Mundo Raiam
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48 Horas em Cingapura: Negão Asiático Parte 6

03/07/2016
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Esse é o 6o e último episódio da série sobre meu rolê macroeconômico pelo sudeste asiático.

No post #1, falei um pouco de budismo, câmbio, custo de vida e também sobre o furdunço que é a Tailândia para os jovens mochileiros do mundo desenvolvido.

No post #2, o foco foi na rivalidade entre China e Hong Kong. Para mim, era tudo a mesma coisa… mas eu quebrei a cara assim que eu botei o pé naquela porra.

No post #3, falei sobre ser negro na China e também sobre a ostentação das noitadas do Jurerê do Oriente: a ilha de Hong Kong.

No post #4, peguei um barquinho para Macau, uma colônia portuguesa no meio da China que virou a Las Vegas do Oriente e atrai milhões de chineszinhos fumantes pros cassinos.

post #5 bateu mais de 100 mil visualizações e foi disparado o mais popular de todos. Foquei no fake-comunismo, nos resquícios da Guerra do Vietnã, na cerveja grátis e no papel do Vietnã como o país do futuro.

O post de hoje é sobre aquele que é considerado o país mais moderno do mundo: Cingapura.

 



“País” entre aspas

singhi

Acho que vale a pena começar dizendo que é burrice fazer qualquer comparação Cingapura x Brasil.

Digo isso por um simples motivo: pega um carro e você cruza o país inteiro de ponta a ponta… em 30 minutos!

Sim, a infraestrutura urbana funciona, o país é limpo, moderno, capitalista, seguro… mas Cingapura é um ovo de lugar.

É muito mais fácil erradicar a pobreza, controlar corrupção e proporcionar bons serviços a seu povo quando você lida com 5 milhões de habitantes concentrados numa ilha de 700 km2.

Dito isso, temos muito a aprender com o case deles como um todo.

Separei umas pequenas observações que eu fiz durante as 48 horas que eu passei na ilha de Cingapura semana passada.

 

 


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Vaza, mochileiro

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Uma das primeiras coisas que eu notei em Cingapura foi a baixa oferta de hostels.

Depois de algumas conversas com locais e expatriados, aprendi que, apesar da proximidade geográfica aos “paraísos do furdunço” como Bangkok, Bali e Koh Phangan, a ilha de Cingapura é um destino bem miado para os mochileiros de plantão.

O que o mochileiro do mundo desenvolvido busca quando vai fazer rolé na Ásia?

1- Sexo

2- Álcool

3- Drogas

Vamos por partes.

Sexo tem em todo lugar. Vou até pular esse aí.

Agora é a vez do álcool.

Lembra no post do Vietnã que eu falei que a cerveja custava 40 centavos de dólar e que o open-bar de cerveja meu hostel era 6 dólares?

Bom, a Cingapura põe um imposto fudido em cima da cerveja, do vinho e dos destilados.

Dá uma olhada nesse artigo do Straits Times falando sobre o tal do “imposto do pecado” (sin tax) em território cingaporeano.

Resultado? Cervejas a 10 dólares!

E não tem aquela rataria de beber na loja de conveniência para pagar mais barato que eu expliquei no post de Hong Kong.

Pensa comigo. Como é que você vai convencer o turista que paga 40 centavos na cerveja no Vietnã e 1 dólar na Tailândia para vir fazer farra no seu país?

É aí que eu estou querendo te levar: Cingapura é um país sério pra caralho!

Esqueci das drogas, né?!

Antes de falar em drogas, vale a pena lembrar que o chiclete é proibido no país inteiro.

Sim, não pode mascar chiclete em Cingapura.

Por quê?

Porque suja as ruas.

Se você for pego mascando chiclete, prepare-se para pagar uma multinha de 700 dólares.

Se você for pego com drogas em Cingapura, prepare-se para morrer. 

Isso mesmo… tem pena de morte para tráfico de drogas.

Já que tem aquela linha bem tênue entre tráfico e posse por lá, nego nem pensa em arriscar bater de frente com a lei.

