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Tomei café com o maior investidor do Brasil Luis Stuhlberger. Saiba porque eu me senti hipócrita…

23/09/2015
Luis Stuhlberger Raiam

Nesse post, conto sobre minha experiência no evento do Wharton Brasil Club com o gestor do Verde Asset Management Luis Stuhlberger e busco traduzir com a linguagem do povão o que eu aprendi na palestra e a visão do Stuhlberger sobre os mercados. 

Pessoas ambiciosas de todos os cantos do mundo se endividam, param de trabalhar por 2 anos e pagam rios de dinheiro para instituições americanas em troca de um pouco de conhecimento e um pedaço de papel com as inscrições “Master of Business Administration”, o famoso MBA.

Para entrar num bom programa de MBA, além de bancar os quase US$150mil dólares pelos 2 anos de instrução, o cara tem que cumprir uma série de requisitos básicos:

  • experiência de trabalho numa grande empresa e/ou histórico de empreendedorismo
  • nível avançado de inglês (medido pelo TOEFL)
  • boa nota no GMAT
  • história de vida com doses de resiliencia e superação
  • saber responder a pergunta: “Por que fazer um MBA aqui vai te ajudar a chegar onde você quer chegar?

Eu era ambicioso desde os 15 anos de idade e não quis esperar os meus 28 para fazer um MBA fora.

Pesquisei que o curso de graduação da Wharton Business School era exatamente o mesmo oferecido no MBA (com os mesmos professores e tudo) e resolvi apostar minhas fichas que iria passar no vestibular de lá.

Não tinha mandado bem no vestibular americano (o SAT) mas já tinha uma história de vida interessante graças ao intercâmbio de high school e ao background humilde da minha família.

Ao contrário do Brasil e dos países europeus, as universidades americanas te vêem muito além da sua nota de ENEM. 

Eles levam em conta suas atividades extra-curriculares, suas notas no ensino médio, sua dissertação (college essay), seus objetivos futuros e até sua etnia.

A prova do vestibular é apenas uma parte do processo seletivo.

Se você passar essa peneira, te chamam para uma entrevista presencial com um ex-aluno.

Imagine VOCÊ trabalhando no Mercado Financeiro!

A média salarial inicial varia em torno de R$ 6.000 a R$ 9.000 por mês para recém formados. Quer aprender como chegar lá? Eu te mostro o caminho das pedras, vem comigo. Insira seus dados abaixo:

Sabia me vender bem e impressionei o executivo que fez minha entrevista pré-admissão.

Mas o mais importante tudo: sempre tive muita fé. 

Acabou que deu tudo certo.

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E os caras ainda me deram bolsa para que minha família não se preocupasse com aquela pica de 50mil dólares por ano.

Tive a benção de me formar na Wharton Business School quando tinha 21 anos em 2011.

Ganhei dinheiro muito cedo, perdi dinheiro muito cedo, ganhei dinheiro de novo e fiz um monte de coisa diferente nesse meio termo.

Do alto dos meus 25 anos, acho que a coisa que mais me orgulho é de ser um cara “rodado”.

Só que cometi um grande erro.

Não me aproveitei da principal vantagem de passar anos no exterior estudando em uma universidade top dessa: a rede de contatos.

O WHARTON BRASIL CLUB

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Sim, as pessoas pagam uma nota para fazer MBA fora para aprender coisas que eles já sabem.

E muitos dos conceitos que elas aprendem na sala de aula de Stanford, Wharton, MIT e Harvard estão disponíveis abertamente pelo YouTube, pelo Udemy e pelo Google Search.

Então qual é a graça?

A graça é o networking!

Você divide a sala com algumas das pessoas mais brilhantes, mais interessantes e mais influentes do mundo inteiro.

E nesse bolo eu incluo os professores, os palestrantes e os próprios alunos!

Antes dos meus 20 anos de idade, tive a oportunidade de conhecer líderes de estados, presidentes de multinacionais, investidores bilionários e autores de alguns dos livros mais influentes do mundo.

