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O Vale do Silício Brasileiro: por que eu mudei para Belo Horizonte?

09/05/2016
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No fim do ano passado, passei uns dias na Universidade de Stanford e tive vários insights sobre o que separa o Brasil de lá.

Como resultado daquela viagem, saíram dois dos posts mais lidos e compartilhados da história desse humilde site:

Será que vale a pena fazer um MBA no exterior?

Ferro afia Ferro: Em Busca do Vale do Silício Brasileiro

Como vocês puderam ver, estava realmente numa busca incessante por um ecossistema onde as pessoas compartilhassem aquele mindset vencedor de querer melhorar o mundo através da tecnologia e ganhar muito dinheiro no processo.

Para pra pensar: por que saiu tanta empresa foda e disruptiva daquele ovo com raio de 50km na Bay Area de San Francisco?

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Porque tava todo mundo nessa pegada aí que eu falei. E quem não estava, acabou sendo infectado pelo “vírus do sucesso” e caiu dentro também.

O espaço dos estudantes do IME que descrevi no post Ferro afia Ferro estava perto disso.

Só que eu senti que, apesar de todas as habilidades técnicas e intelectuais dos engenheiros crânios de lá, 95% das pessoas tinham cabeça de funcionário público e pensavam muito pequeno.

Meti o pé de lá rapidinho.

Já que minha carreira de escritor me dá liberdade de morar em qualquer lugar do mundo, resolvi colocar o seguinte objetivo para 2016: vou morar em 12 cidades diferentes, uma para cada mês. 

 



Mestrix Quiz

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Meus planos de perambular pelo mundo foram meio que por água abaixo já na segunda semana de janeiro… por um excelente motivo.

Isso porque descobri que minha startup Mestriz Quiz estava entre as vencedoras do programa Startup Rio, uma aceleradora de startups patrocinada pela Amazon, pelo Google e pelo Governo do Rio de Janeiro.

Nossa ideia de transformar a Wikipedia em jogo e intelectualizar o jovem brasileiro acabou impressionando a banca julgadora.

Passamos na peneira e, num estalar de dedos, abandonei a Mansão Alpha e fui tocar meu novo grande desafio no Rio.

Ainda não lançamos a parada oficialmente porque estamos corrigindo alguns bugs do sistema e alimentando o banco de dados. Mas se eu te deixei curioso e você quiser olhar a versão 0.0 da parada, entra em http://mestrix.com.br.

 


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Aprender por osmose

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Apesar de ganhar dinheiro pela internet já há uns 2 anos, eu me sinto muito juvenil ainda nesse mundo.

E, como eu escrevi naquele artigo Não Contrate Um Comunista, empresa que não dá lucro morre cedo.

Passei algumas semanas correndo atrás de know-how e mentoria lá pelo Rio de Janeiro.

O problema é que tem pouquíssima gente que tá realmente inserida nesse mundo de internet por lá.

Uma coisa é você pesquisar sobre algo no Google. Outra coisa é você trocar ideia pessoalmente com quem já foi lá e fez.

Caraca, tenho uma mega-ideia aqui, meu produto tá rodando mas não tô conseguindo escalar ainda.

Preciso sair da zona de conforto urgentemente.

Daí eu fui para Los Angeles em março conversar com uma galera tech para mostrar o que eu tinha, captar ideias e até desenrolar investimento.

Não deu muito certo não…

 



Empreendedorismo de Palco

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Duas semanas atrás, fui para Belo Horizonte participar de um evento chamado Segredos da Audiência, organizado pelo Samuel Pereira.

Samuel é um muleque novinho que é uma das maiores autoridades do Brasil quando o assunto é monetização de sites e marketing digital.

Contei no artigo Virei Empreendedor de Palco sobre o preconceito que eu tinha com aquela indústria do Fórmula de Lançamento. Para mim, aquilo ali era a versão contemporânea daquelas pirâmides de Herbalife, Monavie e TelexFree.

