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48 Horas em Macau: Negão Asiático Parte 4

22/06/2016
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Na real, eu fiquei bem menos que 48 horas em Macau.

O título aí em cima foi só para manter o padrão dos últimos 3 posts sobre esse “turismo macroeconômico” que eu tô fazendo pelo sudeste asiático.

São 8 países em 15 dias e a ideia é evitar ao máximo visitar os pontos turísticos.

Meu rolé pela Ásia é muito mais didático.

Tô aqui para aprender com o que eles estão fazendo certo, conhecer pessoas, comparar estilos de vida  e trazer alguns insights para o Brasil.

Sou um daqueles caras que acredita que o epicentro do mundo tá cada vez mais convergindo para o oriente. De um jeito ou de outro, eu vou ter que participar disso. Toma uma frase do Jim Rogers aí para ilustrar o meu ponto:

“If you were smart in 1807 you moved to London, if you were smart in 1907 you moved to New York City, and if you are smart in 2007 you move to Asia.”

Esse aqui é o 4o. episódio da série. Se você tá chegando agora, clica aí para ler os três primeiros:

 

Parte 1: 48 horas na Tailândia

Parte 2: 48 horas na China

Parte 3: 48 horas em Hong Kong

 



Macau é China?

chinacau

Apesar das tantas conclusões interessantes que eu tirei em Hong Kong (depois dá uma olhada no post anterior 48 horas em Hong Kong), não demorou muito para eu ficar de saco cheio daquela porra lá.

A verdade é que eu fiquei mal acostumado com a vida extremamente barata na Tailândia.

Pagar preços de Europa em Hong Kong não tava batendo muito bem não, tá ligado?!

Uma recomendação que eu deixo para todo mundo que pretende visitar a Ásia no futuro é o seguinte: comece sempre pelo país mais caro.

Isso porque você vai se sentindo mais rico à medida que o tempo vai passando. Purchasing power effect, my friend!

Dessa vez, eu alternei país barato (Tailândia), com país caro (Hong Kong), com país estupidamente barato (Vietnã) com país mais caro que Londres (Cingapura) e com país do nível do Brasil (Malásia).

Se fosse fazer tudo de novo, a ordem seria Cingapura, Hong Kong, Malásia, Tailândia e Vietnã.

Já tava contando as horas para partir para meu próximo destino, o Vietnã. O problema é que meu vôo era só na terça e eu tinha um dia inteiro livre ainda.

Para não ficar à toa em Hong Kong, resolvi convencer o australiano-chinês e o albanês-kosovês-alemão lá do hostel a partirem numa missão “internacional” comigo.

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A missão era a seguinte: vamos pegar a barca no porto de Wan Chai e vamos conhecer um país novo chamado Macau.

Na pior das hipóteses, a gente tem um carimbo a mais para ostentar no passaporte.

Aí eu lembrei de um velho filme do cidadão mais ilustre da história de Hong Kong: o lutador/ator Bruce Lee. 

Uma das primeiras cenas do Operação Dragão mostra um negro, um branco e o Bruce entrando num barco no porto de Wan Chai em direção a uma ilha desconhecida.

Piada pronta… só faltou a roupa de Goku.

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O engraçado é que o negão com roupa de Goku do filme parece até um pouco comigo.

Apesar de ser bem pertinho de Hong Kong e de Shenzhen, a real é que Macau é uma daquelas SAR (Special Administrative Regions) da China.

Como eu escrevi no último post, isso quer dizer que Macau é China… mas não é China.

Assim como Hong Kong, Macau compete sozinha na FIFA e nas Olimpíadas. No caso de uma Guerra Mundial, Macau lutaria sob a bandeira vermelha da China.

O engraçado é que no porto de entrada, todo mundo tem que passar pela imigração e carimbar o passaporte… mesmo o próprio chinês.

Imagina se nós brasileiros tivéssemos que mostrar passaporte para viajar para Fernando de Noronha? Tipo isso aí.

A barca custa o equivalente R$60 cada perna e faz o percurso Wan Chai – Macau em pouco mais de 1 hora.

Ao contrário da Tailândia, não teve caô nenhum com meu passaporte brasileiro e nem com vacina de febre amarela.

Muito pelo contrário: brasileiro é muito bem vindo em Macau.

Na real, nossa história é muito parecida com a deles…

 

 



Cidade Colonial

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Mano, o coração bate um pouco mais rápido só de pensar que tem um buraco no meio da China com cara de cidadezinha colonial do interior de Minas Gerais.