Tudo por causa da Wharton School.

Um exemplo?

Troquei idéia com o Rei da Espanha Felipe de Borbón (que na época era príncipe) na uma conferência da faculdade. Contei essa história no capítulo 6 da minha websérie de viagens lá no YouTube.

Sou membro do clube de ex-alunos da Wharton Business School há um bom tempo.

Pago a anuidade, recebo os emails semanais mas nunca consegui ir em nenhum dos eventos de networking que o pessoal organiza.

O motivo é bem simples: 95% dos membros do Wharton Brasil Club estão em São Paulo.

Você adivinhou certo: os eventos são sempre por lá.

Há umas duas semanas atrás, recebi um convite para participar de um café da manhã com um cara chamado Luis Stuhlberger no restaurante Ráscal do Itaim em São Paulo.

Não podia deixar essa oportunidade passar.

Estou em modo low-cost até o lançamento da minha nova empresa.

Viagem de avião para Congonhas a R$1,200 ida e volta? Nem pensar!

Fui para rodoviária, peguei o Expresso Brasileiro e acordei no Terminal Tietê.

COMPETIÇÃO AMIGÁVEL EM WALL STREET

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Quando trabalhava no departamento de equity research no Citigroup de Nova York, ia a eventos corporativos e investor days de empresas em São Paulo, México, Panamá e Nova York.

O Citi competia com os outros grandes bancos como BTG Pactual, Morgan Stanley e Goldman Sachs pela lealdade e pela confiança dos fundos de investimentos mundo afora.

O analista que tiver o melhor insight do mercado e o melhor acesso às empresas, acaba tendo mais respeito dos clientes e, conseqüentemente, ganhando mais dinheiro.

Eu era júnior de um analista chamado Steve Trent.

Muitas vezes, tive que viajar no lugar do Steve e acabei conhecendo quase todos os meus competidores dos outros bancos.

Em um desses eventos, o Citi me mandou para San Diego, Califórnia para o investor day do Grupo Aeroportuário del Pacífico, uma operadora de aeroportos no México.

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Eles haviam escolhido San Diego para mostrar aos investidores e analistas seu mais novo brinquedinho: o aeroporto bi-nacional de Tijuana (bi-nacional porque a pista é do lado mexicano da fronteira e parte do terminal fica do lado de cá, nos Estados Unidos).

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Tá vendo essa ponte? Ela conecta o terminal americano com a pista mexicana

 

Nesse evento, conheci uma com uma competidora chamada Taís Correa.

Taís trabalhava no Goldman Sachs e nós dois éramos os únicos brasileiros entre os mais de 30 analistas e investidores no evento do Grupo Aeroportuário del Pacífico.

Apesar de estar no mesmo nível hierárquico que eu (ambos éramos associates), ela era muito mais sinistra e manjava muito do mercado de aeroportos, companhias aéreas e empresas de infraestrutura.

Na fila para cruzar a fronteira do México de volta para os Estados Unidos, Taís me fez várias perguntas sobre Wharton.

Isso porque ela estava prestes a sair do banco para fazer um MBA fora e estava fazendo a transição de suas principais tarefas como associate para sua estagiária.

Até aí tudo bem.

No fim daquele ano, fui para Jurerê Internacional com meus amigos marroquinos (essa viagem ficou imortalizada no vídeo que trouxe o recorde de acessos ao meu canal do YouTube… aquele mesmo do cara que desceu 1.600 garrafas de champagne).

Os marroquinos tinham umas amigas que eles conheciam lá de Londres e os dois bondes se juntaram na mesa do Taikô.

Tava trocando idéia com uma menina do grupo e a coincidência começou a bater.

– Estudou o quê?
– Economia.
– Eu também. Faz o quê da vida?
– Trabalho no mercado financeiro.
– Eu também. Em que área?
– Equity research.
– Eu também. Cobre o quê?
– Transporte e infraestrutura.
– Caramba, eu também!

As semelhanças pararam por aí: ela trabalhava no Goldman Sachs e eu no Citi.

