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Sudeste Asiático: o lugar onde o brasileiro se sente rico

01/04/2017

Hoje é dia de voltar a um velho hábito que eu tinha nos primórdios desse site: trazer gente acima da média para fazer guest-post.

O convidado da vez é um velho conhecido da galera que me acompanha: Rafael Coelho.

Em julho de 2016, um cara aleatório me mandou um email contando que estudou na universidade do Rei Abdullah no meio do deserto da Arábia Saudita.

Eu me amarro em histórias de brasileiros em lugares “questionáveis” e pedi para ele escrever um guest-post.

Alguns dias depois, ele me manda o artigo Intercâmbio na Arábia Saudita? Petrodólares, burkhas e um diploma de presente.

O negócio viralizou de uma tal maneira que minha cabeça de escritor-capitalista pensou assim:

“Mano, vamo expandir isso aí e transformar essa história em livro”.

O cara topou, a gente escreveu o livro juntos e o livro Arábia: A Incrível História De Um Brasileiro No Oriente Médio foi best-seller no Amazon logo na primeira semana.

O negócio mais sensacional desse projeto é que ele continua sendo um dos campeões de reviews do Amazon.

São 131 reviews, sendo que 85% deles é de 5 estrelas.

Para você ter uma base melhor de comparação: em apenas 1 mês, o ARÁBIA recebeu quase o mesmo número de reviews do WALL STREET em 1 ano inteiro! Olha a prova do crime aí:

Bom, chega de cerimônia! Essa introdução toda foi pra dizer que o ARÁBIA é bom pra caramba e agregou valor para muita gente. Mas não compra agora não… continua lendo esse post até o final.

Um dia desses, eu estava no Rio e chamei o Rafa para jogar um futevôlei maroto na Praia da Barra.

Ele disse que estava a caminho do aeroporto.

Destino? Ásia.

Antes de perguntar o lugar, a razão e o dia que ele voltaria, já fui direto ao ponto:

ESCREVE UM GUEST POST À LA CLASSE ECONÔMICA QUANDO VOCÊ VOLTAR

O negócio foi bem calculado. Afinal, meu próximo projeto pessoal é o volume #2 da série Classe Econômica.

O primeiro livro foi sobre os antigos países comunistas da Península Balcânica.

Esse próximo será sobre as “economias do futuro” do Sudeste Asiático.

Rafael acabou de voltar de lá e, menos de 24 horas de aterrissar no Galeão, meu inbox já pipocou com o guest-post dele.

Divirtam-se:

 



SUDESTE ASIÁTICO: O LUGAR ONDE BRASILEIRO SE SENTE RICO

Por Rafael Coelho

Quem já leu o ARÁBIA: A Incrível História de Brasileiro no Oriente Médio percebeu o meu vício com viagens.

Para quem ainda não leu, fica a dica: http://mundoraiam.com/livro-arabia/

A coprodução com o Raiam conta a minha história de como larguei tudo e fui parar na primeira turma de uma universidade em um dos países mais conservadores do mundo, a Arábia Saudita.

Eu tinha a meta de conhecer 50 países antes dos 30 anos.

Quando a atingi aos 29, me lembrei das sábias palavras da nossa querida “presidenta”:

Agora quero chegar na marca dos 100… faltam 30 ainda!!

Como os destinos mais próximos estão se esgotando, nas minhas últimas férias parti para mais longe!

Como o local que visitei coincidiu justamente com o tema do próximo livro do Raiam, Classe Econômica: Sudeste Asiático, fui convidado a compartilhar meu roteiro com vocês.

O meu estilo de viagem parece um pouco com o do dono deste blog.

Perco muito tempo planejando a melhor logística de locomoção, mas quase nada traçando um roteiro turístico.

Gosto de chegar, dar um rolé na cidade e sentir a vibe do local. Sem me preocupar em riscar todos os pontos turísticos no mapa!

