Mundo Raiam
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48 horas na China: Negão Asiático Parte 2

17/06/2016
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Essa é a segunda parte da série de “turismo econômico” que estou fazendo pelo sudeste asiático. A primeira parte foi em Bangkok, Tailândia.

Quem acompanha meu blog e meus livros há um tempo sabe que eu não sou uma pessoa normal.

Uma das paradas que eu mais condeno desse mundo é o tal do “ciclo da mediocridade”:

 

1) Passar a semana inteira pensando na sexta feira

2) Passar o ano inteiro pensando nas férias

3) Passar as férias pensando em postar fotos com coquetéis de fruta e vistas paradisíacas no Instagram só para mostrar para os outros que pode viajar

4) Voltar para a mesma realidade e ver que nada mudou e que sua vida continua medíocre

5) Passar os dias pós-viagem postando fotos da viagem, throwbacks e hashtags #Saudades[insira o nome do lugar]

5) Repetir o ciclo 45 vezes na sua vida até se aposentar frustrado
Se você se identificou com algum desses ítens, acho que tá na hora de rever seus conceitos e pensar em algo diferente para sua vida.

 

Eu já viajei muito só para impressionar os outros e confesso que fui a definição dos 5 primeiros ítens do tal ciclo da mediocridade até os meus 24 anos de idade.

Hoje em dia, tenho uma missão muito grande então minha pegada passou a ser um pouco diferente.

Ao invés de viajar o mundo para acumular fotos para impressionar a mulherada do Tinder, eu faço uns rolés meio não-ortodoxos para uns países meio fora das rotas comuns.

A idéia é a seguinte: eu faço questão de não visitar pontos turísticos tradicionais. Tá ligado naquela parada de ir pra Roma e não ver o Papa?

Mais ou menos isso.

Meu negócio é sair caminhando pela principal capital financeira de cada país e conversar com decision-makers dos negócios e também com gente normal da rua.

Daí eu vou capturando informações e tirando conclusões sobre comportamento, macroeconomia, política e também sobre o estilo de vida dos locais.

Tudo isso para comparar cada um deles com a nossa realidade do Brasil.

Um dia eu vou ser presidente dessa porra, né?! Já que não dá pra ser presidente até meus 45 anos de idade, eu vou começando meu benchmarking agora, tá ligado?!

Ao invés de deixar todo esse aprendizado dentro de mim, eu compartilho com as centenas de milhares de leitores que eu tenho nesse humilde site.

Afinal, conhecimento tem que ser compartilhado.

Semana passada eu escrevi o Negão Asiático Parte 1: 48 Horas Na Tailândia sobre minha experiência em Bangkok e hoje é a vez de Hong Kong.

Foi dada a largada!


 


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SUOR HÉTERO

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Uns 30 segundos depois de sair do avião, fui consumido por um suor hétero bem brabo saindo dos meus olhos.

É o seguinte: ano passado eu tinha uma cartolina de objetivos de curto prazo pendurada no meu quarto.

Olhava pra ela todo dia e tinha o compromisso comigo mesmo de dar pelo menos um passo para chegar mais perto daqueles objetivos diariamente.

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Um detalhe especial: todos eles tinham um deadline.

Graças a Deus e ao princípio da “fé ativa”, vou te falar que a grande maioria deles já se concretizou.

Junto com fechar contrato com uma grande editora, comprar um Toyota Corolla e conhecer o Paulo Coelho pessoalmente, lá estava um simples porém longínquo objetivo:

“Conhecer a China até meus 26 anos”

Eu tenho 26 anos.

E foi exatamente por isso que eu chorei que nem uma criança logo depois de passar a imigração e ver aquela montoeira de placas em caracteres cantoneses.

Acho que a última vez que eu tinha chorado tanto assim foi quando minha ex me deu um pé na bunda em dezembro do ano passado.

Mas calma aí, Raiam… Hong Kong é China?

Continua lendo aí que eu te dou o meu parecer…

 


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AEROPORTO ASSASSINO

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Meu pai foi piloto a vida inteira e eu fui criado com aviação no sangue.