Sim, milhares e milhares de pessoas no Jurerê Internacional naquele Réveillon e fui conhecer logo minha competidora, a tal estagiária da Taís Correa que acabara de ser efetivada no Goldman Sachs.

Gente boa e inteligente pra caramba igual a ex-chefe dela.

Mantive a amizade com ela por um bom tempo.

QUEM É LUIS STUHLBERGER DA VERDE ASSET MANAGEMENT?

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Naquela época, comecei a ler os relatórios do fundo Verde, recomendado pelo meu mentor lá do Citi Alexandre Garcia.

Todo mês, os caras do Verde Asset Management (na época Credit Suisse Hedging Grifo) soltavam um panorama do que eles esperavam da economia brasileira e mundial e como eles estavam posicionados.

Minha educação universitária foi quase toda centrado no mercado financeiro americano e sabia muito pouco da estrutura da economia brasileira.

Os relatórios mensais do Verde foram um tipo de complemento a minha faculdade.

É impressionante o quanto de coisa nova e importante que aprendi sobre meu próprio país com aqueles pdfs.

E o melhor de tudo: eram todos grátis!

Vou até abrir um parêntese aqui. Se você quer aprender sobre mercado financeiro, recomendo que entre nesse link e leia todos os relatórios mensais do fundo. É interessante catar os relatórios de 2011 e 2012 e comparar a informação apresentada pelo gestor e a realidade atual do Brasil e do mundo.

Parece que os caras tinham bolas de cristal no escritório ao invés de terminais do Bloomberg.

Quem estava por trás daqueles relatórios do Fundo Verde era um cara chamado Luis Stuhlberger.

Pesquisei um pouco sobre o cara e cheguei a conclusão de que ele era um dos maiores gestores de investimentos não só do Brasil mas do mundo inteiro!

Até aquela data, ele tinha batido o índice Bovespa e o CDI por uns 20 anos consecutivos.

Traduzindo para a linguagem do povão, o cara era a versão contemporânea do Rei Midas.

Se um fundo tem boa performance por um, dois anos, pode-se abrir um espaço para a discussão que o cara teve sorte ou que ele surfou um bom mercado.

Mas o Stuhlberger ganhou quando o mercado estava bom e ganhou também quando o mercado estava ruim.

Com isso, ele bateu de 99% dos gestores mundo afora.

Sim, temos um brasileiro no top-1% do mundo em alguma coisa… e ele não joga futebol e nem é modelo de passarela!

Nada de sorte!

O cara acertou os calls porque ele estuda pra caramba!

Empresas, juros, países, moedas estrangeira, derivativos… sabe aquela lei das 10mil horas do Malcom Gladwell no livro Outliers?

Esse cara aí com certeza passou 10mil horas lendo, estudando, analisando os mercados e, acima de tudo, conversando com as pessoas que formam o tal mercado!

Não tem segredo.

Se o cara é tão foda assim, por que quase ninguém fora do mercado financeiro já ouviu falar dele?

Porque será que a Cristiane Correa não fez uma biografia dele como foi o caso de Jorge Paulo Lemann, Abílio Diniz e agora do Professor Falconi?

Para você ter uma idéia, nem página na Wikipédia tem sobre ele.

A resposta tem duas palavras: LOW. PROFILE!

Uma coisa que eu fiquei impressionado nesse café da manhã é a humildade dele.

Falando em humildade, lembra que eu falei da estagiária gente boa do Goldman Sachs? Aquela que eu conheci no Jurerê?

Só 1 ano depois de conhecê-la, fui conectar os pontinhos e descobrir que ela era filha do homem.

MAS E A PALESTRA, RAIAM?

Fiz questão de trazer meus dois “afilhados” da Fraternidade Alpha Felipe Monteiro e Felipe Pereira para o café da manhã.

Ambos têm 19 anos, são muito mais apaixonados pelo mercado financeiro do que eu e estão envolvidos no lançamento de uma startup de fintech (financial technology).

Só que nenhum dos dois estudou em Wharton e, em teoria, não podiam estar ali.