Adoro também conversar com as pessoas locais para entender melhor os aspectos culturais e econômicos do país.

Vale ressaltar que decidi buscar essa marca, sem precisar “largar tudo e dar uma volta ao mundo”, como normalmente se vê na internet.

Continuo trabalhando em escritório e fico limitado apenas as minhas férias.

Desta forma, todos meus roteiros precisam ser bem intensos e otimizados.

Às vezes, pode parecer pouco, mas te garanto que em 48 horas em um país, você vai aprender muito mais do que dias e dias lendo ou assistindo a documentários.

Como não é o estilo do blog, não vou fazer um post sobre dicas de viagem.

Vou focar mais em aspectos históricos, econômicos e culturais dos países.

Se tiver alguma dúvida especifica, me manda um e-mail no rafael.coelho.arabia@gmail.com.

Ou se quiser saber mais a fundo sobre o sudeste asiático, compra o Classe Econômica: Sudeste Asiático. Solta esse livro logo, Raiam preguiçoso!

 


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Hong Kong… não é China

Saí na sexta-feira às 22:00, após o trabalho e cheguei ao meu primeiro destino às 11 da manhã de domingo!

Cadê o sábado?

Tem o fuso horário, mas já deu para notar que demorou para caralho.

Se quiser ir para a Ásia, não tem jeito, amigo, se prepara para no mínimo umas 24 horas voando.

Para a viagem não ficar tão cansativa, o ideal é fazer um pit-stop de um dia na conexão, normalmente na Europa ou em Dubai.

Mas como meu tempo é curto, encarei 28 horas de viagem direto com uma escala rápida em Amsterdam.

Meu primeiro destino foi Hong Kong, que apesar de perto, tecnicamente, não está no Sudeste Asiático.

Antes de ir também gerou uma dúvida importante:

Quando eu for para China, vou poder contar como mais um país?

Você provavelmente já leu em algum lugar que Hong Kong faz parte da China.

No entanto, nessa passagem tive certeza que posso computar como dois lugares diferentes.

Juro que não é para ajudar na contagem!

Não quero dar uma de Tulio Maravilha, que anotou gols em pelada de fim de ano, para chegar na sua marca de 1000 gols.

Continua lendo que você vai entender…

Quando a China perdeu a Guerra do Ópio em 1842, o território de Hong Kong foi tomado pela Inglaterra.

Hong Kong permaneceu como colônia inglesa até 1997 quando, pacificamente, virou uma região administrativa especial da China.

Contudo, para sair o acordo, a China foi obrigada a aceitar o termo de “um país, dois sistemas”.

Desta forma, Hong Kong pode ter seu próprio sistema financeiro e judiciário, ou seja, não precisa seguir o comunismo chinês!

A China só é responsável pela defesa militar do local.

São muitas diferenças específicas, como por exemplo, Hong Kong tem passaporte e moeda própria e a direção ainda é na mão inglesa.

No entanto, o que fez a cidade ser uma das principais capitais financeiras do mundo é que ela é muito mais “Business Friendly”.

Os impostos, taxas de importação e burocracia são bem menores que na China.

E o principal: as empresas se sentem muito mais seguras em Hong Kong do que no comunismo chinês, onde o governo pode intervir a qualquer momento.

A internet também não é bloqueada e a população tem a mesma liberdade de um americano ou inglês.

Durante a passagem pela Arábia, conheci muitos alunos dos dois “países”. E percebia que quem era de Hong Kong, fazia questão de dizer que não era chinês.

Dava para notar a diferença.

Eles eram bem mais educados e falavam melhor inglês.

Outro ponto interessante é que, por terem nascido antes de 1997, esse pessoal tinha o passaporte britânico também.

Achava engraçado o fato deles terem dois nomes.

O primeiro era seu nome chinês de batismo. E o outro era um nome internacional, como “Jessica” ou “John”, que eles mesmo escolhiam quando chegavam na adolescência.

