniel] Ele é de BH. Eu vi o Bruno Henrique jogar a copa Itatiaia. E aí o Bruno Henrique passou se não me engano no Atlético e no Cruzeiro e no América, não ficou em nenhum deles, começou a rodar e rodar e rodar e rodar, foi pro Goiás, foi muito bem e não sei lá o que.

O Bruno Henrique é um jogador de maturação tardia, o Bruno Henrique foi maturar com 27/28 anos. É raro? É raro, só que tem casos. E tem casos…as pessoas só veem quem? O Neymar, o Bruno Henrique, o Gabigol e tal, o jogador que é coadjuvante nesse mercado e com esses caras ganha 50/60/70 que é um salário fenomenal, que aí você tem comissão, você tem business, você tem negócios pra fazer, tem intermediação, você tem tudo!

E ai quando eu resolvi pegar a base, eu falei “eu tenho que criar meus carneirinhos ali pra nego vir e tal”, e aí começa aquela sacanagem do futebol, ai o cara tenta tomar o jogar, tenta dar dinheiro.

[Raiam] É, eu ia falar isso, porra. Você mama o bezerro, e aí vem o cara da fazenda do lado e rouba o bezerro sem te pagar nada.

[Daniel] É, hoje…antigamente tinha muito isso, hoje é um pouco mais difícil porque todos os contratos são registrados na CBF. Então todos os contratos de agenciamento que eu tenho com os atletas que tem prazo de três anos – que você só pode assinar por três anos -…

[Raiam] Então o jogador não pode te dizer assim “ó, o Mino Raiola chegou aqui pra mim, tchau Daniel, vai tomar no teu cu”?

[Daniel] Ele pode, mas ele tem uma multa pra pagar. E aí a multa, o que eu tô fazendo hoje? Você vai majorando a multa de acordo do tamanho que o jogador vai ficando.

Então tem o jogador que a multa é R$500 mil, e tem jogador que a multa é R$2,5 milhões.

[Raiam] Multa só pra você, fora a multa do clube…

[Daniel] Só pra mim, só pra mim. É o que ele tem que me pagar pra não ser mais representado por mim.

E aí eu criei esse núcleo, comecei a pegar jogador de base e fui crescendo. E daí num certo momento da minha carreira, o Kléber que foi o percursos – o goleiro do Goiás e do Atlético e tudo – o Kléber quis parar de jogar, eu trouxe ele pra minha agência, então ele virou meu sócio, como gratidão e tudo, ele queria ser agente também, (depois ele desistiu, hoje ele é fazendeiro).

[Raiam] Tudo a ver.

[Daniel] O Kléber veio pra agência e a gente começou, e ele tinha um relacionamento muito próximo do pessoal do BMG, do banco BMG que criou um fundo de investimento pra comprar e vender jogador de futebol na época.

Hoje eles tem um clube formador e eles compram jogador também…

[Raiam] Mas quem tava nesse bolo aí desse fundo, algum jogador conhecido ou não?

[Daniel] Tem, eu fiz uma operação muito legal com o Bernardão, lembra do Bernardão que jogou no São Paulo, no Corinthians, que jogou na Seleção?

[Raiam] Ronaldão.

[Daniel] Não, Bernardo.

[Raiam] Que jogou na Seleção?!

[Daniel] Que jogou na Europa. Depois você vai lembrar, hoje o filho dele joga, tava jogando na Inglaterra.

[Raiam] Mano, eu sou uma enciclopédia de futebol, eu nunca ouvi falar em Bernardão. Seleção? Jogou em que copa, mano?

[Daniel] Não lembro a copa, mas ele jogou e jogou muito.

[Raiam] Tá maluco! Mas tá, continua.

[Daniel] E aí o Bernardo representava o Pão de Açúcar, e eu representava o BMG no fundo, a gente fez a compra do Paulinho (volante)…

[Raiam] Do Barcelona, Corinthians…?

[Daniel] Do Barcelona, Corinthians. A gente comprou o Paulinho do Pão de Açúcar, comprou metade, e levou metade pro Corinthians.

[Raiam] Esse é um cara que maturou tarde.

[Daniel] Esse é um cara que maturou tarde, ele rodou, foi pra Europa, jogou no Bragantino…

[Raiam] Jogou meio aleatório…

[Daniel] Quando ele tava no Bragantino o Scalt do Corinthians viu, gostou, a gente fez a intermediação, tinha que pagar o Bragantino (uma multa), ele era o Pão de Açucar, juntou dois caras milionários, fechamos o negócio e levamos pro Corinthians.

E aí eu comecei a operar. E essa ida pro BMG me fez perder um pouquinho a minha essência da base…

[Raiam] Porque você tá lidando com gente já formada…gente já grande.

[Daniel] Sim.

[Raiam] Estabelecida.

[Daniel] Sim.

E aí eu comecei a abrir mão daquilo ali, deixar passar, inclusive hoje…um dos caras que é meu sócio em 7 jogadores, ele brinca “eu só consegui entrar no mercado porque você largou os jogadores”, então ele começou a pegar os jogadores que eu não conseguia renovar, ou que já não estavam mais feliz, ou que eu não queria mais fazer negócio porque eu tava focado no negócio do BMG, ele começou a pegar os jogadores.

E hoje a gente já tem 7 jogadores juntos e tal, só que chegou um momento em que eu falei “eu não tô feliz, cara”, “não é isso que eu quero, eu quero fazer o processo inteiro, eu gosto do início, meio e fim. Eu gosto de achar o moleque, pegar o moleque”… claro que hoje eu não faço tudo sozinho, eu tenho uma equipe hoje de todos os meninos que trabalham comigo e todo mundo.

Eu pego o moleque, tenho meus relacionamentos, coloco nos clubes que eu tenho relacionamentos, faço ele virar dentro do clube.

Investimentos

E aí ele sai de 500 euros, pra ganhar 80/100 mil reais. Que ele foi pra 500 euros num projeto louco que a gente fez na Croácia, levou um jogador pra Croácia pra fazer isso.

[Raiam] Nego ganhava 500 euros de salário.

[Daniel] 500 euros de salário. Você conheceu ele, o Raul. O zagueiro que vai jogar no Corinthians.

[Raiam] Conheci, é.

500 euros de salário, pra jogar profissional não, né? Base?

[Daniel] Não, profissional. No time B do Dinamo Zagreb ainda.

[Raiam] Pô, Dinamo Zagreb é time de Champions League, porra!!!

[Daniel] Eles tem um time B que chama NK Lokomotiva.

[Raiam] Que é a segunda divisão deles, sub-divisão do Croata.

[Daniel] E eles pegam os jogadores e botam lá, ele dava 500 euros.

E eu vou te dizer o seguinte, eu acho até que ele não ganhava nem do clube, pra te falar a verdade, porque o agente croata que levou comigo…eu acho que ele que bancava o jogador porque ele acreditava no jogador.

Então, é um processo de investimento constante.

[Raiam] Tipo regar aquele jardinzinho ali…

[Daniel] Cara, e é investimento que…

[Raiam] E outra, você tem que pensar em longo prazo também, se você quer dinheiro agora você não vai ter dinheiro agora. Você vai botar dinheiro, vai entubar dinheiro, porra…que merda de…

[Daniel] E os meninos falam o seguinte, por exemplo, a gente faz conta as vezes, os caras as vezes falam “eu quero ser agente de jogador de futebol”, eu falo “cara…legal”…

“Mas você me dá a mentoria?”, “Te dou”…

[Raiam] Você tá pronto pra ganhar dinheiro só daqui a dez anos?

[Daniel] Você tem entre 200 pau e 1 milhão pra brincar nesse primeiro momento agora?

“Tá louco?!”, eu falo “cara…você sabe quanto custa uma chuteira?”, ele fala “não”, eu falo “mil e quinhentos reais”.

[Raiam] Para!

[Daniel] Mil e quinhentos reais. E aí eu vou te dizer: o jogador não quer usar chuteira de 600 ou 700 que é a linha passada, não. Os jogadores de base querem usar… os que não tem contrato com as marcas – porque tem jogador de base que tem contrato com as marcas, mas tem um tanto de jogador que não tem contrato…

[Raiam] Então tem que pagar do bolso…

[Daniel] Você bota do bolso.

[Raiam] Até a chuteira?! Eu jurava que o clube fornecia, mano…

[Daniel] Cara…chuteira, passagem aérea, aluguel…

[Raiam] Não, passagem aérea, aluguel, tudo bem, mas pô…o Gala é patrocinado pela…Umbro, quem é?

[Daniel] Hoje é a Le Coq…

[Raiam] Le Coq Esportiva vai dar chuteira pro filho da puta ali…

[Daniel] Esquece…

Só que daí, por exemplo, o Atlético era patrocinado pela Puma, a Puma mandava chuteira, só que o jogador não quer usar a Puma, cara… ele quer usar a chuteira do Neymar, ele quer usar a chuteira do Messi, quer usar a chuteira do Cristiano Ronaldo…

[Raiam] Tem essas vaidades…

[Daniel] MUITO, cara! Muito.

E outra coisa, às vezes a gente tem brigas homéricas no escritório porque o cara fala “pô, mas esse cara tem que usar a chuteira…”, eu falo “cara, vai vir o outro, vai dar a chuteira que a gente não quer dar e a gente vai perder o jogador por causa de 1000 reais, 1500 reais”, que não são 1500.

A conta que a gente faz, cada jogador usa de 5 a 8 pares de chuteira por ano, então brincando cada jogador custa 8 pau todo ano.

[Raiam] Mas porque de 5 a 8 pares?

[Daniel] Cara, não sei. Acho que eles comem chuteira no vestiário, mastiga chuteira, porque treina, as vezes treina em campo ruim. Da base, principalmente, as vezes joga em campo ruim, tem jogos da categoria de base que são em uns campos ridículos, cara.