Na real, o centro histórico de Macau parece muito com a própria Lisboa com ruas de paralelepípedos, sobrados de arquitetura portuguesa, marquises com “eira e beira“, lojinhas vendendo pastéis de nata e aquelas pedras portuguesas estilo-calçadão de Copacabana nas principais ruas do centro histórico.

Papo reto: todas placas de rua tinham inscrições em português.

As áreas mais turísticas tinham coisas em mandarim e também em inglês mas a impressão geral é que o português é a lingua mãe do lugar.

Acho que vale a pena abrir o Google Maps e dar uma navegada pelas ruas de Macau.

Enquanto em Hong Kong as ruas são monossilábicas tipo Shun Ning, Sha Wan e Kwong Lee, Macau tem nomes mais familiares como por exemplo:

patio1
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O engraçado é que, apesar das placas, praticamente ninguém naquela porra fala português.

Dizem que os velhinhos são os únicos que mantiveram as tradições mas eu rapidamente refutei essa hipótese.

Na praça central de Macau, tinha um monte de vovôzinho chinês jogando dominó debaixo de um coreto. Nenhum deles tinha cara de turista.

Cheguei lá na cara de pau puxando assunto em português com eles para aprender um pouco mais sobra a história do lugar.

Todos eles me olharam com cara de cu.

 


 


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Conexão Macau-Brasil

 

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Macau foi outro lugar que só de pisar lá bateu um suor hétero do caralho.

Por que, Raiam?

Simplesmente porque a cidade de Macau está diretamente relacionada com o descobrimento do Brasil.

Lembra das aulas de história da 4a série quando a professora adorava repetir a expressão “Caminho Marítimo para as Índias”?

As tais “Índias” que os navegadores portugueses tinham tanta obsessão para chegar eram basicamente 4 grandes portos de mercadorias no sudeste asiático:

 

Goa (oeste da Índia, perto da atual Mumbai)

Calicute (oeste da Índia, um pouco mais abaixo de Goa)

Malaca (sul da Malásia, perto da ilha de Cingapura)

Macau (sul da China, do outro lado da baía de Hong Kong)

 

Aí é aquela parada: depois que os turcos tomaram Istanbul e fecharam o caminho mediterrâneo para Ásia, nego teve que se adiantar e procurar outra rota.

Depois de algumas tentativas frustradas de circular o continente africano, um cara da segunda divisão das Grandes Navegações chamado Vasco da Gama conseguiu cruzar o tal Cabo das Tormentas e partiu para a Ásia.

Dois anos depois, veio um camarada chamado Pedro Álvares Cabral que tava com um cagaço danado de circular o famoso Cabo lá da África do Sul e quis inventar moda navegando para o outro lado.

Resultado: ele chegou ao Brasil… querendo chegar em Macau.

O Brasil foi descoberto em 1500 e os portugueses só conseguiram finalmente comprar especiarias, sedas e artigos de luxo em Macau a partir de 1513.

Agora pensa num marinheiro bem transudo que sai comendo geral em todos os portos que ele passou durante sua carreira.

No processo, ele fez um filho escurinho na América e um filho de olho puxado na Ásia.

Apesar da cor da pele e dos olhos, os dois eram bem parecidos entre si mas nunca se conheceram por causa da distância e das mães diferentes.

Habemus Brasil e Macau: se tirasse a montoeira de turistas chineses se protegendo do sol com guarda-chuvas, eu podia jurar que tava em Paraty ou São Vicente.

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Suruba Econômica

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Não preciso dizer que nossa economia é altamente dependente do que está acontecendo na China.

Aqueles anos de bonança e oba-oba entre 2007 e 2011 não foram por causa da mágica do Sr. Lula, como nossos professores de história e geografia gostam de dizer.

O Brasil se deu muito bem naquela época por causa de uma parada que os economistas gringos chamam de commodity supercycle.

Não só o Brasil, né?!

Todo mundo que vendia matéria prima (=commodities) para a China também participou da suruba econômica: Austrália, África do Sul, Rússia, Chile, Peru… só para citar alguns players que entraram na dança.

Precisa de minério de ferro para produzir viga de aço? Traz dois navios da Austrália e um do Brasil.

Precisa de cobre? Vai lá no Chile e aproveita e pega algumas toneladinhas de níquel no Peru no caminho de volta.

Precisa de petróleo pra queimar na nova termelétrica? Fala com o Putin ali na Rússia que é pertinho.