Eu sabia que eles se beneficiariam muito de estar no meio de tanta gente importante e inteligente então dei o meu jeito.

Eles pagaram a inscrição e conseguiram entrar no evento.

Como era de se esperar, a palestra teve um tom pessimista e foi altamente focada em questões de política.

Vou separar o que eu aprendi por tópicos e lembrar a vocês que as estatísticas foram tiradas direto da apresentação do Verde Asset Management. 

 


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1) TIVE UMA IDÉIA! VAMOS CRIAR NOVOS MUNICÍPIOS!

Uma das principais heranças do governo Lula foi a explosão no número de municípios.

O Stuhlberger mostrou um gráfico da evolução do gasto federal e estadual desde 1990 como uma porcentagem do PIB.

Por incrível que pareça, os dois se mantiveram estáveis.

Agora segura essa estatística da apresentação: de 2002 para cá, passamos de 4.000 para 5.500 municípios na União.

Cada um desses 1.500 novos municípios vem com uma prefeitura, uma câmara de vereadores e uma penca de cargos públicos.

Não preciso falar mais nada, né?



2) BRASIL, O REI DO PDP

Um dos termos mais usados na apresentação do Luis Stuhlberber foi o PDP.

PDP nada mais é que Pagamentos Diretos a Pessoas.

No pré-Lula, o PDP representava 7% do PIB.

Hoje, esse número está em 14%.

Vou traduzir: no Brasil de hoje em dia, 90 milhões de pessoas são beneficiadas por pagamentos diretos do governo.

PQP!

Quando o Stuhlberger apresentou esse dado, eu imediatamente pensei:

“Culpa dos eleitores da Dilma que recebem o Bolsa Família”!

Só que o buraco é mais embaixo. Muito mais embaixo!

O bolsa família representa uma porcentagem pouco relevante desse bolo enorme do PDP.

O problema não é a Dilma. Tadinha!

O problema grande é o funcionarismo público.

E dentro disso, tem uma parada mais séria ainda chamada benefícios.

Com os PDPs, o governo cria demanda artificial e também cria uma oferta artificial.

Resultado? Inflação crônica!

Mesmo se exterminarmos todo e qualquer tipo de corrupção daqui pra frente e botarmos todos os ladrões de Brasília na cadeia, os funcionários públicos e os benefícios continuarão sugando do governo.

Nosso governo é enorme, ineficiente e não é à toa que pagamos uma taxa de juros de 15% enquanto países do nosso naipe não pagam mais do que 5%.

Pode escolher a métrica: PIB per Capita, rating da S&P , classificação de emergente, etc…

A verdade é que só países extremamente fudidos como Venezuela e Ucrânia pagam um juro tão alto ao investidor de renda fixa.

A situação não piora mas do jeito que está já é um estado quase que terminal para a galera da nossa geração.

Como melhorar a situação?



3) SÓ MUDANDO A CONSTITUIÇÃO

Já que sai mais dinheiro do que entra, sabe como a gente pode corrigir o tamanho descomunal do governo?

Mandando embora 80% dos funcionários públicos concursados!

Sim, aqueles com salários altíssimos e produtividade zero.

Se você parar para pensar, o que um funcionário público faz para sociedade?

Transfere riqueza… mas não constrói nada.

Com a grana que se economizaria com salários e benefícios, sobraria um tanto para investir em estradas, transporte público eficiente, melhores hospitais, etc.

E ainda sobraria a grana do pagamento a investidores gringos porque, com um governo menor e mais eficiente, a inflação baixaria e não teríamos que pagar 15% de juros nas letras do tesouro.

Mas como é que um partido pode se eleger sem o apoio dos funcionários públicos e dos outros que recebem PDP?

Sim, é inconstitucional demitir ou cortar o salário de um funcionário público.

E você acha que vai ter deputado em Brasília votando para criar uma nova constituição que acabe com os empregos da base de eleitores deles?

Sim, estamos em um ciclo vicioso.

Aí o cara nascido nos anos 1950 e 1960 diz: pra quê mudar se quem vai pagar esse pato não serei eu?