Agora você entendeu por que tem tão poucos albergues de mochileiros vida-loka em Cingapura?


 


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Hotel-cápsula e custo de vida

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Sempre que eu ia para uma cidade nova na Ásia, minha primeira busca no Booking.com era por “party hostels”.

Como eu não encontrei nenhum em Cingapura, decidi passar uma noite num hotel-cápsula de Chinatown chamado Bohemian Chique Capsule Hotel.

Ao contrário do Vietnã e da Tailândia onde os beliches eram lotados de australianos, britânicos e alemães, o albergue-cápsula de Cingapura tinha um monte de local também.

Sim, senhores… tinha nego que morava ali dentro da cápsula.

Faz sentido, né? Cingapura é uma das principais capitais financeiras do mundo.

Lembra no meu livro Wall Street: A Saga De Um Brasileiro Na Bolsa de Nova York que eu falei sobre o preço proibitivo do aluguel pro jovem recém-formado na ilha de Manhattan?

O preço do aluguel em Cingapura chega a ser mais alto que Londres e Nova York.

Uma simples questão de oferta e demanda: o país é pequeno e basicamente não tem subúrbio.

Em Nova York, o cara que não quer gastar muito vai morar no Bronx ou no Queens.

Em Cingapura, tua única opção para pagar barato é morar em Johor Bahru.

Vale lembrar que Johor Bahru é na Malásia… outro país, tá ligado?!

Pô, pegar a imigração da Malásia todo dia pra ir trabalhar deve ser ruim pra cacete, né?!

Solução? Ou dar uma sorte para pegar um dos apartamentos subsidiados pelo governo (os famosos Housing Development Buildings, HDBs) ou morar numa cápsula.

A noite no Bohemian Chique Hostel sai por uns 40 dólares.

Multiplica essa porra por 30: 1200 dólares por mês para morar numa cápsula.

Tudo bem que nego deve dar um descontinho para os caras que fecham o mês na cápsula mas o preço final não deve ser muito longe disso não.

Brabo, hein?!

Olhando pelo lado positivo, você tem uma televisão de 40 polegadas, uma lâmpada spot, tomada USB para carregar o celular, tomada universal para carregar o laptop além de um fone Beats By Dre só pra você.

Não tenho muito a reclamar de ter dormido na cápsula não.


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1 país, 4 línguas

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Dizem por aí que Cingapura tem o metrô mais eficiente do mundo.

Não achei grande coisa, pra te falar a verdade.

Mas uma coisa chamou minha atenção.

Todas as placas da autoridade de trânsito de Cingapura estavam escritas em 4 línguas. São elas:

Mandarim: 75% da população é de origem chinesa

Bahasa Malaysia: 13% da população é de malaios muçulmanos

Tamil: 10% da população que vem do estado indiano de Tamil Nadu, no sul da Índia.

Inglês: é a segunda língua de todo mundo… e a língua dos businessmen expatriados

A conclusão é que Cingapura é a versão contemporânea da torre de babel no meio do Oriente.

E é impressionante como todos os grupos étnicos convivem em perfeita paz e harmonia: muçulmanos, budistas, cristãos, hindus e ateus.

Parece que toda semana tem ataque terrorista em algum lugar do mundo… já ouviu falar de algo do tipo em Cingapura?

Eu não…

 

 


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Gladwell e Cingapura

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Malcom Gladwell é um escritor pica da galáxias.

Com certeza você já ouviu falar no princípio das 10mil horas do livro Outliers – Fora de Série. 

Mas a referência aqui vem de um livro um pouco menos conhecido do titio Malcom: Tipping Point (em português, ponto de virada).

Num dos capítulos mais marcantes do Tipping Point, o Gladwell prova que o comportamento humano é dramaticamente afetado pelo ambiente. E ele usa o metrô de Nova York como exemplo.

Antes do prefeito Rudolph Giuliani entrar no poder, o metrô de Nova York era um lixo.

Todo sujo, pichado e fedorento.

Daí ele botou ordem na casa. Modernizou o metrô inteiro, limpou as pichações e… BINGO! A criminalidade da cidade diminuiu de uma maneira estrondosa.