O tópico China-Hong Kong é um assunto bem delicado entre eles.

Os chineses veem Hong Kong como parte da China e acusam o pessoal de lá de se achar superior e renegar a origem de seus ancestrais.

De fato, tem um pouco de verdade!

Os honcongueses se sentem mesmo mais evoluídos que os chineses.

A principal diferença que eles fazem questão de ressaltar é que eles são muito mais limpos e higiênicos que seus vizinhos.

Passeando por lá, realmente dá para notar que a cidade é bem limpa e organizada!

Talvez o motivo histórico dessa diferença possa ser que a China ainda vem de uma sociedade rural recente. Um fazendeiro vai ter menos “frescura” de higiene do que um banqueiro, né!

Gostei muito de passar por Hong Kong mesmo não considerando um destino que valha a pena sair do Brasil especificamente para lá.

Considero o mesmo caso de Cingapura.

Como é um ponto com conexões diretas para toda a Ásia, vale um pit-stop de 2 dias.

A cidade junta pouco de uma tradição chinesa com uma cidade cosmopolita como Nova York!

Hong Kong é bem moderna e se veem vários arranha-céus espalhados na cidade. À noite, fica bem legal a vista dos prédios iluminados.

Mas se quiser algo mais tradicional, pode ir ao “Big Buda” por exemplo.

Fica um pouco mais afastado do centro, e é uma estátua gigante do Buda, como se fosse o “Cristo Redentor” chinês.

 

 



Filipinas: sem cultura

Tem um ponto em que divirjo do Raiam sobre viagens: gosto muito de belezas naturais e de praias também!

Destinos como Nova Zelândia, Croácia, Bora Bora e Zanzibar estavam como os lugares mais bonitos que já passei.

E agora mais um lugar entrou para a lista, as Filipinas!

Conheci vários filipinos na Arábia, alguns alunos e muitos trabalhadores.

Como conto no livro, os filipinos estão para Arábia assim como os mexicanos estão para os Estados Unidos.

São eles os responsáveis por boa parte dos subempregos em terras sauditas.

Eles estão trabalhando também na maioria dos países mais ricos do Oriente Médio e na Oceania. Duas características que os diferenciam dos outros habitantes de países mais pobres do Ásia:

1) Eles falam relativamente bem inglês, já que é ensinado nas escolas públicas desde cedo.

2) São bem-educados e trabalhadores.

Na verdade, os filipinos às vezes exageram na educação.

Uma característica dos filipinos é sempre colocar “Sir” e “Ma’am” no final de toda frase.

Chega a ser um pouco irritante toda hora ouvir um: “Yes, Sir”, “Thank you, Sir”, “Good Morning, Sir”, “Bye,Sir”…

A gente até brincava com isso na Arábia, mas achava que era mais o pessoal que trabalhava em sub-emprego que tinha essa postura.

Até pousar em Manila!

Chegando lá, fiquei com a impressão que o “CCAA” filipino deve ensinar desde cedo essa postura submissa.

Até os policiais e agentes de imigração que normalmente apresentam um ar de superioridade exageravam no “Sir”!

Sempre perguntava para meus amigos uma indicação de aonde ir nas Filipinas.

A sugestão era quase unânime: Uma “party Island” chamada Boracay.

Vendo as fotos na internet, parecia bonito o local, mar cristalino e areia branca. No entanto, nada muito diferente do Caribe para valer a pena o deslocamento e o transtorno de chegar até o outro lado do mundo.

De vez em quando, busco inspiração de destinos, colocando no Google algo como “10 praias mais bonitas” ou “The 100 Most Beautiful Places in the World”.

E em uma dessas pesquisas aleatórias, cheguei a “El Nido”.

Além das belas imagens, me animou o fato de ainda não ser um local tão conhecido e cheio de turista como Boracay.