[Raiam] E…

[Daniel] E aí a chuteira destrói, cara. Porque a chuteira que os caras fazem…a chuteira que os caras fazem pro Neymar, é pro Neymar jogar aonde?

No Santiago Bernabeu, no campo do Barcelona, no campo do Paris Saint-German, eles não fazem pra jogar aqui do lado de fora da casa, então é tudo muito meticuloso.

Peso

E eu tava me sobrecarregando tanto, cara…que eu me larguei, cheguei a pesar quase 200 quilos, 160 quilos…

[Raiam] Tá com quanto agora… 110…?

[Daniel] Tô com 94… 95.

[Raiam] Não acredito que você gordo desse jeito pesa menos do que eu.

[Daniel] É que aqui tem muita pele ainda, porque eu perdi muito peso e ainda não operei, tenho que operar, tem pele…tem tudo, então não se preocupa não…

[Raiam] Cara, eu peso 98 quilos, como que você pesa 94?!

[Daniel] Cara, mas você tem dois metros de altura, caralho, eu tenho um um metro e oitenta…

[Raiam] Eu tenho um 1,80 também cara!

[Daniel] Mas então você tem 1,80 a mais que eu, você é mais alto que eu.

[Raiam] Como você tem 94 quilos, mano? Seu gordo!

[Daniel] Pô! Ex-gordo, agora eu já passo credibilidade, hahahaha.

[Raiam] Puta que pariu, mano! Eu não acredito que você pesa menos que eu, cara!

[Daniel] 94 quilos, criei um plano de gap, meu gap é entre 92 e 99. Não passo dos 100.

[Raiam] O negócio de gordo não passa credibilidade começou quando eu passei dos 100, eu olhei na balança “três dígitos”, eu falei “não dá”.

[Daniel] E foi o que eu fiz, né cara? Quando eu cheguei aí eu falei “cara, eu não vou ver, eu vou ganhar dinheiro” – porque ai meus seguidores começaram a crescer –  eu vou ganhar dinheiro, não vou ver minha filha casar, não vou ver meu filho formar e casar, eu vou morrer, cara! Eu não conheço nenhum gordo com mais de 60 anos, cara.

[Raiam] Pô, que negócio forte mesmo.

[Daniel] Ah! Pô, o Jô Soares, tá bom, o Jô Soares vai pro hospital que ressuscita ele…

[Raiam] Que afirmação forte mesmo, cara. Eu também não conheço gordo acima de 60 anos. O cara vai emagrecer ou ele vai morrer.

[Daniel] Você vai achar um ou dois, o resto morreu. Ou morreu de infarto…e eu tive casos na minha família, o meu avô morreu obeso.

Mas meu vô morreu com 84 ou 85 anos, mas meu avô é exceção, não é regra, então o dia em que você colocou aquilo – que eu até te mandei a foto brincando – eu tomei uma decisão onde eu falei “cara, eu tenho que me cuidar, pra eu poder ver meus filhos crescer, pra eu poder curtir”.

Porque o meu plano de vida sempre foi o seguinte: eu tive filho novo (relativamente pra minha geração, com 26 anos), pra daqui dez anos estão os dois no college, daqui dez anos eu vou viajar pra onde eu quiser, a gente vai fazer o que a gente quiser, eu vou sair daqui…e tá…com 50 anos, mas se você se cuidar você não tá velho com 50 anos.

[Raiam] Tá com 40 agora?

[Daniel] Tô com quarenta agora.

Então esse é o “desenho” que eu fiz pra minha vida, e ai eu falei “cara, eu tenho que mudar o meu clique da empresa, a empresa não pode ser eu”…

[Raiam] Foi aí que você criou os seus minions…?

[Daniel] Foi ai que eu criei meus minions.

[Raiam] Antes de falar sobre os minions, me explica um pouquinho…eu acho que é o sonho de muita gente que não conseguiu ser jogador trabalhar com o futebol.

Muita gente queria ser jornalista esportivo, mas não dá dinheiro.

Como é o caminho?

Muita gente quer ser agente de jogador, e quer fazer esse negócio de trabalhar na CBF, na FIFA. Explica um pouquinho sobre esse caminho e quão árduo é esse negócio, você falou que tem que brincar com R$200 mil a 1 milhão.

Explica ai um pouquinho.

[Daniel] Cara, eu até criei um projetinho, de dar uma mentoria pra algumas pessoas disso, que são pessoas que tem um capital financeiro, que quer brincar, e pra eu dar um pouco de segurança, mas assim…qual é a brincadeira hoje?

O que acontece no futebol? Você pega o jogador, você tem que ter relacionamento com o clube, você tem que ter relacionamento com treinador, você tem que ter relacionamento com o captador, com o cara da base, com o cara do profissional, então é networking total!

[Raiam] É um business de networking.

[Daniel] É um business de networking.

É um mercado fechado, é um mercado difícil de entrar, não é um mercado fácil.

[Raiam] Então realmente aquelas fofocas que acontece de tipo…”ah! Aquele jogador ali só tá no campo porque ele é jogador de empresário e empresário tem o contato, molha a mão de jogador…”, acontece essas porra mesmo?

[Daniel] Cara, eu vou te falar o seguinte…acontece…

[Raiam] Por isso que o Brasil não ganha mais copa!

[Daniel] Mas eu vou te dar um exemplo, que é um exemplo legal pra você ter disso…

Eu tenho um relacionamento muito legal com o Coelho, que foi treinador do Corinthians.

[Raiam] Lateral direito do Corinthians e da Seleção Brasileira…ele é 83?

[Daniel] Ele é 83.

[Raiam] Foi reserva do Dani Alves no mundial de 2003 de Abu Dhabi e o Brasil foi campeão daquele mundial.

[Daniel] Justamente.

[Raiam] Com Dudu Cearense, Daniel Carvalho, timaço aquele!

[Daniel] E eu tenho uma relação de amigo com ele, cara. Ajudei ele no final da carreira, e aí a gente tem um relacionamento de amizade e de confiança tão grande que…por exemplo, o Coelho me ligou um dia e falou assim “eu preciso de um zagueiro, último ano do sub 20, pra chegar aqui, vestir a camisa e jogar, no Corinthians”…

[Raiam] Mas por que ele não quis um zagueiro já estabelecido e queria um do último ano do sub20?

[Daniel] Porque ele tava na base ainda, ele era treinador do Corinthians, e ele precisava chegar perto da final da taça São Paulo com essa geração, e faltava um zagueiro rápido.

Eu liguei pra ele e falei “Coelho, eu não tenho esse zagueiro, mas eu posso ter”. Aí ele falou “porque?”, eu falei “Eu conheço um zagueiro que foi mandado embora do Atlético Mineiro, se chama João Vitor, tentei trabalhar com ele na época, mas ele é de um agente que é parceiro meu, que é meu amigo, não quis tomar ele e blablabla, e ele tá no Coimbra que é o time do BMG, eu posso levar ele pra aí?”.

[Raiam] Segundo de Portugal?

[Daniel] Não, o Coimbra em Minas mesmo, o BMG tem um clube pra botar e formar jogador.

E aí o Coelho falou “Cara, me manda ele amanhã”;

Aí chegou o João, vestiu a camisa…

[Raiam] Calma aí, ele confiou em você, ele não pediu assim “me dá o DVD, manda pra teste ai, e não sei o que”…

[Daniel] Não, “me manda amanhã”, aí eu botei o Coimbra junto com o Corinthians, fizeram um empréstimo com opção de compra, ele foi pra lá, o João jogou o ano inteiro – foi MUITO bem, tanto que o Corinthians comprou, exerceu a opção de compra, fez um contrato mais longo, hoje (pra mim) é um dos melhores zagueiros 98 do Brasil, tá jogando no Atlético Goianiense, jogou 32 emprestado pelo Corinthians -…

[Raiam] Titular!?

[Daniel] Titular. Vagner Mancini já pediu a volta dele, quer ele no Corinthians agora quando acabar o campeonato brasileiro, e aí eu peguei metade da representação dele por causa da intermediação.

[Raiam] Opa, então “metade da representação”, explica aí…porcentagem do salário?

[Daniel] Nós temos um contrato de comissionamento com ele, que a CBF permite, que é 10% do salário, e metade da representação é minha e metade é do Juliano que…

[Raiam] O que significa representação?

[Daniel] Eu sou empresário dele. Eu e o Juliano…ele tem dois empresários, eu e o Juliano Leonel, e a gente faz um contrato junto…

[Raiam] Numa transferência no futuro, só quem pode representar ele é você e o Juliano.

[Daniel] É.

[Raiam] E você recebe “X por cento” do salário do jogador, isso é representação…cê compra…tem várias maneiras de remunerar, né?

[Daniel] É que antigamente tinha o direito econômico que o agente podia ter, hoje não pode ter direito econômico.

Aí eles criaram um “loop roll” que chama “comissionamento futuro”, então eles te dão uma carta de comissionamento futuro, de até 10% de transferência do atleta, então…

[Raiam] Da transferência e do salário também?

[Daniel] Se eu fizer um contrato com o jogador

[Raiam] Ah, então na hora de você fechar com o jogador cê fala “ó, você vai ser meu, mas eu vou levar X% do seu salário quando eu te botar no Manchester United”.

[Daniel] Justamente, “eu renovei seu contrato no Corinthians, eu tenho comissão amanhã”…

[Raiam] Ah, então você vive de renda passiva, também?

[Daniel] Sim, sim, sim.

E aí no segundo ano…a história do Corinthians é tão legal que no segundo ano de Corinthians, o Coelho me liga e me faz o mesmo pedido, só que ele me fala assim “eu quero canhoto”.