Ué… qual foi?

Pensa comigo. Quando tu vai num banheiro do barzinho pé-sujo, você mija com o mesmo cuidado que você mijaria na casa da sua namorada ou no banheiro do saguão de um hotel 5 estrelas?

Psicologia humana aplicada a políticas públicas.

E as autoridades de Cingapura fizeram algo do tipo: você anda pelas ruas do lugar e vê tudo limpinho.

Com isso, tua mente subconsciente vai te fazer pensar duas vezes antes de jogar um papel de bala ou dar uma cuspida no chão.

Resultado: o que está limpo… tende a ficar mais limpo.

Tá aí um bom exemplo a ser seguido aqui no Brasil, hein?!

 

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Pelo menos a comida é barata

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Sim, o país inteiro é caro pra cacete!

Só que a comida é bem barata: 5 dólares por refeição.

Isso porque tem um monte de “hawker center” espalhado pela cidade.

Hawker Centers são praças de alimentação que foram montadas pelo governo nos anos 1990 para evitar a sujeira e subir os standards da comida de rua do país.

Ao invés de servir comida em barraquinhas igual fazem nos países vizinhos, Cingapura resolveu focar na vigilância sanitária e botou toda aquela galera que vendia comida de rua em boxes regulados pelo governo.

Toda a galera dos boxes tem que respeitar os mais altos padrões de limpeza senão tomam uma troletada do governo e são obrigados a fechar.

Cada box é obrigado a ostentar sua nota (A,B,C) dada pela vigilância sanitária.

Legislação à parte, a comida lá é boa pra caralho!

Para quem gosta de gororoba asiática como eu, aquilo ali é um paraíso: culinária do Vietnã, da Malásia, da Tailândia, das Arábias, Japa, Chinesa da Manchúria, Chinesa de Szechuan, Chinesa de Hainan, Chinesa de Pequim além do bom e velho churrasquinho coreano.

 

 


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Um campo de futebol dentro d’água?

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Sim, essa foto já diz tudo.

Tem um estádio com capacidade para 30mil pessoas onde a arquibancada é em terra… e o campo é dentro d’água.

Expliquem essa, ateus!

Se você quiser saber mais sobre a história do lugar, vai aqui no The Float at Marina Bay. 

 

 

 


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Põe na conta do SUS

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Fiquei doente da garganta e tive uma experiência bem curiosa numa clínica chinesa em Cingapura.

Já visitei uns 40 países e nunca paguei seguro-viagem. Meu negócio sempre foi confiar na fé e colocar tudo na mão do Jesus Cristo Healthcare.

Dessa vez, tive que pagar a consulta e o antibiótico tudo do bolso.

Aí eu pensei: fudeu!

Cingapura é referência em biomedicina e um dos principais centro de pesquisa médica do mundo. Os melhores doutores do mundo vão pra lá estudar e fazer especialização. 

País desenvolvido, moeda dolarizada, um dos melhores centros de medicina do mundo, dia de domingo, turistão sem plano de saúde… vou falir aqui.

Que nada!

O total pago na consulta e nos remédios foi 72 SGP, o equivalente a 183 reais.

E isso porque foi dia de domingo e teve um surcharge a mais.

Tempo total de permanência na clínica? 45 minutos.

Viva o capitalismo!

Mano, esse país é muito cabuloso. Imagina quanto o turista gringo ia gastar para se tratar num hospital top como o Copa D’or e comprar antibiótico no Brasil?

 

 

 


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Nem tudo são flores

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Eu tenho esse problema na garganta pelo menos uma vez por ano e já até decorei o nome do antibiótico que tem que usar para a inflamação sair.

Só que o médico de Cingapura receitou o antibiótico (que é o mesmo daqui) e mais uns 4 outros remédios.

Achei estranho, né?!

Saporra acontece já há uns 10 anos, tá ligado? Pra quê os outros 4 remédios?

Daí veio um grande conflito de interesse: as clínicas particulares de Cingapura têm suas próprias farmácias.