Cheguei a perguntar para alguns alunos filipinos, esses tinham grana e condição de viajar, e até eles, apesar de terem ouvido falar, nunca haviam ido para lá.

El Nido fica ao norte de uma ilha chamada Palawan.

Anteriormente, para se chegar, era preciso pegar um voo de Manila para a cidade de Puerto Princesa no sul da ilha e, depois, encarar mais 6 horas de carro.

Há uns 2 anos, no entanto, foi inaugurado um aeroporto em El Nido, e uma companhia pequena local faz um voo direto de 45 minutos de Manila.

Imagino que essa facilidade de acesso vai fazer o destino ficar mais conhecido nos próximos anos.

Então, é melhor aproveitar logo! Definitivamente El Nido foi o lugar mais bonito que já fui!!

A cidade não tem nada de mais, mas tem uma infraestrutura razoável. O que valeu a viagem foram os sensacionais passeios de barco!

Você navega apenas uns 15 minutos e chega perto de uma pedra que você não dá nada por ela…

De repente, o barco entra por uma passagem escondida e você se depara com um cenário que nem essas fotos aqui abaixo conseguem refletir tamanha beleza.

Os barcos sempre levam um cozinheiro também. O cara vai fazendo peixe, lagosta e camarões na brasa. Aí, no meio do dia, se para em uma ilha deserta para almoçar.

O preço?? Somente 20 dólares!

Essa é uma característica do sudeste asiático, um dos poucos lugares do mundo em que mesmo nós brasileiros, ganhando em real, nos sentimos ricos!

É tudo muito barato!!

O lugar é apenas para quem gosta de cenários deslumbrantes e praias paradisíacas, pois culturalmente as Filipinas não agregam nada!

Diferente de seus vizinhos asiáticos, eles não carregaram um traço cultural próprio.

Nem mesmo na culinária!

É difícil encontrar pratos filipinos nos restaurantes.

Uma explicação pode ser que eles foram colonizados por muitos países, o que fez com que fosse perdida a identidade própria do país ao longo do tempo.

Meus amigos filipinos ficam putos quando falo isso!

Retrucam, perguntando que se para ter uma “cultura”, é preciso andar com um chapeuzinho de centenas de anos atrás. E eles, os filipinos, foram evoluindo.

Mas de fato, quando surge o nome Filipinas, fora as lindas ilhas e o “Good Morning, Sir”, não vem nada específico à cabeça.

 



Vietnã: quase comunista

A segunda parada foi muito interessante! Partimos para Saigon no Vietnã.

Provavelmente, você não vai achar passagem para Saigon no Skyscanner.

Mudaram o nome da cidade para Ho Chi Minh, em homenagem ao líder comunista que comandou a independência do Vietnã dos franceses, após a Segunda Guerra.

Mas o nome oficial não pegou e todo mundo continua chamando a cidade pelo o antigo nome.

Sempre me interessei pela história da guerra do Vietnã.

E Saigon é o melhor local para conhecer sobre o tema.

Para aqueles que dormiram na aula de história, aqui vai um breve resumo…

Após a Segunda Guerra, o Vietnã foi divido em dois. O Norte comunista, sob o comando de Ho Chi Minh e o Sul que tinha o apoio dos Estados Unidos.

Os americanos apoiavam o Sul por causa do medo do efeito dominó.

Efeito dominó? Que porra é essa?

Tem que lembrar que era o meio da Guerra Fria.

E existia essa teoria do efeito dominó que dizia que se um país virasse comunista, os outros ao redor iriam se converter também.

No entanto, conversando com alguns locais, descobri algo que não se aprende na maioria dos livros de história.

Se você olhar no mapa, o Vietnã tem uma posição estratégica para o mar. De lá, se consegue acessar facilmente toda a Ásia.

Logo, os americanos viam com bons olhos controlar a região por interesses comerciais.

E essa história de efeito dominó era só mais um pretexto.