A China desacelerou um pouquinho, parou de queimar dinheiro em infraestrutura e construção civil e toda aquela galera da suruba econômica acabou tomando no cu… literalmente.

Mas por que a China desacelerou de forma tão abruta assim?

Simplesmente porque os decision-makers de Beijing mudaram o foco da parada:

“Chega de ser a fábrica do mundo, chega de Ali Express, chega de construir elefante branco… agora seremos um país desenvolvido…uma nação consumidora.”

Tá Raiam, mas o que Macau tem a ver com isso?

Calma, jovem…

 



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A equação do PIB

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Vou partir do ponto que você nunca teve uma aula de macroeconomia na vida.

O PIB (produto interno bruto) de um país é o resultado de uma simples equação:

 

PIB = C + G + I + NX

 

C = Consumo

G = Gastos do Governo

I = Investimentos

NX = (Exportações – Importações)

 

Agora vamos dissecar essa equação aí no caso da China. Eles conseguiram aquele boom todo por causa de:

 

1) Muito G

Com taxa de juros a 0%, o governo abriu o cofre e saiu gastando dinheiro na porra toda: de estádios inúteis a pontes mais inúteis ainda.

 

2) Muito I

Com mão de obra barata e um certo nível de liberdade econômica, as empresas gringas e locais abriram a carteira e investiram alto em máquinas e plantas produtoras.

 

3) Muito NX

Aposto que metade dos itens da sua cozinha foram made in China. Se NX = Exportações – Importações e a China exporta bugiganga para o mundo todo, já dá pra saber como fica esse NX né?!

 

4) Mas e o componente C?

Para você ter uma ideia, na maior economia do mundo que é os EUA, o componente C corresponde a 70% do PIB (se liga nesse artigo do Mic)!

Esse número na China é de apenas 35% do PIB!

Caralho!

Por que isso? Porque o chinês tem um histórico de ser um povo muito economizador… tipo do povo que guarda dinheiro dentro do colchão.

Agora é que são elas: como é que a gente vai fazer para estimular 1 bilhão de pessoas a tirarem esse dinheiro do colchão e fazer a economia rodar que nem nos Estados Unidos?

Bem vindos à Nova China!

É aí que entra Macau, meus amigos…

 

 

 



Termômetro da Economia

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Já que não dá para confiar muito nos dados oficiais do Governo Chinês (quase todos eles são fabricados e manipulados… socialismo é assim mesmo), o mercado encontrou uma solução no mundo capitalista para fazer leituras melhores sobre a saúde da carteira do consumidor chinês.

Te apresento a ação LVS da Bolsa de Nova York.

LVS é o ticker para Las Vegas Sands Corporation, uma das maiores operadoras de cassinos do mundo.

Tá, Raiam… o que tem a ver Las Vegas com a China?

Las Vegas Sands é dona dos maiores cassinos de Macau: Sands Cotai, Plaza Macao, The Venetian Macao, Sands Macao além da Cotai Arena.

Já que a empresa é listada nos Estados Unidos, ela tem que respeitar um certo nível de transparência e abrir seus números ao mercado.

Boom! Quer entender sobre o consumidor chinês? Vai lá e abre o relatório trimestral da Las Vegas Sands. Aproveita também para escutar a conference call do CEO.

Antes do crash da bolsa de Shanghai em 2015, os indicadores que vinham de Macau já anunciavam um mega-problema.

O gasto-médio do consumidor nos cassinos da LVS em Macau havia despencado consideravelmente.

Lembra que eu falei que o foco da China passou de “PRODUZIR” para “CONSUMIR”?

Com isso, os investidores passaram a se importar menos com a taxa de utilização das fábricas chinesas e começaram a olhar mais de perto os indicadores que têm mais a ver com o consumo da população.

Bingo!

Macau é o parquinho dos chineses de classe média… os mesmos chineses que puxam o “componente C” do PIB.

Mano, coisa de louco.

É muito mas muito chinês hipnotizado nas milhares de maquininhas espalhadas pelos cassinos de Macau.

Essa foto aí é no Grand Lisboa, simplesmente um dos cassinos mais meia-bomba do lugar.
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Sim, meia bomba!

Para você ter uma ideia, a indústria de cassinos de Macau fatura 7 vezes mais que Las Vegas… apesar de ser pelo menos 1.000 vezes menos conhecida!!!!

Toma aí um artigo da CNN falando sobre essa comparação.