Se você estiver com preguiça de ler o outro artigo, o tal preconceito virou quando eu me senti um completo virgem lá dentro da conferência.

Isso porque eu estava cercado de gente da minha idade que manjava MUITO de internet e eu tava aprendendo coisas bem tangíveis para aplicar no meu próprio negócio.

Era informação, informação e mais informação.

Não sei você mas, pra mim, tem poucas coisas na vida tão fodas quanto aprender coisa nova.

Caraca, peguei 18 horas de vôo até Los Angeles e a mina de ouro estava a apenas 45 minutos de casa!

Tenho 26 hoje e conheci um pessoal que trabalha com internet desde os 18.

Pô com 18 anos eu só queria saber de jogar futebol americano e de pegar mulher gringa.

Com 21, eu só queria saber de mercado financeiro, um setor que, cá entre nós, está num declínio desenfreado desde a crise de 2008.

Falando nisso, recomendo que leia meu terceiro livro Wall Street: A Saga de Um Jovem Brasileiro Na Bolsa de Nova York.

 

 


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Velocidade de Implementação

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Nossos pais nos ensinam a não agir por impulso.

Acho que essa é a parada mais furada que existe.

Todas as vezes que eu agi por impulso, eu acabei me dando bem no longo prazo!

Impulso nada mais é que escutar a voz do seu coração e tocar o terror sem pensar na aprovação externa.

Um exemplo disso é aquela polêmica da minha demissão da ESPN.

Se aquilo não tivesse acontecido, eu talvez continuaria hipnotizado pelo futebol americano e estagnado comentando jogo universitário às 2 da manhã em troca de R$400.

Naquele momento, eu realmente me lamentei por ter agido por impulso e fiquei bem triste de sofrer bullying público na Folha de São Paulo e na Revista Veja.

Dois anos depois, pergunta se eu me arrependi?

Nem um pouco. E ainda ganhei uma página na Wikipédia depois daquela treta, hehe.

Impulso é bom, cara!

Essa experiência na conferência Segredos da Audiência me gerou outro impulso: cara, preciso mudar pra Belo Horizonte porque tenho muito a aprender com essa galera que vive de internet. 

O evento aconteceu no sábado e no domingo.

Na segunda feira, fui almoçar no Pátio Savassi com alguns CEOs de empresas de tecnologia.

No fim da tarde, aceitei um convite para visitar a sede da empresa HotMart.

Quem acompanha esse blog há um tempo sabe que eu me amarro fazer visita em empresa.

Em outubro do ano passado, fui em Orange County na Califórnia visitar a empresa dos sonhos de 10 entre 10 nerds de Warcraft: a Blizzard Entertainment.

Quando tiver um tempo, dá uma olhada no Visitei a sede da Blizzard Entertainment na Califórnia e tive uma aula de negócios com os nerds que criaram o World of Warcraft.

No passeio do Hotmart, o CEO João Paulo Rezende me explicou sobre os fatores que transformaram Belo Horizonte na capital brasileira da tecnologia.

Depois pesquisa aí sobre o termo San Pedro Valley, o Vale do Silício brasileiro. Não sei se você sabe mas a Google tem um mega-escritório em Belo Horizonte também!

Papo vai, papo vem… veio o impulso de novo.

Abri o AirBnb no celular e comecei a mandar mensagem perguntando sobre aluguel de flats por temporada.

(Falando em AirBnb, se você mora no Rio e quiser ganhar um dinheiro forte alugando teu apê na Olimpíada, se inscreve lá. Dá pra botar pelo menos uns 15mil no bolso alugando um apêzinho de 2 quartos pra gringo durante as 2 semanas da Olimpíada).

Duas horas depois, lembrei que um leitor aqui do blog chamado Arlindo Armando tinha acabado de mudar para Belo Horizonte e fui pedir informação a ele sobre aluguel por temporada.