[Raiam] 99…

História do Raul no Corinthians

[Daniel] 99.

Aí eu falei “Coelho, você achou a única posição que papai do céu me deu um olho”, ele falou “Não, eu quero um zagueiro, canhoto, 99, grande e rápido”.

[Raiam] Pablo Marí.

[Daniel] Aí eu falei “Cara, nós temos até 31 de maio pro Dinamo Zagreb exercer a opção de compra do Raul”.

O presidente do Dinamo Zagreb é o Mamić que é um cara do leste europeu, pessoal do leste europeu é tudo bonzinho, né?

[Raiam] Bonzinho é o CARALHO!

[Daniel] E o Mamić foi preso, quando ele foi preso, quando saiu o mandato de prisão dele: ele sumiu.

E eu torcendo pros caras esquecerem da opção de compra, porque? Porque eu ia botar ele no Corinthians.

No dia 31, os caras não exerceram a opção de compra, comprei a passagem no dia 1º, dia 2 ou 3 ele chegou em São Paulo.

Aí o Coelho falou “Cara, mas esse eu não posso trazer pra contratar de cara, eu preciso ver”, eu falei “não, não, pode ver, deixa ele aí 3/4/6 dias, um mês…”.

O Raul chegou, treinou numa segunda e na terça, na quarta o cara do Corinthians me ligou “cara, vamos fazer o contrato”.

Fizemos o contrato dele, hoje ele tá no Corinthians, tá no banco do Corinthians já, fez uma renovação muito legal agora, e aí vem o lado que eu te falo que eu comecei a monetizar o negócio e desapegar.

Que é aquela conversa de meia hora que a gente teve outro dia no telefone, e você tava com a dor lá do negócio.

O que eu fiz? O Raul começou a ser procurado por empresas, empresas sérias e empresas ruins, alguns empresários ofereceram 500/1 milhão pra ele me largar, que a multa dele era um milhão, então o cara ia pagar a multa e ele ia embora.

E o Raul falou o seguinte “eu faço a parceria, desde que o Daniel queria…”…

“O Daniel é meu pai, ele me tirou da favela…”

[Raiam] Pô, mas nem todo mundo é assim, né Daniel?

[Daniel] Não, não tem, esquece, isso aí é…

[Raiam] É que nem o Tucano comigo.

[Daniel] Justamente, é igual o Tucano com você.

[Raiam] Eu tenho X% do Tucano, eu…sou o pai do Tucano. Eu tenho negócios com outras pessoas, mas não chega nem perto da lealdade que o Tucano tem comigo.

[Daniel] E essa é a lealdade, foi uma coisa muito legal.

E aí, teve um agente que procurou ele mediado pelo pessoal do Ronaldo, que é o Cacá Ferrari, só que na hora que ele falou pro Cacá que era eu o agente, que não adiantava nem conversar, o Cacá pegou o telefone e me ligou e falou “Cara, vamo fazer uma parceria no Raul?”.

Aí ele comprou um percentual da representação, eu continuo pilotando a operação, o jogador é a gente que controla…

[Raiam] Agora tá com um respaldo mais forte com o Ronaldo por trás. Então é tudo networking, cê não pode queimar ponte, é verdade…

[Daniel] É simples e objetivo, eu vou criar um infoproduto amanhã, se eu tiver a chancela do Raiam esse produto já chega diferente do que ser só do Daniel.

Então existem os caras que dão a grife pro negócio. Tem os caras que dão a grife.

E eu sou um cara muito Low Profile, vei. Então eu não tenho essa vaidade com os caras, “eu quero estar na mídia”, “eu quero estar na televisão”, eu falo “cara…eu quero dinheiro no meu bolso”.

“Eu quero fazer a operação”, “eu quero ter sossego”, “eu quero poder andar na rua com minha mulher, com meus filhos sem ninguém encher meu saco”, “eu quero poder ter vida, eu quero viver”…

“Eu quero poder pegar um avião amanhã e poder ir viajar com eles”.

E foi uma escolha minha.

“Ah, dava pra fazer de outro jeito?” Dava.

Hoje eu tenho uma geração 98/99/2000/2001/2002 que são jogadores que eu falo…é ativo pra deixar o cara milionário.

É pra deixar o cara milionário…

[Raiam] Deixar o jogador milionário…

[Daniel] E o agente também!

[Raiam] E o agente também! Pô, mas aí assim… jogador milionário é garantido, se o cara estiver na primeira divisão ele VAI ganhar um milhão na carreira dele, o agente ele vai trabalhar de 10%…

Operações e comissões

[Daniel] Só que vamos pensar o seguinte, aonde que eu acho que as pessoas não entenderam o pulo do gato, uma operação legal no Brasil…você ganha dinheiro.

Uma operação RUIM na Europa – pra mim que vivo nos Estados Unidos muda pouco porque é euro, dólar e tal -, mas o cara que é agente no Brasil e tem um cara que pode ir pra Portugal ou que pode ir pra Noruega ou que pode ir pra Dinamarca, aonde ele pega 100/150/200 mil euros de comissão…que tem essas operações…

[Raiam] Porra, você tá milionário…eu tenho contato em todos os países da Europa, eu falo todas as línguas de lá e eu tenho grana, eu vou entrar nesse mercado também! Vai tomar no cu!

[Daniel] E é 150 mil euros pra vender o jogador que o Goiás mandou embora.

Cara… você tem um cara na mão que é seu amigo/irmão que ele não sabe o tamanho e a força que ele tem, que é o Felipe Gabriel…

[Raiam] Felipe da Letônia?

[Daniel] Felipe da Letônia.

[Raiam] Aquele mercadinho ali, pra você fazer 50/80 mil euros…

[Raiam] Mas ali os caras ganham 7 mil euros por mês, para!

[Daniel] Só que o clube te dá 30 mil euros de comissão. Pra você levar um jogador que você não fez trabalho nenhum. Sabe o que você faz? Pega um minion e fala o seguinte “vem aqui”.

Acha os jogador que o cruzeiro mandou embora e que não vai virar nada, ou que o Atlético e tal, e vamo botar na Letônia pra ganhar 5/6/7 e vamo botar uma clausula de comissionamento pra gente…

[Raiam] Cara, vou ligar pro Felipe Gabriel em pleno podcast!

[Daniel] Cara, é um puta negócio. E aí os meus jogadores que hoje tão chegando pra ficar grande, o que me deu respaldo pra fazer isso foram os negócios menores que eu fiz!

[Raiam] Tô ligando pra quem?

[Daniel] Pro Felipe, hahaha.

[Raiam] Pessoal, vocês tem que aprender o seguinte: foda adiada é foda perdida.

Ó, adiou a foda aqui ó.

[Daniel] Adiou a foda…

[Raiam] Vai tomar no cu Felipe da Letônia.

[Daniel] Mas ele vai ver, ele vai fazer.

[Raiam] É mesmo um mercado pequeno, né?

[Daniel] Eu vou te falar um negócio que você vai assustar…eu conheci o pai do Manjubinha…

[Raiam] O Cirilo!

[Daniel] O Cirilo, num curso que eu dou aula, eu dou aula pra um curso que ele fez de…

[Raiam] De futsal?

[Daniel] Não, de…de gestão de…gerenciamento esportivo…

[Raiam] Ele tem o negócio lá de futsal…QUE MUNDO PEQUENO! 

[Daniel] Eu falei “Cirilo, cara…você tá num lugar do mundo que tem mais lugar pra ganhar dinheiro no futebol”…

[Raiam] Rússia, porque os caras tem dinheiro.

[Daniel] Cara, a gente não precisa fazer dez, acha um clube que quer um jogador pra gente apostar aí, pra gente pegar o jogador, botar pra ganhar dois ou três mil euros agora e se ele crescer A GENTE vai ganhar dinheiro.

Aí ele falo “Caralho, Daniel, eu não tinha pensado nisso”… é um mercado que hoje eu opero praticamente no automático.

Então, por exemplo, eu tenho jogador que nunca falou comigo…

[Raiam] Para.

[Daniel] Assinado comigo, registrado na CBF…

[Raiam] Ah, se fosse X anos atrás antes da mentoria do Raiam você era pai de todo mundo.

Hoje em dia com os seus minions você tá aqui e você conseguiu delegar toda a “paizisse”.

[Daniel] Eu dificultei o acesso ao Daniel.

[Raiam] Pô, igual eu! Hahahah. Igual eu, caralho, que foda!

[Raiam] Sub19 não tem acesso ao ditador e sub25 eu respondo quando eu quero.

[Daniel] E o cara tem que entender que isso tem valor.

Se o cara do sub19 virar pra você e falar “pô Raiam, vamos comer um churrasco lá em casa”, você vai falar “pô irmão, comer churrasco na sua casa?”.

Pô, aí eu te ligo e tal, e o acesso é direto, mas porque?

[Raiam] É diferente.

[Daniel] Você tem que mudar o patamar do negócio.

[Raiam] Eu falo assim “eu ando com quem anda comigo, eu corro com quem corre comigo, eu voo com quem voa comigo, eu vou pro espaço com quem vai pro espaço comigo…só que são preços diferentes”.

[Daniel] Mas é isso mesmo. E assim…eu comecei a mostrar pros próprios atletas isso, a importância.

A atenção que eu tenho que dar pro João, pro Raul, pro Luisinho do Curitiba, pro Henrique, pros jogadores que já chegaram, que já pisaram no campo como profissional, é diferente da atenção que eu tenho que dar pros sub11…

[Raiam] Tu tem sub11?!

[Daniel] Eu tenho cinco meninos sub13, sub12 e sub11…

[Raiam] Pô, vai que esses moleques com 15 anos chegam e falam “agora não quero ser jogador de futebol, quero dar o cu!” pô, como é que o cara…

[Daniel] É o seguinte, dos cinco…os cinco são prospectos de top, top, top, top, top players, não são jogadores comuns.