Mano, fiquei de boca aberta quando vi essa estatística.

Se nego tá gastando menos em Macau, deve ter alguma coisa errada…. e teve!

Eu até escrevi um post há exatamente 1 ano atrás contando um pouco desse crash da Bolsa de Shanghai. Depois vai lá e lê o  Como eu QUASE fiquei milionário na bolsa da China… mas acabei perdendo tudo).

Um dos poucos que cantaram essa pedra foi o Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus Research. Pode ter certeza que ele encheu o bolso de muita gente de dinheiro com aquele call anti-China de 1 ano atrás.  

 

 



Turismo Chinês

Mainland Chinese tourists take a picture of them at "The Ruins of St. Paul's," the famous tourist spot, on the second day of the Chinese New Year in Macau, Saturday, Feb. 1, 2014. The Lunar New Year marks the year of the horse this year according to Chinese astrology. (AP Photo/Vincent Yu)

 

Para te mandar a real, eu demorei um pouco para aceitar que Macau era 7 vezes maior que Las Vegas.

Saí catando estatística e lendo relatórios pela internet e não consegui encontrar nada que provasse o contrário.

E ainda me deparei com outro fato altamente assustador: MACAU É O TERCEIRO PAÍS MAIS RICO DO MUNDO (olha o ranking de PIB per Capita do Banco Mundial aí).

Aí eu lembrei do meu “amigo” Jim Rogers!

Quando eu tava deprimido lá em 2014, eu li um livro que acabou mudando a minha vida para sempre:

The 4 Hour Workweek do Tim Ferriss

 

 

Na real, hoje em dia eu tenho a liberdade de pegar um avião e cair no país que eu quiser a hora que eu quiser. Qual é o segredo? Quase 2 anos aplicando os conceitos desse livro aí…

Num capítulo do livro, o Tim falou sobre um desafio que ele colocou a seus alunos numa classe de empreendedorismo que ele lecionava na Princeton University.

O aluno que enviasse um email para alguma autoridade/celebridade e conseguisse um reply ganharia uma passagem aérea para qualquer lugar do mundo.

Todo mundo ficou com medo do desafio.

Só uma pessoa de toda a classe se aventurou.

E ela conseguiu… 100% de aproveitamento.

Como eu sou um cara risk-taker pra caralho e vivo sob aquele princípio de “o não, eu já tenho”, eu resolvi testar meus limites.

Resolvi mandar um cold-email para o bilionário americano Jim Rogers.

Para quem não conhece, Rogers é um ex-investidor macro que foi braço direito do George Soros e escreveu dois dos melhores livros que já li em toda minha vida: Investment Biker e Adventure Capitalist.

Mandei a mensagem e, para a minha surpresa, o cara respondeu em menos de 24 horas.

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Vou pegar a principal frase do email:

“Chinese tourism is going to be one of the great booms of the next 20 years. Find someone who will hire you to bring Chinese to Brazil as a start”

Vou ser bem sincero com você. Quando li aquilo, pensei assim:

“Esse velhinho tá viajando na maionese.”

Turismo chinês? Sério mesmo? Aprendi na faculdade e no mercado financeiro que o chinês é um povo muito mais poupador do que gastador.

Cara, precisei de meia tarde em Macau para concluir que o velho bilionário realmente manja dos paranauê:

Eles são muitos… têm muito dinheiro pra gastar… e estão começando a gastar esse dinheiro longe da China!

Mano, como é que ninguém aqui no Brasil pensou nisso?

Por que eu não vejo montoeiras de chineses com guarda-chuva na Praia de Copacabana?

Por que os restaurantes de Ipanema não têm menu em mandarim?

Por que não tem nenhum vôo direto Beijing-Rio e nem Shanghai-Rio?

O foda é que nego prefere reclamar da crise, decretar calamidade ao invés de abrir a cabeça e correr atrás de soluções…

 

Vou terminar por aqui… já se foram 2770 palavras em um post só.

O próximo capítulo da série Negão Asiático é no país mais interessante e promissor entre os 8 que visitei nas últimas 2 semanas: o Vietnã!

 



NEGÃO ASIÁTICO

Parte 1: Tailândia

Parte 2: China

Parte 3: Hong Kong

Parte 4: Macau

Parte 5: Vietnã (coming soon)

Parte 6: Cingapura (coming soon)

Parte 7: Malásia (coming soon)

Parte 8: Indonésia (coming soon)

 

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