Para você ter uma ideia, com 7 anos de idade eu já sabia diferenciar um Boeing de um Airbus e também já havia memorizado o nome das principais flag-carriers do mundo.

Japão? JAL!

Hungria? Malev!

Israel? El Al!

Holanda? KLM!

E por aí vai…

Para intensificar ainda mais esses meus laços com a aviação, meu primeiro emprego no mercado financeiro acabou envolvendo aviões também.

Coincidência da porra!

Lá em Nova York, eu era pago para estudar os balanços financeiros e as métricas de performance das principais companhias aéreas, operadoras de aeroportos e produtoras de jatos ao redor do mundo.

Uma das lembranças que eu tinha da infância era que o tal do aeroporto de Hong Kong era um dos mais perigosos do mundo.

Via vídeos nos primórdios do YouTube e do History Channel e dava graças a Deus que meu paizão não precisava aterrissar seus Boeings naquela pista mortífera ali. Afinal, a Varig não tinha vôos para lá né?!

Ahhh para de exagerar, Raiam!

Não acredita? Abre esse videozinho de 1 minuto no YouTube para ver a intensidade do pouso por lá.

Parece que o vento bate em diagonal e o piloto tem pouca margem de erro já que a pista é curtinha.

Pra piorar, tem um morro bem grande e vários arranha-céus pertinho da pista de aterrissagem.

Não foram poucos os jatos que terminaram dentro d’água tentando pousar ali.


 

Se você gosta dessas paradas, toma aí um documentário do History Channel com os 10 aeroportos mais perigosos do mundo. Esse aí era o #6.

O pouso em Hong Kong foi bem tranquilo e, depois de uma rápida conversa com o comandante na saída do avião, ele me contou que aquele aeroporto perigoso de Hong Kong já não existe mais.

Sim, os chineses aposentaram o aeroporto de Kai Tak e colocaram todos os vôos no moderníssimo HKIA (Hong Kong International Airport), na ilha de Chep Lak Kok.

O que fizeram com o antigo aeroporto?

Pensa comigo: chinês… área grande e aberta… juros a 0% ao ano… um dos metros quadrados mais caros do mundo.

Acertou quem adivinhou que eles construíram vários prédios!


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PODE ISSO, ARNALDO?

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A primeira coisa que eu fiz depois de enxugar meus olhos e passar a imigração foi tirar dinheiro no caixa eletrônico do Hang Seng Bank na moeda local, o hong kong dólar (HKD).

Agora olha para essa foto aí em cima e me diz o que você viu de errado?

Nada?

Tem certeza?

Vê de novo!

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Mano, olha pro canto inferior direito: tem um merchant muito escancarado do banco HSBC na moeda do país!!!

Aí eu pensei: que porra é essa?!

Já vi naming rights de estádios de futebol como o Emirates Stadium, em casas de show como o Citibank Hall e até em puteiros mas “patrocínio” na moeda do país era algo novo pra mim.

Agora vamos dissecar comigo a sigla HSBC:

H = Hongkong

S = and Shanghai

B = Banking

C = Corporation.

Sim, apesar do HSBC ser um banco privado com ações cotadas nas principais bolsas de valores do mundo, ele meio que funciona como a “casa da moeda” de Hong Kong.

Isso acontece desde um decreto chamado Currency Ordinance of 1935. 

Vou simplificar a história: os bancos que operavam na área no século XIX emitiam suas próprias moedas e essas moedas rivalizavam com a moeda oficial do governo de Hong Kong.

Todo comércio com navios estrangeiros era feito com essas “moedas privadas” (os bitcoins do século XIX) mas o governo local não aceitava elas na hora de coletar os impostos.

Já que essas moedas paralelas tinham mais liquizes, o governo de Hong Kong praticamente jogou a toalha e falou assim:

“Ô HSBC, a partir de hoje quem emite a moeda é você”

E está aí a razão do merchant escancarado na nota de 100 hong kong dollars.

Quer aprender mais sobre esse gambiarra de Hong Kong para imprimir dinheiro, entra nesse artigo Banknotes of the Hong Kong Dollar.

 

 



HONG KONG É CHINA?