[Raiam] Mas você tem esse olho, cara… pra isso. Você é um olheiro! Não?

[Daniel] Não, na verdade eu recebo a informação hoje…

[Raiam] Ah! Você já terceirizou a “olheirisse” também.

[Daniel] E aí eu vou te contar um negócio que você falou no carro que a galera…cara, eu tenho pouca paciência pra ver jogo de futebol, ai você me perguntou “cara, como é que você vê o jogador então?”…

Além da informação que a gente tem, eu tenho as pessoas que me entregam a informação mastigada, então eu vejo os jogos dos meus atletas, eu vejo…”hoje vai jogar o Luisinho do Curitiba”, eu vou ver o jogo do Curitiba, “ah, vai jogar o João hoje”, eu vou ver o jogo do Atlético Goianiense, “ah, mas vai jogar o Joãozinho do Ceará no sub20″…

Eu falo “Breno, vê o jogo aí e me manda pra falar o que é”, porque se não eu fico o dia inteiro na frente da televisão assistindo jogo de futebol, cara!

[Raiam] E tem uma galera que fica o dia inteiro na frente da televisão assistindo jogo de futebol e não tem nem interesse, não ganha dinheiro, só perde tempo! Hahaha.

E você que ganha dinheiro com isso…

[Daniel] Você começa a criar os setores, o que doeu muito em mim, que foi muito legal e uma outra virada de chave?

Eu via muito menino com qualidade, com condição, com potencial, acabando de jogar futebol e tendo que começar uma vida nova.

O que é normal, acabou o sub20 ali, se ele não quer ficar pingando nos times pequenos, ou se ele não tem essa chance…

[Raiam] O cara desiste mesmo?

[Daniel] Desiste total, muitos, muitos. Eu tenho ex-jogador meu que hoje é oficial do exército.

Eu tenho jogador hoje – que daí é uma história legal de contar – que é dono de construtora e tá bem pra cacete, e nunca foi um jogador de altíssimo nível, um cara que ganhou muito dinheiro na Holanda, ganhou muito dinheiro na Romênia, mas soube guardar o dinheiro, soube fazer o dinheiro trabalhar pra ele, hoje ele é dono de construtora.

A brincadeira dele é essa.

Dinheiro

[Raiam] Vou te contar uma história, conhece Marshawn Lynch?

[Daniel] Uhum.

[Raiam] Um dos maiores running backs aí da liga, né?

[Daniel] Uhum.

[Raiam] Marshwn Lynch deve ter ganhado seus 100 milhões de dólares, ele fala – e eu até acredito – que ele não gastou 1 centavo dos salários que ele recebia, ele só vivia com o dinheiro que ele recebia de endorsements dos patrocínios.

Eu vi essa notícia em 2014, você sabia que até hoje eu não gastei 1 centavo do dinheiro que eu ganho na Kobe?

[Daniel] Você sabe quem fez isso muito bem?

[Raiam] Eu só gasto o dinheiro que eu ganho com coisas de fora assim, sei lá…o Youtube, que não é o meu foco, tipo…ah! Vendeu um arroba, hoje um arroba meu é 15 mil reais, vendi um arroba? Eu gasto esse dinheiro, mas o dinheiro que vem da minha empresa eu não gasto.

[Daniel] Você sabe quem fez isso muito bem? Que as pessoas vão achar que não, e se um dia eu te botar a falar com ele…

Ronaldinho Gaúcho.

[Raiam] Sério?

[Daniel] Ronaldo gastava o dinheiro do patrocínio, da viagem…

[Raiam] Mas o salários dele ele segurava…

[Daniel] Ele investia, comprava, eles são donos de metade de Porto Alegre pra cá e metade pra lá.

[Raiam] Então o Assis é inteligente mesmo?

[Daniel] Muito, muito, muito, muito, muito, MUITO, muito, muito inteligente, muito.

É um cara fenomenal, cara.

[Raiam] Sério, cara?

[Daniel] Esse negócio vem disso, do cara pensar o seguinte “eu não vou gastar, mas eu vou gastar assim…preciso investir? Vamos fazer uma operação e colocar um jogador ali pra gente ganhar 30 mil euros, 50 mil euros, 10 mil euros, 20 mil euros, isso aqui vai fazer o giro do negócio”…

[Raiam] Gostei.

[Daniel] E o que me deu uma dor? Quando eu vi esses meninos não andando, eu falei “Cara, eu tô na capital, no mundo, no centro do mundo dos negócios de esportes, que é os Estados Unidos e que os caras dão muito valor ao atleta de qualidade…”

[Raiam] AHHHH! Você escoava ele pra cá!

[Daniel] Foi quando eu comecei a trazer aluno atleta pra estudar na universidade aqui.

[Raiam] Qual universidade? Você colocou em alguma top ou não?

[Daniel] Nós temos hoje na FDCU.

[Raiam] Mas nessa época esses caras não iriam pra top, não? Porque não tinha nota.

[Daniel] Não, justamente porque não tinha nota.

Mas o que aconteceu? Você começou a mudar o nível do atleta.

Então hoje todos os atletas são obrigados a formar no segundo grau, como ele é atleta – você que estudou aqui – os atletas de futebol no Brasil tem a mesma facilidade que os atletas de basquete e futebol americano aqui.

Os caras fazem as provas e tal, e são protegidos pelo sistema porque ele precisa jogar.

Então os atletas começaram a melhorar as notas, e o que as universidades aqui viram? Dá pra gente trabalhar o menino pra cá, ele faz um Junior College top, e daí a gente prepara esse menino pra ir pra The One.

Então essa geração agora que tá vindo, que a gente tá trazendo, a gente já tá trazendo…eu tô trazendo visando outra coisa.

[Raiam] Pô, mas aí tem uns problemas de limite de estrangeiro, e os caraca…eu tenho um camarada, o Wallace que é um sócio do Segarra, ele foi o melhor jogador da NCA The One, só que por ele ser espanhol ele não foi draftado.

[Daniel] Cara, são 7 vagas por time.

[Raiam] Então, vai botar um espanhol, é melhor trazer o cara lá de fora. Porra, o espanhol que cresceu na NCAA, é melhor trazer o cara lá de fora.

[Daniel] Depende, cara. Depende.

[Raiam] Sério?

[Daniel] A gente trouxe um brasileiro agora que é filho do Marcos Paulo que jogou no Cruzeiro, o filho dele tava na The Two, foi the Hook Of The Year, foi o melhor jogador da liga, e aí ele foi fazer um período de observação no North Texas – que é o time B do Dallas, que pela liga ele pode ficar 14 dias lá, ele ficou, treinou e tudo -.

E ele recebeu uma oferta pra transferir pra algumas faculdades de The One por ser potencial prospecto de MLS.

[Raiam] Uau!

[Daniel] Então o que os clubes da MLS hoje fazem? Só que esse trabalho vai potencializar muito agora porque os europeus tão vendo isso como um grande business…

[Raiam] É, eu ia te perguntar isso agora, porque você mora nos Estados Unidos?

Porque morar nos Estados Unidos?

[Daniel] Qualidade de vida, cara.

[Raiam] Ah, você tem filho, tem esposa, é verdade.

[Daniel] Sou apaixonado, e eu sempre fui apaixonado com isso aqui, cara.

[Raiam] Segurança, qualidade de vida, lugar pra criar filho, é verdade, você tem razão.

[Daniel] E tem uma história legal, Ana Clara hoje tá com 14 (vai fazer 14 anos, né), quando a gente mudou pra cá ela tinha de 6 pra 7, e aí a gente comprou um carro e eu saindo da concessionária eu abri os quatro vidros.

Aí ela falou “Pai, pai, fecha o vidro”, eu falei “por que?”, “porque é perigoso”.

[Raiam] Ah, pra assaltar.

[Daniel] Porque a gente foi criado no Brasil…

Aí eu falei “Não filha, aqui pode”, ela falou “sério pai? Hoje é o dia mais feliz da minha vida”.

Você imagina…a gente não ter noção…

[Raiam] Viver com medo é foda…

[Daniel] A gente não tem noção de quanto o pouco é muito, porque pra gente é comum.

Quando eu saí de lá eu tinha 22, 23, 24, 25 anos e eu fui conhecer o mundo, pra mim era comum aquilo, pra uma criança de seis anos você vê que na hora que você faz isso e ela vê, dá um estalo “caraca, hoje eu tô muito feliz”.

Então eu comecei a trazer os atletas, mudei um pouquinho isso, acelerei uma empresa disso…

[Raiam] Pô, mas aí não tem grana envolvida.

[Daniel] Tem, hahaha.

A gente cobra assessoria.

[Raiam] Ah, antes de vir.

[Daniel] E aí, vou te dizer que é mais fácil fidelizar o atleta que tá aqui, que se ele virar jogador da MLS ele VAI ser meu atleta, do que eu deixar ele correr pro mundo pra jogar nos times pequenininhos, pra tentar fazer a evolução.

E aí vem um lado que eu tenho isso muito comigo, cara…vem um lado social e humano, cara.

Eu poder oportunizar um moleque de estar aqui, estudar, e se ele não virar jogador de futebol…

[Raiam] Ele já tem aquele diploma e o inglês fluente, no minimo 7 prata no Brasil.

[Daniel] Ele vai voltar pro Brasil, ter um salário digno…

Então assim, eu tirei o cara do sonho, trouxe ele pra um outro patamar de sonho, mas que a gente faz…

Então assim, eu devia isso pro mundo cara…

E aí eu virei sócio de uma empresa disso no Brasil, a gente acelerou a empresa, então essa empresa já cresceu muito, já trouxe mais de 300 alunos atletas.