Parece a guerra do Iraque: armas de destruição em massa ou Campos de Petróleo???

Os americanos entraram na guerra de fato somente em 1964, depois que os vietnamitas do Norte atacaram dois de seus navios.

Se ouve muito que foi a guerra que os EUA perderam. Mas, militarmente não foi bem assim.

Para entender melhor, vamos supor que o Barcelona fosse jogar com o Madureira…

É de se esperar que Neymar, Messi e cia metessem, no mínimo, uns 7×1.

Agora imagina se eles ganhassem de apenas 1×0, com um gol em impedimento. Iria ficar um gostinho amargo, né?

Foi mais ou menos por aí a guerra.

Os americanos esperavam uma batalha fácil.

No entanto, o exército do Norte, conhecidos como Viet Congs, ofereceram uma resistência inacreditável!

Com uma visita aos túneis de Ho Chi, dá para entender melhor como eles conseguiram duelar contra o poderoso exército americano.

Eles construíram quilômetros e quilômetros de túneis subterrâneos.

Eram três níveis, e quando começavam os bombardeios, eles iam para o último nível para se proteger das bombas.

Deu para sentir que o solo era bem duro, o que devia ajudar na proteção.

Os Viet Congs ficavam protegidos nesses túneis e, à noite, saíam para fazer ataques surpresa.

Os soldados americanos falavam que pareciam fantasmas!

Surgiam do nada, atacavam e depois desapareciam em uma das centenas de entradas camufladas no meio da floresta.

Na visita, você pode andar em alguns pedaços dos túneis.

É impressionante e muito difícil imaginar como os Viet Congs conseguiram morar anos de baixo da terra.

É bem sufocante! Fui no menor de 20 metros de comprimento e já me senti sufocado!

Amarelei e nem consegui encarar o de 40 metros.

Em Ho Chi, além dos túneis, vi de perto várias táticas inteligentes que os Viet Congs usaram para tentar equilibrar a guerra.

Coisas simples como fazer sandálias com um pé invertido e o outro normal para o inimigo não conseguir seguir as pegadas.

Até as armadilhas, antes usadas para caçar animais, passaram a colocar dentro dos túneis para atrasar o exército americano. Essas armadilhas eram feitas de bambu, ou com as próprias bombas dos americanos que não explodiram.

É surreal, se você parar pensar…

De um lado os americanos, com tanques, aviões e as armas mais modernas da época.

Batendo de frente com um monte de vietnamitas magrinhos, somente com AKs-47 doadas pelos russos e usando armadilhas de bambu.

Por mais que seja algo terrível como uma guerra, deu para sentir o orgulho que os vietnamitas têm por seus bravos guerreiros.

É impossível você ir para lá e não ficar do lado dos comunistas. Se eu assistir “Rambo” de novo, vou ficar puto toda vez que ele matar os Viet Congs.

Visitei o Museu da Guerra também. Tem imagens bem chocantes!

Mostra, por exemplo, como os EUA apelaram na guerra. Usaram armas químicas pesadas, conhecidas como Agente Laranja.

Essas armas destruíam toda a vegetação do local, para assim dificultar o esconderijo dos vietnamitas na floresta.

E, é claro, matavam pessoas inocentes e deixaram muitas delas com sequelas mesmo anos após a guerra.

As multinacionais Monsanto e Dow Chemicals que fabricaram o agente na época, recebem processos até hoje.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/monsanto-e-dow-chemicals-sao-condenadas-por-agente-laranja-no-vietna.html

A principal mensagem que o Vietnã quer passar é que os Estados Unidos não tinham nada que terem se metido tão longe da sua casa, para causar tantas mortes.

Foram mais de 2 milhões de vietnamitas que perderam suas vidas no conflito!

Por lá, o conflito se chama “American War”.

A guerra foi um desastre político para os EUA também. Quase o mundo todo estava contra a guerra.