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Mano, passei 2 dias em Hong Kong e até agora não consegui chegar a uma conclusão sólida sobre isso.

Em teoria é sim!

Depois de séculos de dominação britânica, o território de Hong Kong foi devolvido a China no ano de 1997.

Hong Kong e Macau são territórios especiais que fazem parte da China mas têm certa autonomia administrativa.

Ambos lugares são chamados de SAR (sigla para Special Administrative Regions).

Vou simplificar aqui: Hong Kong, Macau e China têm moedas diferentes e competem separados na Olimpíada e nos torneios da FIFA… cada um com sua bandeira.

Mas se tiver alguma guerra mundial, os três estariam fechados como uma China unificada!

O engraçado é que se você pegar a linha azul do metrô de Hong Kong e seguir até o final, você termina bem na fronteira da metrópole de Shenzhen… que já é considerada Mainland China.

Por herança da colonização britânica, os carros de Hong Kong dirigem na mão inglesa e com o volante do lado direito do carro. É só cruzar a fronteira que as estradas “voltam ao normal”.

Só não fui lá em Shenzhen porque precisava de visto e demorava um tempinho pra ficar pronto.

Sim, Hong Kong é China na teoria.

Mas na prática…

 


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CHINÊS É O CALALHO

KEN JEONG as Mr. Chow in Warner Bros. Pictures’ and Legendary Pictures’ comedy “THE HANGOVER PART III,” a Warner Bros. Pictures release.

 

Uma coisa é certa: Chinês não gosta de Hong Kongiano e vice-versa.

(hong kongiano, sei lá se essa palavra existe… foda-se).

Para o cara de Hong Kong, o chinês é caipira.

Mal comparando, seria um pseudo senso de superioridade tipo o que a gente vê aqui no Brasil com a dinâmica entre o paulista e o baiano…. ou até o carioca e o paraibano.

Afinal, Hong Kong é um lugar bem ocidentalizado e desenvolvido enquanto as partes da China ocidental nos arredores de Hong Kong são lugares um pouco mais vinculados com o passado imperial e socialista da Mainland China.

Cara, Hong Kong é tipo a Inglaterra com um monte de gente de olho puxado lá dentro.

Mas tem uma diferença bem grande entre o chinês e o HongKongiano: eles não se entendem entre si!

Tcharam!

Tá aí talvez o maior aprendizado que eu tive nessa viagem para a China: o mano de Hong Kong fala Cantonês e o resto da china fala Mandarim.

Ué mas e o idioma chinês, Raiam?!

Saporra não existe e eu prometi a mim mesmo que nunca mais vou cometer esse crime.

O nome certo do “idioma chinês” é mandarim… e ponto final!

O engraçado é que os caracteres são praticamente os mesmos.

Mas bota um cara de Hong Kong e um cara de Beijing para conversar dentro de uma sala redonda e você vai ter o mesmo resultado se fizer o mesmo com um tocantinense e um polonês: só gestos!

 

 

 


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TRADUZ AÍ PRA MIM, JOVEM?

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O grande highlight desse rolé pela Ásia que eu tô fazendo é sem dúvida nenhuma a parte gastronômica.

A verdade é que o sudeste asiático é literalmente um prato cheio de comida boa, barata e que você não encontra em lugar nenhum do mundo.

Mas tem um pequeno porém: a grande maioria dos lugares tem menu só na língua local.

Aí é foda, né?! Especialmente quando se trata de comida de rua.

Uma das principais regras que eu aprendi ao longo desses quase 10 anos dando rolés não-convencionais por países diferentes tipo a Turquia, o Território Palestino e a Índia tem a ver com comida:

“Se você passar por um restaurante com aparência duvidosa mas com um monte de local dentro, vai na fé… é sinal que é bom.”

Vou te falar que isso aí funciona até em Copacabana.

No Revéillon do ano passado, fui dar um rolé com uma amiga chinesa… aquela mesma que rodou as delegacias do Marrocos comigo no 14o capítulo do meu segundo livro Turismo Ousadia: Como Conquistar o Mundo Ainda Jovem.