[Raiam] É o pessoal de 15…16…

[Daniel] Pra você entender, no nosso projeto a gente tem menino de 12, 13, 14, 15…

[Raiam] Aqui?

[Daniel] Não, lá no Brasil treinando pra vir pra cá. E a gente fechou agora com algumas high-school aqui na Flórida pra começar a trazer os meninos no segundo ano de high school.

[Raiam] Ah, é? Pra jogar varsity já…?

[Daniel] Pra jogar varsity e daí já chega com DPI melhor.

Só que aí, sabe o que eu faço nisso? Nada.

Eu faço o contato, eu linko as pontas e os caras fazem o trabalho deles, o Felipinho que é nosso sócio e tal…eles fazem isso.

O Felipinho jogou aqui, o Felipinho foi ao América, teve proposta pra ir pra MLS, não quis pra…ele foi “Raianizar” lá no Havaí, ele fez pós-grade no Havaí e ele falou que escolheu o Havaí pelo seguinte: toda semana tinha gente diferente no Havaí, ele era “dativo” e toda semana ele conhecia gente diferente porque a pessoa ia a passeio.

E aí ele falou “não quero jogar MLS”, ele é um moleque de condição…e é isso.

Pra sanar uma dor, pra dar um retorno pra sociedade, claro que dá um dinheiro, não é nada de mais, uma assessoria custa uns 10/15 mil reais, pra você trazer um moleque numa bolsa da universidade, por exemplo a faculdade do Davi ia custar 45 mil dólares…

[Raiam] Ano?

[Daniel] Ano. Ele vai pagar 8. Será que vale a economia de 37 pau? E paga 15 pela assessoria.

[Raiam] Então você já…é um público diferente. É um filho de um pai que já tem um background, um médico, um ex-jogador…

[Daniel] Sim, um cara que tem uma condição razoável.

E aí a gente fechou com o pessoal de Boston, eles vão pro Brasil todo ano, eles escolhem 5 jogadores e trazem pra fazer high school de graça.

Eles tem um sponsor na escolha que eles pagam pra que? A visão deles já é um pouco mais profissional que a minha nesse sentindo porque os caras pagam e eles tem atletas que já saíram do high school e foram MLS, porque eles fazem essa parte pra virar profissional.

Então assim…era uma dor minha, cara, eu precisava devolver alguma coisa, porque tudo o que eu tenho foi o futebol que me deu, e aí eu senti uma dor porque eu via muito jogador meu virando, mas eu também via muito jogador que eu cuidei…

[Raiam] Que ficaram pelo caminho…

[Daniel] Mas isso é uma coisa que quando eu mudei, virei a chave, eu sofria muito com isso, hoje eu vejo só como um business.

[Raiam] Pra mim é tipo…CNPJ não tem coração.

E outra coisa, você é aquele venture capital que soca 100 mil reais em cada empresa, em 10 empresas e torce pra uma dar certo porque você sabe que essa uma vai pagar o investimento dos outros.

E as outras empresas que vão morrer, tipo…

[Daniel] E aí você alimenta uma outra cadeira do negócio. Por exemplo, a hora em que eu não quero mais trabalhar com o jogador X, tem o cara que tá prospectando ser agente, que aquele jogador X pra ele vai ser o melhor jogador da carteira de cliente dele.

Então, do mesmo jeito que eu criei essa operação de fazer 2,3,4 negócios pequenos fora pra potencializar o negócio e esperar os moleques virarem, tem um cara no Brasil que ele tem acho que 200 jogadores, 150 jogadores, mas a média de salário dos jogadores dele é de de 4,5,6,7,10 mil, e aí ele vai tirando 10% de cada um desses, no final (com 200 jogadores) ele ganha 20,30,40 mil todo mês e pra ele tá bom!

Ele não quer, ele fala “esse é o meu business, essa é a minha empresa, eu vou fazer isso”. E aí pro cara é aquilo ali.

Eu quis plantar as sementinhas, regar, e aí que vem o outro pulo do gato que eu tava contando pra galera aqui, o que eu faço? Anualmente eu renovo os meus contratos com os meus jogadores, então o jogador que tem contrato comigo de três anos, ano que vem eu já faço de mais três, então eu vou ganhando um gap sempre de um ano ali, pra fazer o negócio.

Então quando você faz um negócio, “fiz um negócio, aumentei seu salário, renova o meu contrato comigo aqui”, “fiz um negócio, te levei pra outro clube, renova o contrato comigo”, e aí eu falei “cara, eu preciso começar a criar “currais””.

E aí eu vi que tem uma dor no Brasil que é o seguinte, os clubes menores não tem grana suficiente pra tocar a base.

[Raiam] Foi aquele papo que você me deu daquele time do Rio lá.

[Daniel] Daí tem o Igrejinha que a gente fez, o Betinense a gente fez.

O que eu faço?

Como eu recebo as informações dos jogadores que estão indo embora e a gente criou um Track Record, os jogadores viram que a gente faz negócios com ex-jogadores – porque o Raul foi mandado embora do Cruzeiro, do Atlético, e hoje tá no Corinthians, o João foi mandado embora do Atlético e hoje tá no Corinthians, o Bernardo tá na Suécia e foi mandado embora do Cruzeiro,  –  então como eles viram que a gente faz o negócio, o cara fala “pera aí, vou procurar o Dani”.

Então o cara me procura, ou procura o Breno, o Lucão, o Matheus, procura alguém da minha equipe e fala “cara, eu preciso”.

Falei “cara, a gente tem que botar esses meninos na vitrine, vamo disputar um estadual?”.

Só que é o que eu falo, às vezes…e quando eu vou fechar um contrato com um clube, sabe o que eu falo pro clube?

“Nosso contrato vai durar no máximo dois anos”.

[Raiam] Ahn…

[Daniel] Porque o futebol é tão…tem uma porra duma mosquinha branca, vaidade do caralho, que é tão vaidoso que depois de dois anos você fazendo aquilo pro cara, o cara vai ter certeza de que ele é capaz de fazer aquilo sem você estar junto.

[Raiam] Sozinho! Caraca. Isso acontece no marketing digital também.

[Daniel] Daí o cara sai, não faz mais, porque ele não consegue, mas por que? Porque ele não tem tudo…

[Raiam] Cara, e eu já fui essa pessoa, sabia?

Networking

[Daniel] Ele não tem tudo.

Você você imaginar, ele não tem a ponta, ele não tem o respeito, ele não tem o respaldo, eu ligo pro skalt de algum time e falei “vai lá ver meu projeto, eu pago sua passagem”, ele vai.

Você amanhã entrou no futebol, você vai ligar, o cara vai ir tipo…ele pode até ir, mas ele vai gastar 5,6,7 telefonemas pra saber “quem é o Raiam?”, “ele já vendeu quem?”, “ele conhece o jogador?”, “ele já fez algum negócio?”, “ele já me trouxe algum jogador interessante?”.

Então é networking cara.

E a gente conta histórias que as vezes os meninos ficam rindo, esses meninos que eu mentoro as vezes, que eu brinco que a gente traz pra ser minion e tal, que eu falo “cara, você sabe o que é fita VHS?”, eles falam “Não”, eu falo “então entra na internet”.

Os primeiros jogadores que eu vendi, eu mandei fita VHS.

[Raiam] Eu tinha fita VHS, eu mandava…eu aprendi com 15 anos a comprar uma fita virgem, sincronizar com outro aparelho de VHS, pra copiar fita daqui pra cá, e eu fazia isso umas 50 vezes, mandava uma fita de VHS pra cada universidade pra eles me verem chutando.

[Daniel] Ai! Você viveu.

A gente viveu, eu cheguei a pagar…

[Raiam] Não tinha Windows Movie Maker, nem editor de vídeo.

[Daniel] O que a gente tá fazendo hoje com três câmeras, os caras e tal… não tinha, cara!

Era uma câmera lá, o cara gravava o jogo – principalmente o da base -, gravava com uma câmera só, indo e vindo.

Eu montei uma linha de edição…por isso que eu sempre tenho certeza de que eu sempre pensava muito a frente do tempo, eu montei uma linha de edição dentro do meu escritório.

[Raiam] Você sabia editar então com VHS?!

[Daniel] Não! Eu trouxe um cara que sabia editar! Hahaha. Eu trouxe uma cara da TV, contratei ele, falei “seu objetivo é fazer isso, é fazer vídeo de jogador de futebol, você vai editar, vai fazer” .

Eu importei um vídeo cassete, que era aquele vídeo cassete com duas fitas, que você gravava de uma pra outra, eu importei dos Estados Unidos na época e os moleques não sabem cara…

Eu cheguei a pagar 10-15 pau de FEDEX, de conta de mês que era pra você mandar, tinha que colocar no FEDEX, daí demorava 20 dias.

Eu assinei contrato no FAX, que ninguém sabe o que é isso.

Então assim…são coisas que tem valor. E aí os dirigentes que tão chegando hoje, a grande maioria todos me conhecem.

Então quando eu ligo pro cara, ele pelo menos me atende, “Dani, esse me serve, esse não serve, quero fazer isso, preciso disso”, alguns clubes de categoria de base eu recebo as carências, o clube me manda “preciso de um volante com mais de 1 metro e 80, 02 ou 03, pro meu sub20”, “ah, você quer vir ver ou eu te mando?”

“Arruma tudo que eu vou ai ver 2 jogos, 3 jogos do seu time pra gente fazer”.

Mas isso tudo tem valor. Os caras não entendem.

É você pensar fora da caixa no sentido do seguinte: é mais fácil eu criar um negócio que eu não conheço sozinho, ou eu trazer alguém que conhece do negócio pra agregar e fazer comigo?

[Raiam] É a segunda opção.