E, mesmo no território americano, houve vários protestos. Ninguém entendia porque estavam morrendo tantos soldados por causa daquele conflito. Mais de 50 mil americanos morreram e mais de 200 mil foram feridos na guerra.

Os EUA saíram oficialmente do Vietnã em 1973 através de um acordo de paz. E o país continuou dividido.

Dois anos depois, o Vietnã do Norte quebrou o acordo e invadiu o Sul, quando os EUA já não estavam mais lá.

Venceram a batalha e conseguiram unificar em um só país comunista.

Isso que causa discussão sobre quem “ganhou” a guerra.

Os EUA saíram de lá com vitórias militares e deixaram com o país dividido.

No entanto, os vietnamitas atingiram seu objetivo dois anos depois, apesar dos bilhões investidos pelos americanos no conflito!

E o país permanece “comunista” até hoje.

O Vietnã junto com China, Cuba, Coreia do Norte e Laos são os cinco únicos países comunistas do mundo.

No entanto, visitando o país, você vê que de comunista o país não tem nada!

Eles até tentaram seguir à risca os princípios do Marxismo-leninismo nos primeiros 10 anos após a guerra.

Mas foram espertos e viram que o isolamento do mundo não os iria levar para lugar algum.

O que fizeram?

Adotaram políticas econômicas capitalistas para sobreviver!

E vem dando certo, o Vietnã é um dos países que mais crescem no mundo. Esse prédio aí embaixo é um dos símbolos desse período de prosperidade econômica, A Bitexco Tower

Mas ainda há resquícios comunistas…

Há várias empresas estatais e se vê muita propaganda do governo pelas ruas. Existem eleições diretas, mas é só para constar. O vencedor já se sabe antes mesmo da votação.

O governo impõe também uma censura grande à população!

Não é tão pesado como na Coreia do Norte, onde eles nem deixam a população sair do país. No entanto, deu para ver que não era brincadeira, quando a nossa guia pediu para não fazer perguntas muito especificas sobre a guerra, quando tivesse polícia por perto.

Eles são obrigados a dar somente “repostas” oficiais da cartilha do governo. Podem até ser presos, se forem vistos falando mal!

Não está acreditando? Vê só essa lista dos países com mais censura à população!!

Ihh, olha aí minha querida Arábia Saudita na terceira colocação.

 



Camboja: genocídio secreto

Logo após essa visita incrível ao Vietnã, seguimos para Siem Reap no Camboja, conhecida por seus templos

Provavelmente, não são os templos cheios de ouro que você tem na cabeça. São templos antigos, muitos estão quase todo em ruínas!

No entanto, impressiona saber que foram construídos há mais de mil anos, entre o século IX e XII, durante o império Khmer.

Acho que um dia inteiro é o tempo ideal para visitar.

Sinceramente, a não ser que seja um entusiasta do assunto, depois do segundo templo, andando em um calor de quase 40 graus, você vai começar a achar tudo igual!

Falaria só para ver o principal templo o Angkor Wat, que realmente é bem bonito e imponente, com detalhes que é difícil imaginar como conseguiram fazer a tanto tempo atrás.

Se você for mais nerd, vale também visitar o Ta Promh, aonde foi gravado o filme Tomb Raider.

A noite lá é bem divertida também. Por isso, considero que fiquei o tempo ideal! Consegui aproveitar duas noites e um dia completo nos templos!

Existe uma rua, onde não passa carro, chamada “pub street“.

A rua é muito animada e agitada, há várias opções de bares com música ao vivo e restaurantes.

E, se ainda for corajoso para comer escorpiões, cobras e baratas, há barraquinhas na rua vendendo essas iguarias.

 

O chope lá é 50 centavos de dólar! No Brasil, nem no supermercado, conseguimos comprar cerveja a R$1,50.

O Camboja é o país mais barato a que já fui!