Deixa essa pica para os filhos e os netos, né campeão?



4) O FATOR HIPOCRISIA

Tem uma expressão na língua inglesa chamada NIMBY: Not In My Back Yard.

Seria a versão gringa de “pimenta no c* dos outros é refresco”. 

Estou criticando a estrutura ineficiente do país, o governo enorme e os funcionários públicos mas acabo sendo um produto do sistema.

Hipócrita como todo brasileiro.

Isso porque meu pai é burocrata da Agência Nacional de Aviação Civil.

Tradução: funcionário público.

E, apesar de não ser bancado por ele já há algum tempo, eu entro para as estatísticas dos 90milhões que recebem PDPs.

Sabe aquela figura do pai herói? Pai-exemplo? Pai ídolo?

É natural e automático que aquela figura desapareça gradativamente, a medida que vamos ficando mais velhos.

O turning point para mim foi aos 21 anos.

Foi aí que meu herói trocou seu emprego de comandante de Boeing 737, carregando aquelas máquinas voadoras de 60 milhões de dólares pelos céus desse mundão e sendo responsável pela vida e pela segurança de milhares e milhares de pessoas, por um emprego no escritório de um órgão público.

Don’t get me wrong, o amor de filho para pai não deixou de existir.

Mas vem aquela pontinha de decepção porque eu sou fruto desse sistema que tanto condeno.



5) DÓLAR A R$4? TÁ BARATO AINDA, VAMOS PRA ORLANDO LOGO!

Um gráfico que me chamou muito a atenção foi um que mostrava a relação dívida pública/PIB para 2020.

De acordo com as análises do Stuhlberger, para o negócio se manter do jeito que está (e não piorar), precisamos de:

– superávit primário de -1%
– SELIC a 12%
– Dólar a R$7,30!

Você leu certo! Sete reais e trinta centavos.

Uma coisa eu posso prever se o dólar chegar a esse patamar: não existirá mais TAM e GOL!

Primeiro porque ninguém mais vai viajar para o exterior e segundo porque a conta do querosene de aviação (que é em dólar e corresponde a 45% do custo de uma companhia aérea) não vai fechar.

Falando em dólar, o Stuhlberger citou o péssimo papel de trader do Banco Central Brasileiro em 2014.

Com o dólar claramente desvalorizado a R$1.80, o BC vendeu 120M de swaps cambiais.

O Stuhlberger foi lá e se encheu de dólar.

Ele até brincou que depois de ajudar o povão com o Bolsa Família e com o Bolsa Pesca, o governo decidiu dar um presentão para a classe investidora em 2014 com essa Bolsa Dólar. 

Se você sabe que 1,80 é uma cotação artificial e o câmbio tende a corrigir para cima (lá pros R$3-5), por que sair vendendo a R$1,80?

Quem compra na alta pra vender na baixa é o quê? No mínimo burro.

Só que, mais uma vez, o buraco é mais embaixo.

Os funcionários públicos concursados que fazem os estudos econômicos do Banco Central queriam segurar o câmbio e garantir a eleição da dona Dilma! 

O pensamento era o seguinte: “quando ela for reeleita, a gente relaxa e deixa as forças do mercado agirem”.

E elas agiram!



6) 7×1 FOI POUCO.. MAS 15 x 0 TÁ BOM

Sabe qual é o melhor investimento do mundo, de acordo com o Stuhlberger?

É pegar dinheiro a 0% de juros no mundo desenvolvido e investi-lo com 15% de juros em títulos do governo brasileiro.

O risco ainda é baixo. Você só vai perder seu dinheiro se o governo realmente quebrar.

Enquanto nós não virarmos a Venezuela, vai ter gringo botando dinheiro aqui.

E sabe porque não vamos virar a Venezuela?

Por causa de nossos amigos que escutam Luan Santana, andam de chapéu de couro e tomam whisky importado lá em Cuiabá, Goiânia e Rondonópolis.