[Daniel] Cara, é simples! “Raiam, eu quero fazer um infoproduto”, cara eu não sabia nem como gravava vídeo no negócio.

Aí você vai me falar “eu gosto do João, gosto do Manel, não gosto do Luisinho, não gosto do tal”, mas cara, você conhece do negócio, você sabe o atalho, você corta caminho, e é isso que a gente faz hoje no futebol.

Então, eu brinco que a pandemia me ajudou um pouco foi que eu organizei uma estrutura inteira, tirei muito time de campo…

[Raiam] Remoto.

[Daniel] Remoto. E as pessoas entenderam que dá pra fazer remoto.

Porque eu sofria críticas, os caras falavam “Daniel é…mora em Miami”, mas os caras começaram a entender o seguinte: cara, dá pra fazer.

E vou te falar, as vezes até com mais excelência porque você tem mais tempo pra fazer o negócio, do que você gasta tempo viajando, avião, ponte aérea, não sei o que.

[Raiam] Você deve estar cansado de viajar pra não fazer nada. Tipo, você viajou daqui pra BH e não fechou o negócio, “a toa”.

[Daniel] MUITO! Mas era muito.

[Raiam] Que hoje você pode apertar um botão assim e resolver.

[Daniel] Eu renovei todos os meus jogadores, TODOS, os contratos tão ali no Ipad pro, eu assino, devolvo pro cara, o cara assina ou me manda a assinatura dele – ai é a confiança, ele fotografa a assinatura dele, eu corto e colo – mando pra CBF, renovei o contrato.

Faço uma artezinha, coloco no Instagram, “contrato renovado” e tal.

Então é um negócio completamente diferente de todos os negócios, acho que da galera toda que a gente conversou, mas é um negócio incipiente, um negócio que tem dinheiro constante, é um negócio que nunca vai parar de dar dinheiro…

[Raiam] É verdade, todo ano tem categoria de base demitindo jogador, você pega os melhorzinhos ali…

[Daniel] E aí vamo pensar…muda todo ano o dinheiro de mão, a China arrebentou, comprou jogador pra cacete, aí o cara da China falou “agora quem contratar jogador acima de tantos milhões tem que pagar”, aí a China parou de contratar.

[Raiam] O Japão VOLTOU!

[Daniel] O Japão voltou, ai o mundo árabe voltou, aí o dinheiro sempre muda de mão…

[Raiam] Caraca, verdade…o Japão foi muito forte nos anos 90, tanto que eu olhei a escalação da seleção brasileira, e olímpica, e de copa, e tinha jogador do Japão, eu falei “como é que a CBF olhava pra jogador do Japão sendo que hoje não olha nem pra China, nem pra Rússia e pegava gente do Japão”, nos anos 90 era uma liga…tá voltando, parece.

[Daniel] Voltando e com dinheiro.

Porque os caras voltaram a botar dinheiro, porque é entretenimento, cara.

O futebol é entretenimento, cara.

E vamo lá…nas culturas pobres, é pão e circo, nas culturas ricas é um PUTA negócio, uma puta oportunidade de negócio.

Os clubes ingleses são todos sociedades anônimas, tudo tem dono, tudo tem sócio. MLS, os caras…

(Falha em aúdio)

[Raiam] No Brasil nada tem donos, os caras ficam em dívida, não tem skin in the game.

[Daniel] O cara faz um tanto de cagada, não responde com patrimônio, não responde judicialmente, não responde criminalmente, porque ele não tem responsabilidade! A responsabilidade é de quem? Da associação.

Porque os clubes e empresas às vezes, o cara fala “aqui não dá pra contratar o João, porque o meu orçamento é 2 milhões e 250, eu não tenho dois milhões e meio”.

[Raiam] Vamos dizer assim, quero colocar o Madureira a jogar a primeira divisão do carioca, quanto é que…pra fazer um business desse aí no Madureira, quanto eu vou “bancar” o Madureira no campeonato carioca?

Cê falou “vamo jogar um estadual”, um carioca da vida?

[Daniel] Cara, a cota do Carioca era muito grande, né? Cota do Carioca era 3 milhões pra cada clube, e caiu acho que pra 300 mil agora.

A Globo tirou e o SBT…foi tipo, 10% agora e tal.

Cara, uma folha de pagamento de um clube desse, vamos dizer num clube menor, a folha de pagamento dum clube desse no estadual, você vai disputar o campeonato e não vai fazer feio, você vai fazer o campeonato, vai botar jogador na vitrine, e bem provável você vai vender o jogador.

Todo time quer o que? Jogador bom.

Todos os times de primeira divisão do Brasil (série A ou B), o que eles querem? Eles querem jogador bom e barato.

Onde que a gente vai comprar um jogador barato?

[Raiam] No estadual.

Cara ganha 5 pau no Madureira, vai ganhar 30 feliz.

[Daniel] Matheus Babi, saiu do Serra Macaense. O botafogo tem 40% de vitrine, se não me engano, Serra Macaense tem 60.

Vai ser vendido…vamo brincar, entre 5 e 8 de euros.

Vamo por que vai ser 5 de euros, 5×6 dá 30 milhões, Serra Macaense vai botar 18 milhões pra dentro.

[Raiam] É um time de segunda do carioca…

[Daniel] Segunda do carioca.

Que é um time de um cara visionário, investidor, que o pai trabalhava no petróleo, ele faz negócio, vai ficar um clube-empresa provavelmente.

Então esse negócio é negócio.

A gente conversou do negócio do marketing, eu falei “o melhor lugar é ali no gol, atrás do goleiro, porque a bola tá parada e blablablabla”. Quanto você pagou naquela placa?

[Raiam] Não posso dizer, mas foi barato comparado ao impacto que teve em novos seguidores, e reafirmação dos seguidores antigos que estavam ali assistindo o jogo do Flamengo, tinha “siga Raiam”.

[Daniel] E aí, porque não gastar 1 milhão e meio, em meter um “Siga Raiam” na peita da camisa, com o retorno…não só retorno de mídia, botar o dinheiro pra fazer isso, mas também com retorno de investimento com o jogador.

Vocês gastam um caminhão de dinheiro com tráfego, e cada dia que passa o tráfego tá mais caro…

[Raiam] Esse negócio de botar a placa em futebol e não sei o que, começou…ele é da nossa fraternidade, tá ligado? Então marketing esportivo talvez dê liga.

Eu não fui ousado o suficiente pra olhar pra uma camisa de um time, pra uma manga de time, mas…

[Daniel] Não foi o caralho! Você foi ousado pra caralho, me fez ligar pro cara do marketing do Santos que você queria colocar “Siga Raiam” na final da Libertadores, hahaha.

[Raiam] É verdade, mas eu não executei, eu ia.

[Daniel] Mas não executou porque não tinha espaço, tanto que ele falou “não tem espaço”…

[Raiam] Porque se tivesse ia botar?

[Daniel] Se tivesse a gente ia tentar desenhar. Não sei se a gente ia conseguir colocar “Siga Raiam”, mas a gente falou ou “Siga Raiam” ou “Kiwify”.

Então hoje… o clube de futebol precisa de que? De dinheiro.

Todos os clubes estão quebrados. TODOS. Tirando Redbull que é empresa, tirando o Flamengo que é…

[Raiam] Não, mas até o Flamengo tá quebrado porque o salário…

Vai se recuperar, mas agora tá quebrado…

[Daniel] Vai se recuperar…

Tirando esses clubes, tirando o Atlético Mineiro que hoje quatro (falha no áudios), que os caras botam dinheiro, brincam de fazer dinheiro lá dentro, tirando isso, os clubes precisam de que? De dinheiro!

Tem uma caralhada de clube pra gente fazer o que a gente quiser…

[Raiam] Senhores clubes brasileiros, se vocês tão precisando de dinheiro, fale com o Negão, fale com esse GORDO aqui que pesa menos que eu!

[Daniel] Fala comigo porque eu sou agente disso, tá?

[Raiam] Pô! Hahahahaha.

Cara, só pra terminar aqui, eu queria que você falasse um pouco sobre o futuro do futebol aqui nos Estados Unidos.

A gente tava conversando no carro sobre essa nova geração 2000, 98, dos Estados Unidos, que são os caras muito brabos.

Tem Serginho Dash, Policity, Weston Mckennie na Juventus, Tyler Adams no RedBull, Borussia com o filho do Claudio Reyna…A base vem forte.

[Daniel] Muito, muito.

Eu brinco com uma coisa de americano, que é o seguinte – você estudou aqui e você sabe disso – americano não sabe fazer nada meia-boca.

Quando ele pega pra fazer…

[Raiam] Never bet against America.

[Daniel] Você vai pegar os centros treinamento dos clubes aqui – de base ou de profissional -, vou dar exemplo de um clube que eu conheço muito bem, o Dallas, o centro de treinamento do Dallas tem DEZOITO campos e o estádio.

[Raiam] Mas pra quê tanto campo?

[Daniel] Vamo passear lá um dia, de 6 horas da tarde pra frente?

[Raiam] Tá tudo ocupado?

[Daniel] Tudo ocupado. Tem mais criança do que gente na rua.

[Raiam] Ah, porque tem sub9…

[Daniel] Tem o sub9, sub10, sub11…

[Raiam] Sub11 B;

[Daniel] É melhor base que tem hoje, uma das melhores bases dos Estados Unidos, vendeu agora o lateral direito pro Boa Vista, vendeu um outro lateral direita agora pra Roma, botou (o que vai ser um dos maiores atacantes dos Estados Unidos)…

[Raiam] Então os Estados Unidos tá ficando relevante como se fosse um mercado de venda, sempre foi um mercado de compra de véio pra fazer mídia, mas agora tá virando mercado de venda.