Agora segura essa aqui: com 10 dólares, dá para beber 6 cervejas, jantar uma comida boa por $4 e ainda sobram $3 para fazer meia hora de massagem.

Até mesmo a acomodação é ridiculamente barata.

Fiquei em um hotel 5 estrelas por 130 reais. Por esse preço, você não fica nem em um hostel no Rio!

A parte triste do local é o motivo de tudo ser tão barato: boa parte da população é extremamente pobre e miserável.

Parece um pouco com a África.

Você anda na rua e milhares de pessoas, inclusive crianças, ficam te pedindo dinheiro ou implorando para comprar algo.

Essa pobreza é o reflexo de uma das maiores tragédias humanitárias da história do nosso planeta.

Descobri isso conversando com um taxista.

Fiquei assustado quando ele me contou que perdeu toda a sua família no genocídio.

Sinceramente, eu nunca tinha ouvido falar sobre isso.

Perguntei se ele se importava em me contar a história.

Um ditador maluco chamado Pol Pot, formou um exército de camponeses humildes, prometendo uma vida melhor e mais igualitária.

pol pot cambodia

O cara se aproveitou da Guerra do Vietnã e colocou um medo na população, dizendo que os EUA iriam invadir o Camboja também!

Na verdade, ele se chamava Saloth Sar, mas para ajudar o recrutamento adotou o nome de Pol Pot, bastante comum no campo.

Seu grupo, o Khmer Vermelho, conseguiu tomar o poder em 1975.

E de 75 a 79, o Camboja viveu um período muito triste da sua história.

O cara era pior que Hitler!

Pol Pot é apontado por muitos historiadores como o ditador mais cruel de todos os tempos.

Ao contrário do líder nazista, que teoricamente queria formar uma sociedade apenas com integrantes de uma raça “superior”, Pol Pot queria formar uma sociedade rural de escravos camponeses.

Desta forma, ele mandou matar qualquer pessoa que tivesse instrução, incluindo intelectuais, artistas, professores, engenheiros e médicos.

Ele queria uma sociedade de camponeses puros e alienados pois, assim, ninguém se oporia ao governo.

Ele chegou a executar mais de 3 milhões de pessoas, quase um quinto da população da época.

As execuções eram bem cruéis, chegavam a matar bebês, jogando-os contra árvores PARA ECONOMIZAR BALAS!

Este ano vai ser exibido um filme dirigido pela Angelina Jolie, “FIRST THEY KILLED MY FATHER”, que vai contar essa tragédia.

O roteiro foi uma adaptação desse livro aqui: https://www.amazon.com/First-They-Killed-Father-Remembers/dp/0060856262

Fiquei assustado de uma tragédia tão grande não ser tão divulgada, imagina como deve ter sido difícil para o país se reconstruir após perder quase toda sua mão de obra qualificada.

 



Tailândia: too many Brazilians

Finalmente, chegamos no último destino, a Tailândia.

Já tinha passado por lá na época que eu morava na Arábia Saudita mas fui de novo, a pedidos da minha esposa que queria muito conhecer.

Escolhi o mesmo lugar da última vez, as ilhas Phi Phi.

Essas ilhas são um dos principais destinos turísticos da Tailândia.

Elas ficaram bem famosas, após Leonardo DiCaprio gravar o filme “A Praia” em 2000.

E essa passagem por lá me fez quebrar um pouco o encanto que tinha.

A ilha cresceu muito e acabou perdendo um pouco do seu charme.

Você deve ter percebido que nos últimos 2 anos, do nada, começou a pipocar um monte de gente da sua timeline postando foto na Tailândia.

Parece que teve uma promoção no Peixe Urbano e ninguém me avisou.

Em 2010, não havia encontrado nenhum brasileiro, mas agora, era impossível andar 100 metros sem ouvir português.

Nada contra, pois obviamente faço parte desse grupo.

Mas quando o destino já está cheio de brasileiros, é um sinal que ele está totalmente overcrowded.