Sim, é o Brasil que produz a comida do mundo e nossa fronteira agrícola vai nos salvar em época de dólar apreciado.

Ou você não sabia que a carne, o milho e a soja que o Brasil exporta são todas cotadas em dólar?

Por essas e outras, o Stuhlberger acredita que o investimento mais barato do mercado são as NTN-Bs longas (pagando 7,5% ao ano acima da inflação e sem risco).

De acordo com ele, as NTN-Bs de longo prazo (bota aí… vencimento em 2050) estão bem baratas porque ninguém tem coragem de comprá-las por causa da volatilidade do mark-to-market no curto prazo.

 



7) A COPA DO MUNDO DOS IMPOSTOS

No meio da palestra, a conversa passou dos gastos públicos para a receita pública (impostos).

A receita tributária do Brasil corresponde a 37% do PIB.

Sim, de maneira relativa, pagamos bem menos impostos que nossos amigos europeus (47%).

Mas aí estaríamos comparando maçãs com laranjas. Os caras têm educação pública de qualidade e um sistema de transporte público brabão.

Em termos de PIB per capita e composição da economia, o Brasil é muito mais parecido com um Tigre Asiático do que com um welfare state da União Européia.

Sabe qual é a receita tributária/PIB da média dos Tigres Asiáticos? 23%.

Sim, pagamos 14 pontos percentuais a mais de impostos que nossos pares.

E a grande proporção do que a gente paga vem do que o Stuhlberger chama de impostos de má qualidade.

São eles: PIS, COFINS, IPI, IRPJ, CSLL e outras letras que servem para tirar a competitividade das empresas brasileiras e bancar o salário dos servidores públicos.

Para provar esse ponto, ele citou um estudo do economista Carlos Antonio Rocca do CEMEC/IBMec.

Rocca e seu time de researchers universitários pegaram o balanço de 721 empresas brasileiras e calcularam o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) dessas empresas ao longo do tempo.

E se eu te disser que esse número foi de 18% em 2005 para apenas 4,3% em 2014?

O Stuhlberger até brincou que daqui a alguns anos só sobreviverão 4 empresas no índice BOVESPA: Itaú, Bradesco, Ambev e Brasil Foods.  Se continuarmos nossa deterioração, as outras empresas vão ficar minúsculas.

Será que vale a pena abrir empresa, empreender e trabalhar na iniciativa privada no Brasil?

Acho que é por isso que o sonho de algumas das pessoas mais brilhantes que eu conheço aqui no Brasil é passar na porra de um concurso público.


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8) PÕE ESSA GRANA NA EDUCAÇÃO

A gente sempre fala que a saída do Brasil é investir na educação.

Só que, comparado a outros países, a gente já investe uma alta porcentagem do PIB em educação.

Só que tem uma diferença gritante que condena o sistema educacional brasileiro.

No mundo, a cada dólar gasto em um professor, tem 0,50 gastos em um não-professor.

No Brasil, a cada dólar gasto em um professor, tem 1,50 gastos em um não-professor.

Viu a inconsistência?

A grana que a gente coloca em educação vai para os concursados não-professores e o salário da nossa classe de professores continua mais baixo do que das empregadas domésticas e dos pedreiros.



9) O HOMEM NO ESPELHO

Tem uma música do Michael Jackson que eu gosto muito e que tem uma passagem muito tocante:

“I’m starting with the man in the mirror (…)

(…) If you want to make the world a better place, take a look at yourself and then make that change”

Quando tinha 16 anos e fazia intercâmbio na Califórnia, vi como as coisas funcionavam muito bem com pouquíssima participação do governo.

Quem mandava eram duas deusas: a Deusa da Oferta e a Deusa da Demanda.

Nessa época, decidi que faria de tudo para NUNCA DEPENDER DO GOVERNO.

Saúde pública, escola pública, hospital público, faculdade pública, emprego público, aposentadoria pública… o plano era ajustar a minha vida para que eu não precisasse de nenhum desses.

Consegui, em partes né?!

Fiz faculdade no exterior.