[Daniel] A MLS entendeu que dá pra fazer business no futebol, que ela pode monetizar o ativo, e aí vem…

Que eu falo que eu acho que os Estados Unidos daqui uns cinco anos (no máximo, e daí vale lembrar que a gente vai ter uma copa do mundo aqui também) acho que os Estados Unidos vai ser umas das cinco maiores potencias do futebol do mundo.

[Raiam] Cara, isso foi sacramentado em 2008 – se eu não me engano – no livro Soccernomics de Simon Kuper e fala que os Estados Unidos vai ser uma grande potencia – assim como a Turquia – por causa de demografia, disso, disso, disso e disso.

E ele falou sobre o fato de que o atleta daqui já chega com uma cultura de trabalho diferente (ele não é vagabundo que nem o brasileiro) e ele se alimenta ele, ele tem uma carcaça mais, um físico mais avantajado.

E esse mesmo livro – Soccernomics – diz que os melhores jogadores não são os africanos, aqueles que passaram fome na infância e tiveram muita gana pra crescer, se você parar pra pensar, os melhores jogadores são os africanos que cresceram em países desenvolvidos.

[Daniel] Que foram pra Europa.

[Raiam] Filhos de imigrantes, que tem esse senso de urgência de ficar rico pela família, mas tiveram acesso à saúde, à educação, e à alimentação, e ao treinamento de auto nível desses países desenvolvidos.

[Daniel] Sem dúvida.

[Raiam] Eto é camaronês, só que onde foi feita a base do Eto? No Real Madrid.

O Drogba é da Costa do Marfim, mas ele cresceu em Paris.

[Daniel] Não vai ter nenhum, cara. Todos eles estiveram nas grandes potencias do negócio.

E aí eu te falo, os Estados Unidos…o que ele faz?

Primeiro – o país é continental, é gigantesco.

Então mistura todas as nacionalidades, mistura todo mundo, mistura tudo.

Eles tem uma visão de esporte, que esporte…cara, os Estados Unidos não tem uma liga profissional de vôlei, e os Estados Unidos todas as Olimpíadas briga pela medalha de ouro olimpica!

[Raiam] Verdade, com universitário.

[Daniel] Então eles não entram pra brincar, então hoje eles entenderam que dá pra monetizar o negócio, eles começaram a fazer isso, estão trazendo os jogadores jovens, e aí mudou o que você acabou de falar, eles traziam velhos, hoje eles vão comprar jovens.

Então eles compraram o Brenner agora, 13 milhões de dólares…

[Raiam] Eu falei, não é possível que vão comprar o Brenner que tem mercado na Europa e vão botar na porra do Cincinnati…

[Daniel] E pode anotar, o Brenner vai vir pra cá, vai fazer uns 20/30 gols, daqui dois anos o Brenner vai sair daqui por 20,25 de euros.

[Raiam] Fizeram isso…lembra da final da sul-americana que o Flamengo perdeu no Maracanã…

[Daniel] Trouxeram o menino pro Atlanta.

[Raiam] Pro Atlanta! Ezequiel Barros que tava comendo a bola com 17 anos e foi pra porra do Atlanta jogar com Tata Martino.

Então mudou o patamar.

[Daniel] Mudou totalmente.

Virou a chave, e americano pra fazer business…eu falo isso pra todo mundo, eu não conheço ninguém.

Aqui tem pra mim um negócio que…você pegou essa cultura muito legal, o americano não tem vergonha de falar que ganha dinheiro.

[Raiam] Eu tenho mais a cultura americana do que a brasileira e não tenho vergonha. Galera, eu faturei 8 milhões em janeiro e eu esfrego na cara porque tá lá no meu celular.

[Daniel] Você fala, e daí pro brasileiro que tá vendo isso, ele fala “aquele negão marrento do caralho, arrogante”…

[Raiam] Nos Estados Unidos é assim “PARABÉNS, me ensina a fazer igual a você?“…

[Daniel] “Quanto você faturou? 8 milhões? Fazendo o que? Vendendo curso na internet!? Irmão, vem pra cá”…

[Raiam] Eu andando de ferrari as pessoas perguntam “o que você faz da vida, cara? Me ensina a fazer o que você faz”…

[Daniel] Então esse é o desenho.

E o futebol vai ser isso aqui.

Quando eu vim pra cá eu vim pra aprender sobre MLS, existe futebol e existe MLS, MLS é outro mundo.

É um negócio diferente.

E hoje, você fala com os grandes clubes do mundo, todos os grandes times do mundo tem um chief scout nos Estados Unidos.

[Raiam] E o Segarra tá ganhando dinheiro pra caramba nesse negócio, porque ele tem contato nos times aqui e nos times de lá, então ele traz os skout pra cá.

[Daniel] Mas é isso que tem que fazer foi o que eu falei, esse é o desenho.

É fazer o seguinte, é mostrar pro cara a oportunidade de negócio, e onde você ganha ponto?

Por exemplo, esse lateral do Dallas – o Bryan Reynolds – eu mandei pro cara do Manchester City, eu mandei pro cara do AJAX, pra fazer intermediação, eu não tenho nada com o jogador, o jogador tem o agente dele americano.

Quando saiu a venda dele pra Roma, eu peguei a mesma matéria e mandei pros dois “ó, tá aí”, daí o cara do Manchester falou “Dani, quando tiver mais um assim me avisa que eu vou pros Estados Unidos ver”, por que?

O cara que hoje tá no Manchester no Brasil, é o cara que era da Adidas – diretor da Adidas – que me conhece desde que eu comecei a agenciar. Então quando você manda uma coisa dessas, você tem credibilidade, que é o que o Segarra vende com o Barcelona, com as academys dele.

E aqui é tudo skin in the game, é MUITO muito muito dinheiro.

Uma escolinha de futebol que o cara tem num parque público aqui que ele dá aula pro moleques, cada moleque que você vai chegar lá e vai contar “que nem gadinho” ele paga 200/300/400 dólares todo mês.

400 dólares no mês são 5 mil dólares no ano.

Se você tem 100 moleque jogando a 5 mil dólares todo ano, sua escolinha fatura meio milhão de dólares, cara!

É isso que os caras fazem aqui.

E daquilo ali sai 2 ou 3. Tem uma academy em Weston que mais da metade da base do Miami saiu de lá, por que?

Porque os caras eram campeão de tudo, não tinha futebol profissional aqui, quando os caras de Miami chegaram, falaram “opa! É ali que a gente vai buscar, vem pra”, e o moleque quer ir pra Miami.

É aquele negócio, vamo brincar de jogar o jogo? Vamos, mas traz alguém que conhece do jogo pra dentro pra fazer junto com você.

Da pra entrar? Dá cara, eu entrei no peito, mas eu entrei no peito em 2001, quando o business ainda não era desse tamanho, quando ainda não tinha os players que tem hoje, quando não tinha o tanto de dinheiro que tem hoje.

[Raiam] Hoje o mercado tá muito mais sofisticado…

[Daniel] O acesso a informação hoje é muito fácil, cara. Eu tinha que ver hoje? Eu tinha que ir pra beira do campo.

Hoje eu vejo no transfermarkt e tal, os caras fizeram um tanto de coisa que facilitam a tua informação.

Cara, eu acabo um jogo…acaba o jogo do Curitiba, o meu menino corta todos os lances dos jogadores pra mim, então eu recebo o relatório do Luisinho, Henrique e do Pablo, o relatório inteiro com todos os lances, com quantos minutos ele jogou, pra eu ver e pra mandar pra eles, porque o moleque vai ver “pô, eu fiz isso no jogo”.

Antigamente você pagava a fita de vídeo, tinha que cortar a fita de vídeo, pra gravar de um vídeo pro outro não tinha gravação de velocidade então você tinha que gravar NO MÁXIMO na velocidade dois, então se a fita tinha 90 minutos cê gastava no mínimo 45, e tal…

Então, esse é o desenho, cara. Modernizou.

O futebol dos Estados Unidos via ser uma das cinco maiores ligas do mundo nos próximos cinco anos.

Próximo passo

[Raiam] E assim…qual o próximo passo do Dani?

[Daniel] Meu próximo passo é começar a ter atleta americano, eu tenho conversado com alguns, tô esperando a mudança da MLS Next agora pra ver se eu posso agenciar ou não, por causa da NCAA os moleques não podem ter contato com a gente.

Começar a ter atleta americano e fazer mercado pros clubes americanos que não tem mercado, então por exemplo agora…eu fiz a análise de alguns clubes que tem jogadores que são comercializáveis, porque os clubes não tem esse mercado pra fazer…

[Raiam] Joga os caras pro leste europeu.

[Daniel] Não, não, pode jogar pro…tem dois jogadores que eu vou tentar fazer agora pra Inglaterra, por que? Porque o clube não tem relacionamento…

Cara, o futebol aqui nos Estados Unidos, o cara não precisa pagar conta, Raiam, a conta tá paga.

Ele não tem que fazer que nem no Brasil que ele tem que vender o jogador pra zerar o orçamento pra botar dinheiro pra dentro, pra pagar salário.

Aqui a conta tá paga.

Os donos dos clubes aqui são bilionários.

Então o CEO do clube tá sentado esperando cair uma proposta, ele não sai pra fazer mercado.

Ele não sai pra alimentar a cadeia.

Por que? Porque ele não precisa.

Conta tá paga, o salário tá em dia, não tem problema, não tem sacanagem, não tem nada.

[Raiam] Não corta água do clube.

[Daniel] Não corta água, não corta luz, o cara da refeição do refeitório não cortou a comida, então o cara tá esperando.

[Raiam] Você acha que isso vai acontecer no Brasil, cedo ou tarde? Os times serão comprados por bilionários que profissionalizem esse business?

[Daniel] Cara, eu torço muito pra isso acontecer.

Mas o problema do Brasil é muito grande porque os clubes são “palanques” pra políticos, cara.