Um destino começa pela frequência dos locais mais ricos, depois os europeus começam a ir, aí os americanos, e quando chegam nós brasileiros, já está ultra popular.

A minha dica é: não vá!

Procure outra ilha menos turística na Tailândia… ou vá para as Filipinas.

Eu sei que é tentador querer tirar uma onda com uma foto na Maya Bay.

Mas uma imagem como essa que tirei em 2010, hoje em dia, é praticamente impossível!

São centenas de excursões e barcos que não param de chegar. E você vai ter que disputar um espaço a tapa.

Esse aumento excessivo do número de turistas aumentou também as sujeiras nas praias.

E isso aí quebra um pouco daquele clima de paraíso exótico!

Para quem gosta de balada, talvez ainda seja um bom destino.

Continuaram as festas na praia, só que logicamente bem mais cheias.

Além disso, acabou aquele “fator exclusividade” de ser brasileiro, quando for chegar nas gringas.

O local deu uma “spring breakezada” também.

Com pool parties e vários bares com pessoal jogando Beer Pong.

É claro que vai ser divertido.

A questão é se para esse objetivo, seria melhor ir para Ibiza ou Cancun.

Mas essa nova passagem pelo local, pelo menos, fez eu me livrar de uma vergonha que passei e que tinha ficado guardada.

Sempre que vejo alguém jogando bola, peço para jogar com o objetivo de me integrar com os locais.

Em 2010, vi um pessoal jogando uma altinha com uma bola pequena na praia.

Pedi para entrar e estava crente que iria me destacar por saber jogar futebol.

Mas foi um desastre!

Na primeira bola, já peguei todo errado e doeu para caramba o meu pé. Errei todas as primeiras bolas!

Aí quando percebi que ninguém estava mais passando a bola para mim, me toquei e saí de fininho da rodinha, com o rabo entre as pernas.

Na verdade, era uma bola de Sepak Takraw, um esporte típico do sudeste asiático.

Parece uma mistura de futevôlei com kung fu. Se liga nesse vídeo aqui!

 

A bola é oca e, originalmente, era feita de bambu. Hoje em dia é feita com um material sintético, mas mesmo assim, ainda dói para caramba!

Dessa vez, estava determinado a tirar essa má impressão!

Comecei a jogar futevôlei há uns dois anos, e esperava que isso fosse ajudar mais um pouco a jogar o Sepak Takraw.

Então, assim que cheguei na ilha, a primeira coisa que fiz foi comprar a bola do esporte maluco deles.

Fiquei dois dias treinando sozinho e calejando o pé.

No terceiro dia, ao invés de ir para a altinha, pedi na cara de pau para jogar em uma rede mesmo. Os garotos foram bem receptivos e deixaram eu jogar.

É até que fui bem!! O meu time ganhou o jogo, e os tailandeses ficaram impressionados com a minha primeira partida.

Não joguei com o estilo deles, usava bastante o peito e atacava de cabeça em vez de dar aquelas voadoras malucas. Mas mesmo assim, estava de igual para igual!

Trauma vencido!!

Antes de voltar, passei mais um dia na capital Bangkok, onde encontrei um amigo japonês que estudou comigo na Arábia e está morando por lá.

Esse é o legal de estudar fora.

Você acaba conhecendo gente do mundo todo e, vira e mexe, nas minhas viagens esbarro com alguém.

No domingo de manhã encarei mais 30 horas de viagem para voltar para casa.

Com o fuso horário a favor, cheguei no Rio às 7 da manhã de segunda.

E às 9h já estava de volta ao escritório!

Até a próxima!!


Rafael Coelho é sócio de um fundo de investimento e escritor do livro Arábia: A Incrível História de Um Brasileiro No Oriente Médio. O livro está disponível no Amazon (amzn.to/2iIC5G2) e no aplicativo de audiolivros Ubook (try.ubook.com/raiam99)

 

 

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