O Arlindo havia acabado de fechar o aluguel um mega-apartamento de 4 quartos com uma galera que também trabalha com internet.

E não é que tinha 1 quarto sobrando?

Peguei meu celular, abri o aplicativo do banco e, menos de 5 minutos depois, a grana do aluguel já estava na conta do Arlindo.

Partiu BH!

 

 



O San Pedro Valley

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San Pedro Valley é uma mistura de Vale do Silício com São Pedro, o bairro onde fica a maioria das startups de tecnologia em Belo Horizonte.

Tudo começou com uma brincadeirinha entre o Bernardo Porto da DeskMetrics/Hotmart e o Edmar Ferreira da Rock Content.

Os caras trabalhavam com tecnologia mas cada um no seu canto.

Daí eles se esbarravam direto na rua e um deles soltou o nome San Pedro Valley.

Uma das paradas mais tops de epicentros do Vale do Silício americano como Palo Alto é que você tá andando na rua e do nada você esbarra com o Tim Cook CEO da Apple.

Daí você vai tomar um café e vê o Elon Musk sentado do teu lado.

Os mineiros brincaram tanto com esse fenômeno de mastermind que surgiu um hashtag, uma matéria na Exame e várias menções em grandes blogs de tecnologia mundo afora.

Até a revista The Economist entrou na dança.

O negócio pegou tanto que San Pedro Valley não é mais restrito só ao bairro de São Pedro… San Pedro Valley virou Belo Horizonte inteira.

 

 


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Por que Rio e São Paulo ficaram pra trás?

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Por que não Rio e nem São Paulo?

O primeiro fator é o custo de vida. 

O cara que tá lançando startup no Brasil tem que fazer milagre com dinheiro.

Não tem aquela mamata dos venture capitals injetando dinheiro para o cara sobreviver enquanto ganha escala.

Com isso, pagar R$3.000 + condomínio para morar em apê de 1 quarto perto do escritório fica fora de cogitação.

Por que venture capital não dá certo no Brasil? Simples: taxa de juros.

Por que o cara vai arriscar perder tudo investindo numa startup se ele pode colocar a risco zero no tesouro direto e ganhar 14% ao ano?

Com essa taxa de juros, a grana dele dobra em menos de 5 anos (lembra da regra dos 72?).

Talvez seja por isso que somos quase zerados em inovação.

Mas esse aí é um fator bem fraquinho.

O segundo fator eu vou chamar de prioridades.

O Rio passou anos e anos priorizando construção civil (vide Barra da Tijuca), turismo (vide Olimpíadas) e petróleo (vide pré-sal).

São Paulo prioriza business de empresa grande.

Tem um ecossistema de tecnologia sim mas é algo bem secundário e acaba sendo engolido pela correria corporativa que sempre reinou por lá.

Qual é a praia do mineiro de Belo Horizonte?

Bom, Belo Horizonte passou um bom tempo em cima do muro.

Qual foi a saída? Aproveitar o princípio do “low-hanging fruit” e investir na tecnologia.

E nisso eles não começaram do zero. A UFMG tem o Departamento de Ciência da Computação criando muito nego crânio ano após ano.

Desculpe o trocadilho mas parece que tá dando frutos, hein?!

Os jovens de BH enxergam oportunidades borbulhando no setor de internet e começam a se capacitar bem cedo.

Mano, não sei se você percebeu mas internet é o futuro.

Vai numa universidade top do Rio tipo PUC, FGV e IBMEC e eu te garanto que menos de 5% das pessoas sabem o que é CTR, SEO, Adsense e Adwords.

Não sabe? Joga no Google e aprende…

Te garanto que você vai precisar muito disso no futuro. Lembra daquela minha entrevista com o businessman de YouTube Flavio Luz no podcast MundoRaiam?

O terceiro e mais importante fator é a proximidade.

 

 


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Por que morar em BH é bom pra caralho?

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Sertanejo universitário? Capital dos bares? Mulheres bonitas? Tinder?