Não sei o porquê mas a grande maioria das farmácias de rua de Cingapura não vendem remédios de verdade.

É cosmético que não acaba mais e, no máximo, uma estantezinha com Aspirina e Tylenol.

Foi aí que eu saquei qual era a do médico: ele me receitou aquela montoeira de remédio para que eu deixasse um pouquinho mais na caixinha do lugar.

Viva o capitalismo!

Falei pra moça do balcão que só o antibiótico já tava de bom tamanho e meti o pé.

Dois dias depois, minha garganta já tava novinha em folha.

 

 

 


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Bate e Volta em Batam

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Cingapura é uma ilha pequena e não tem muita coisa pra ver.

Na real, acho que com uma tarde já dá para conhecer o país inteiro.

Já que eu tinha tempo sobrando, fui explorar alguns passeios pela área e vi que tinha uma barca que levava o pessoal para a Indonésia para fazer wakeboard.

Meio louco isso.

No Rio, tem uma barca que sai da Praça XV e leva o pessoal para passear na Ilha de Paquetá.

Em Cingapura, a barca é bem parecida… mas ela te leva para outro país em 30 minutinhos.

Daí eu matei dois coelhos em uma tacada só: coloquei o carimbo da Indonésia no meu passaporte e ainda fiz wakeboard pela primeira vez na vida.

Na real, não era wakeboard. Era cable ski. Ao invés de um barco te puxando, tem um cabo de aço em cima do lago.

Se liga nos vídeos do lugar aqui: Batam Cable Ski Park.

A ideia era fazer um capítulo da série Negão Asiático na Indonésia mas eu só conheci o lago de wakeboard né?!

Para não ficar de mão vazia, dá uma olhada no terceiro episódio da série Olimpíadas do Dinheiro onde eu explico a economia da Indonésia da maneira mais simples possível.

 

 

 


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Brunei Amigo

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Fui almoçar num Hawker Center e a tiazinha chinesa me deu troco em Brunei Dollars e não em Singapore Dollars.

Fiquei puto, é claro.

Já tava meio escaldado de todo aquele preconceito do Vietnã (não contra preto… contra ocidental em geral… dá uma olhada na parte 5) e meio que me rebelei contra ela.

Pra quê?

Brunei é um micro-país que fica bem no meio da ilha de Borneo, cercado pela Malásia e pela Indonésia.

Não vou entrar em muitos detalhes mas tá valendo a pena ler um pouquinho sobre esse país que tem petróleo a rodo e é um dos países mais ricos do mundo, em termos de PIB per Capita.

Toma o artigo do Brunei na Wikipedia aí.

Parece que o Sultão de Brunei tem excelente relações com os manda-chuvas de Cingapura e a economia dos dois lugares é bem interligada.

O que eles fizeram? A Monetary Authority of Singapore e a Brunei Currency and Monetary Board concordaram em manter total convertibilidade com ambas moedas.

Deixa eu traduzir: 1 dólar de Brunei = 1 dólar de Cingapura… e ambas moedas são aceitas abertamente no país do outro.

Que bonitinho, né?!

Agora imagina uma tiazinha chinesa da lanchonete me explicando isso tudo?

 

 

 


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A piscina mais famosa do mundo

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Tenho um caderno secreto onde eu anoto tudo o que eu quero fazer na vida.

Um dos ítens que foram escritos em 2014 dizia:

“Quero tomar banho na piscina infinita do Hotel Marina Bay Sands de Cingapura”

Só que a piscina é aberta somente a hóspedes e, pela fama do hotel, já dá para concluir que a diária é um pouquinho mais cara do que a dos hostels que eu passei ao longo daquelas duas semanas na Ásia.

Como sempre, eu dei o meu jeito.

E fico devendo um post inteiro sobre essa aventura aí.

For now, decreto o fim da série Negão Asiático.

 

 

Obrigado pela sua atenção e volte sempre!

Parte 1: Tailândia

Parte 2: China

Parte 3: Hong Kong

Parte 4: Macau

Parte 5: Vietnã

Parte 6: Cingapura

 

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~Raiam

 

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