Primeiro: para ter uma educação de mais competitividade no mercado de trabalho.

Segundo: para não ficar parado por causa das constantes greves.

Para você ter uma idéia, volta e meia eu abro o Facebook e vejo fotos de formaturas da galera que se formou comigo no Santo Agostinho.

Eu me formei em 2011. Isso me coloca com 4 anos a mais de experiência de trabalho do que o pessoal que estudou comigo a vida inteira.

Eu sou foda pra caramba? Não.

Eles são preguiçosos? Também não.

A culpa não é deles.

Eles estudaram pra caramba para passar no vestibular de engenharia, direito e medicina da UFRJ, UERJ e afins.

Só que eles tiveram que perder períodos e períodos por causa de greve de professores, greve de técnicos e… greve de alunos nas faculdades públicas do Brasil.



10) CONSELHOS DO STUHLBERGER

Toda vez que conheço uma pessoa influente, lanço a mesma pergunta de impacto e deixo a mágica acontecer:

“Qual é o maior conselho que você pode dar a um jovem que nasceu nos anos 1990 e ainda está meio perdido na vida?”

Foi assim com André Esteves, Erling Lorentzen, Folorunsho Alakija, Will Landers, Jon Huntsman, Juninho Pernambucano, Joaquim Barbosa, Mano Brown, Oskar Metsavaht, João Ricardo Mendes e com todo grande executivo que encontro pelo caminho.

E não foi diferente com o Luis Stuhlberger.

Na sessão de perguntas e respostas, enquanto os outros participantes só faziam perguntas repetitivas sobre política e investimentos, eu resolvi ser o patinho feio e ousar na pergunta.

Vou te falar que peguei ele meio desprevenido porque ele claramente não estava acostumado a perguntas fáceis-mas-desafiadoras como essa.

Mas ele mandou bem nas respostas.

10.1) ESTÁGIO NÃO!

Stuhlberger usou o modelo da Wharton School como exemplo a ser seguido.

Para aqueles que não sabem, não existe estágio no meio do semestre letivo nos EUA.

Ele é fã do formato de summer jobs dos Estados Unidos e acredita que universitários brasileiros não devem fazer estágio.

O universitário tem que gastar seu tempo lendo, estudando e não dentro de um escritório fazendo tarefas fúteis de back-office. 

Para ele, o estudante faz estágio por causa do efeito manada: se a maioria das pessoas também faz, eu vou fazer também.

E segundo porque a faculdade não ensina direito e, com o pouco que ele aprende no estágio, ele acaba ficando no lucro.

Para ele, as aulas da faculdade têm que ser em formato Q&A.

O papel do professor tem que ser um mediador de discussões e fazer cold calls para desafiar estudantes sobre as leituras que foram passadas como dever de casa.

10.2) ESTUDE NO EXTERIOR

Para ele, o jovem brasileiro precisa ter uma noção melhor de mundo.

Para isso, nada melhor do que passar um tempo fora, conhecer gente nova e entender o que se passa na cabeça do jovem de outros países.

Já bato nessa tecla em todas as minhas palestras e em quase todo post nesse blog.

Lembra daquele post que eu provei que o dólar a R$4 é a oportunidade perfeita para conseguir bolsa lá fora?

O quê você está fazendo aí ainda? Vai pesquisar uma bolsa de intercâmbio no exterior, rapá!

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10.3) APRENDA MUITO…SOBRE TUDO

Fiz um follow-up perguntando qual foi o maior erro que ele cometeu quando era jovem.

Ele disse que, quando começou a ganhar dinheiro com trading de ouro com 20 e poucos anos, só se dedicou àquilo.

Seu maior erro foi ter tido a mente fechada para novas idéias e ter dedicado quase uma década da sua vida apenas ao mercado de ouro, sem ter a curiosidade de aprender mais.

 


 

Quer um conselho do Raiam? Pára de reclamar do governo e tenta não depender dele.

Se eu motivar um jovem brasileiro a lutar para não estar entre os 90 milhões que recebem PDPs, minha missão já está cumprida!

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