Então os clubes são: o meu pai foi presidente, eu quero ser presidente, meu filho vai querer ser presidente, e assim vai. E a visão do cara de empresário, você vê: os caras do Flamengo organizaram o Flamengo, fizeram o Flamengo e tal.

Nego deu porrada por quanto tempo “não, porque não pode, Flamengo não tem que pagar…”, cara, eu já ouvi torcedor falar “tô querendo saber se salário ta em dia? eu quero é troféu!”.

Aí eu vou te contar um outro caso pra você rir, o Ilsinho que jogou no São Paulo – que tá jogando aqui nos Estados Unidos -, Ilsinho tá aqui há 200 anos.

[Raiam] Ilsinho! Que jogou na Ucrânia também.

[Daniel] É. Quando o Tiago Santos veio pro Dallas que é a operação que eu fiz em parceria com o Marcelo, eu fiz a intermediação, o jogador não é meu, o Tiago encontrou com o Ilsinho, e o Ilsinho falou “cara…”, o Tiago falou “Aqui não tem pressão cara, a torcida me cumprimenta na rua mesmo eu perdendo e tal”, falou “Tiago, nós ficamos um ano sem ganhar um jogo e quando nós ganhamos teve festa na cidade”.

É o evento, americano gosta do evento.

[Raiam] Entretenimento.

[Daniel] E aí ele vai começar a torcer? Vai. Ele vai começar a gostar? Vai.

Então eu acho que o próximo passo do Dan é: eu quero ter jogador americano e quero criar esse mercado daqui pra fora.

Como a fraternidade te ajudou

[Raiam] Top. E como a fraternidade te ajudou? Você tá há três anos com a gente, cara.

[Daniel] Três anos. Cara, ali eu fiz grandes amigos, eu sou um cara que é extremamente…

[Raiam] Apesar de você estar longe, porque você fica longe do miolo porque você mora na Flórida e tem pouca gente aqui…tem o Michel Helal, tem pouca gente na Flórida, mas realmente…você tá sempre presente, você fez amigos mesmo.

[Daniel] Tem uma galera legal que eu fiz amizade e eu tenho…é…o Helal, o Vitor, o Pozzato, Desconfiado, a gente fez uma amizade legal com uma galera, e o que me ajuda muito ali? Eu sou pouco participativo porque como o meu negócio é completamente diferente da grande maioria das pessoas as vezes eu fico…

[Raiam] Com vergonha…

[Daniel] É… Eu fico no limbo ali, eu não sei. Tanto que quando alguém me pergunta alguma coisa, como aquele dia que você falou que tinha a dor lá do negócio, eu falei “vou te ligar, vamos conversar” eu fiz isso no meu negócio físico, dá pra fazer? Aí você falou “Pô, eu trouxe um senhor ele vai cuidar”…

Tem as sacadas, dá pra criar, dá pra gente fazer coisa junto, só que eu vou devagar por que? Porque é um mercado que ao mesmo tempo que ele tem vaidade…ele assusta. Porque os valores que todo mundo vê é…quando eu te falei que aquela placa era barata, você achou que eu tava maluco, e aí quando você viu, você pagou barato numa placa, te deu retorno.

Todo.Mundo.No.Futebol.Precisa.De.Dinheiro. PONTO.

Todos os clubes, ponto. Esse é o negócio.

E hoje quem é a galera que tem dinheiro? É a galera do digital, cara. É a galera do digital.

[Raiam] Quem tem grana hoje em dia é no digital.

[Daniel] AH, beleza, os agentes tem muito dinheiro? Tem, mas a galera do digital tem MUITO dinheiro.

Então tem muito negócio pra fazer e eu torço pro futebol brasileiro se profissionalizar, cara.

Cara, quando tem nada melhor do que você ter uma comissão pra receber dia 15…

[Raiam] Quanto deve ser um master de um América Mineiro na primeirona?

[Daniel] Com um telefonema eu descubro, uns 5…

[Raiam] 5 milhão ano?

[Daniel] É, 5…

[Raiam] Botar no meu caderninho de gratidão ai pra um dia…

Botar lá: Kobe, ou Kiwify, Siga Raiam…

[Daniel] E eu acho que a visão que a gente tem que fazer isso é o seguinte…

Nem sempre a gente precisa mirar só lá em cima…

[Raiam] América Mineiro, pô…

[Daniel] Mas a visibilidade hoje no futebol com essa pegada que tem do digital e tudo é muito grande, cara. É muito grande.

[Raiam] Especialmente agora com Vasco, Botafogo e Cruzeiro na série B, e time grande do Nordeste que tá sempre ali…

Bahia descendo…

[Daniel] Então a fraternidade me ajudou no networking, cara…

Só tem galera braba, os brabo que tão lá a mais tempo continuam… Tá todo mundo junto…

E só um adendo pra galera horrorizar: quem me apresentou o Raiam…

[Raiam] Tio Huli?

[Daniel] Não.

[Raiam] SUA ESPOSA!!

[Daniel] Era da época em que as esposas ainda gostavam do Raiam!

[Raiam] Hoje as esposas odeiam o Raiam, ela é leitora do mundo Raiam, vem aqui dar OI na câmera.

Ela não quer aparecer.

Mas realmente, ela era leitora do blog na época em que eu era bonzinho, depois eu virei da pá virada e todas as esposas me odeiam.

[Daniel] Só que ela te recebeu em casa, hahhahahaha.

[Raiam] Fez palha italiana e vai fazer um…tomarock ali pra gente…

Cadê o Michel Helal?

[Daniel] Michel Helal, tamo te esperando.

Sucesso

[Raiam] Quando eu falo a palavra sucesso, primeira pessoa que vem na sua cabeça?

[Daniel] Meu pai.

[Raiam] Por que?

[Daniel] Porque tudo o que eu sou eu devo a ele, porque ele era obstinado pelo que ele quis fazer, eu perdi meu pai em 2005 em um acidente de carro, e pra mim…sucesso é ele, cara.

Foi um cara que tudo o que ele quis ele conquistou.

[Raiam] E ele te apoiou a arriscar.

[Daniel] Ele me apoiou a arriscar.

[Raiam] Quando a sociedade…isso é raro pra um pai, hein. Um pai old school assim é raro…

[Daniel] Então eu até me emociono porque…eu falo pra todo mundo, se eu for 10% do que meu pai foi pra mim pros meus dois filhos…eu tô realizado, cara.

Livro

[Raiam] Livro que você mais recomendou pra alguém, mais deu de presente.

[Daniel] O livro que eu mais dei de presente foi… “O Poder do Subconsciente”.

[Raiam] Joseph Murphy.

[Daniel] Foi o livro que eu mais dei de presente.

[Raiam] Me amarro no Joseph Murphy.

[Daniel] Eu sou um cara que sou muito mais auditivo do que visual, eu gosto de ouvir livro, sempre fui assim e esse foi um dos poucos livros que eu li.

Eu não gosto de ler, eu gosto de escutar, e esse livro eu li, eu li ele inteiro.

E tem um livro pras pessoas que querem saber de futebol que chama…”O Lado Sujo do Futebol”, foi escrito por um cara que saiu da CBF e tal, que é um livro legal, que eu dei de presente também já algumas vezes.

[Raiam] Então incorpora também “Soccernomycs”, esses três aí pra vocês.

Conselho

[Raiam] Conselho que você dá pra um moleque que tá perdido na vida ai? Um moleque assim…que tá ali com seus 18 anos, 20, 25 anos e não se encontrou ainda.

[Daniel] Segue seu coração.

[Raiam] Pô, que clichê.

[Daniel] Não é clichê não, eu vou te dar o porque, cara.

Eu acho que o mais importante de tudo é você não sentir que tá trabalhando.

Eu nunca tô trabalhando, cara.

Eu faço o que gosto, sou apaixonado pelo o que eu faço.

Tem um fonezinho que eu boto na orelha que o povo briga comigo, minha mulher, minha filha, meu filho, porque se deixar eu fico com ele 24 horas no ouvido, trabalhando, fazendo call, ligando, conversando.

E você nunca vai me ouvir falar o seguinte “ah, que saco, hoje tem que trabalhar”.

Cara, eu não trabalho.

Eu trabalho com o que eu gosto.

Então aquilo ali pra mim é prazer, cara.

[Raiam] Eu tô de férias agora…

Eu tô trabalhando.

E eu tô me amarrando.

[Daniel] Então quando eu falo “ah, um puta clichê: siga seu coração”, foi o que eu falei “eu quero isso, eu vou fazer isso e ponto”.

[Raiam] Quando você gosta pra caralho você não trabalha, é parte do seu dia-a-dia. Você não sente…

[Daniel] Você tem até que segurar a onda, se não se fica 24 horas fazendo aquilo.

[Raiam] Que nem agora, eu tive que sair de LA pra mudar o chip só que eu tô em Miami “cara, vou gravar com o Dan”.

[Daniel] Você falou “vamo gravar um podcast”?

[Raiam] Amanhã vou gravar com Segarra, depois com o Michel Helal, eh…vou trabalhar.

[Daniel] Mas pô…é isso.

[Raiam] Dan, obrigado por me receber na tua casa.

Obrigado por estar com a gente desde o início da fraternidade.

E ainda é só o começo.

[Daniel] É só o começo.

Obrigado por tudo também, obrigado pra galera ai.

[Raiam] Faz o teu merchan aí.

[Daniel] Meu instagram é @d2psports, segue lá e quem quiser saber alguma coisa de informação…

[Raiam] Quem tiver dinheiro pra investir, quem quiser patrocinar camisa de time, tráfego holístico, comprar placa, tudo de marketing esportivo é ele, tá?

[Daniel] É só o começo..

[Raiam] Só o começo.

Kobe Blog