Não!

Falo isso para todos os muleques que fazem mentoria comigo e não tenho vergonha de repetir em público: quando você tá numa missão, seu pau é seu maior inimigo. 

Se o foco fosse correr atrás de mulher, eu estaria em outro país. Não sei o porquê mas negão faz muito mais sucesso na Europa do que aqui.

Belo Horizonte é bom porque todo mundo mora perto um do outro.

Apesar de ser a sexta maior cidade do Brasil, Belo Horizonte é um ovo!

Com isso, a densidade demográfica do conhecimento fica muito alta. É muita gente boa num raio de 2km.

Tô com dúvida em SEO para meu blog? Vou tomar um café com o William Rufino que é referência nacional no assunto.

Tô batendo cabeça em link-building para o Mestrix? Mando um alô para o Alberto André que também manja muito disso.

Quero capturar mais emails e aumentar o alcance do blog MundoRaiam? Vou no Diego Gomes da Rock Content.

Quero alavancar meu Facebook Marketing? Mando um alô no Lucas Marques da TWK.

Quero aprender mais sobre CPC de Adwords? Mando um whatsapp para o Rodrigo Resende da Cuponomize.

Deu problema nos meus afiliados? Bato na porta do quarto do lado e tiro minhas dúvidas com o Arlindo Armando.

Preciso implementar algo com meios-de-pagamentos? Vou no Cleiton Souza do Hotmart.

Deu ruim no código do site? Tem o Marcio Motta da Monetizze.

Tô precisando de ajuda para criar um curso online? Dou um grito no Caio Ferreira da e-Editora ou no próprio Samuel da Segredos da Audiência.

Tô com problema no meu servidor? Ligo pro Guilherme Petersen (depois escuta o podcast que eu gravei com ele).

E isso tudo me leva ao principal fator de todos: o fator mineiro.

 

 



O fator mineiro

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Até agora falei sobre custo de vida, prioridade e proximidade.

Mas vou te mandar a real. O que deixa o ecossistema de Belo Horizonte especial é um fator bem simples: o mineiro.

Ô povo gente boa da porra, sô!

Uma coisa impressionante que eu notei em menos de 2 semanas em BH foi o seguinte: todo mundo quer mudar o mundo e ficar rico junto.

Enquanto no Rio, em São Paulo e principalmente nos Estados Unidos, o negócio é se dar bem e ver seu competidor se fuder, aqui em Minas a pegada parece ser diferente.

Para a galera que eu conheci em Belo Horizonte, tem espaço pra todo mundo se dar bem.

Cansei de ver competidores tomando cerveja juntos, trocando experiências e hacks na mesma mesa e ajudando o negócio do outro.

Cuma?

Chamo isso de mindset de abundância.  A verdade é que tem espaço pra todo mundo!

E isso me lembrou muito do livro Master Key To Wealth do Joseph Murphy (já escutei ele mais de 40 vezes só esse ano).


 

Os livros do Joseph Murphy falam muito de Deus e a pegada é exatamente essa: Deus é uma energia infinita. Se o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, isso significa que nossas possibilidades são infinitas.

Se nossas possibilidades são infinitas, por que focar na escassez?

Abundância é bem melhor que escassez, caralho!

No San Pedro Valley tem um senso de coletividade e companheirismo que eu não vi nem naquele retiro espiritual que eu fiz na Índia com 18 anos (capítulo 3 do livro Ousadia: Como Conquistar o Mundo Ainda Jovem).

Não fui o único forasteiro que se encantou pela nova “corrida do ouro” das Minas Gerais, quase 400 anos depois daquela que deu nome a esse maravilhoso estado.

Tem uma galera muito top de outras cidades e até outros países fazendo essa migração também, hein.

Hoje a Mestrix tem duas sedes: uma no Rio e outra em Belo Horizonte.

Sigam-me os bons!

~Raiam

 


 

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