Ela é meio jetsetter que nem eu e ficou muito curiosa quando passou em frente ao bar Pavão Azul, um pé-sujo bem feio em Copacabana que está sempre abarrotado de gente.

Resultado: a mina ficou de olho esbugalhado com as pataniscas de bacalhau do Pavão e acabou voltando lá umas 4 vezes em 2 dias.

Passei por uma birosca estilo Pavão Azul em Wan Chai em Hong Kong e fiquei cabreiro com as carnes penduradas na vitrine e com a quantidade de chineses felizes que saboreavam o sopão do lugar.

Apesar de Wan Chai ser um dos distritos mais ocidentalizados da cidade, o restaurante top não tinha menu em inglês… muito menos menu com foto dos pratos.

Mano, a fome estava mais do que preta e a curiosidade também.

Solução? A versão gastronômica da boa e velha roleta russa!

Peguei o menu, fechei o olho, apontei o dedo e chamei a moça dizendo que eu queria aquele prato ali.

Uns 5 minutos depois, veio uma gororoba com barriga de porco, cérebro de boi, almôndega de peixe e alguns pedaços de pato-Peking assado.

Apesar de não combinar muito, o negócio estava bom pra cacete!

Viva a China e viva a roleta russa alimentícia!

 

 


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HOSTEL LIFE

hostela

Já expliquei no primeiro post por que é melhor ficar em albergue de mochileiro do que em hotel chique nessas viagens solo.

Na primeira noite em Hong Kong, acabei burlando minha própria regra de viajante solo e reservei um hotel 4-estrelas no Booking.com chamado Rambler Oasis Hotel.

Falando nisso, acho que não tem serviço melhor pra reservar hotel do que o Booking. Ainda mais pra quem decide tudo de última hora, tá ligado?!

Mano, não foi uma nem duas e nem três vezes que eu consegui pegar hotel com 40-50% de desconto reservando no mesmo dia.

Se você é daqueles que ainda mora com os pais e gasta muito dinheiro com motelzinho no fim de semana, acho que vale ainda pena checar o Booking.

Muitas das vezes, você consegue pegar uma noite no hotel 5 estrelas da sua cidade com preço mais barato do que o período de 6 horas daquele motel do teu bairro cheio de pentelho na banheira e cheio de marca de porra no lençol cama.

Viva o Booking!

Ih caralho, perdi o foco.

Vamo voltar pra Hong Kong.

O Rambler Oasis era muito top, muito luxuoso, muito barato mas não tinha vida social e era bem afastado do centro.

Daí eu fui parar num hostel chamado YHA Mei Ho, num bairro residencial da ilha de Kowloon chamado Sham Shui Po.

Acabei me frustrando porque não era um hostel de mochileiro e sim uma residência universitária para jovens chineses.

Ao invés da bagunça dos albergues da Tailândia e dos outros hostels da rede YHA ao redor do mundo, ali imperava a lei do silêncio.

Não sei se é porque eu sou preto e intimidador mas eu achei o povo local um pouco frio e anti-social demais, tá ligado?!

Nego falava inglês mas não tava nem aí para trocar ideia e tomar cerveja que nem os “habitantes normais” de hostels ao redor da Ásia.

Com “habitantes normais”, eu quero dizer Australianos, Britânicos, Americanos e Alemães que brotam que nem barata nos albergues do sudeste asiático.

Acabou que finalmente apareceu um ocidental para dormir no outro beliche lá do quarto.

E era um dos malucos mais diferentes que eu conheci na vida.

O cara era albanês-kosovês (lembra da Guerra do Kosovo?), cresceu em Dortmund, tinha passaporte alemão… e hoje é engenheiro civil em Beijing na China!

Aí desci pra e conheci o único outro “ocidental” do hostel, outro maluco com uma história de vida bem louca.

Ele tinha cara de chinês, sotaque australiano, havia crescido em Brisbane (Austrália) mas falava um pouco de Cantonês porque seus eus pais eram de Hong Kong.

Seu trabalho lá na Austrália? Palhaço!

Isso mesmo, o cara era professor de escola primária e trabalhava de palhaço nas horas vagas para complementar a receita.

Já que os três também tava na pegada de solo travel, acabamos formando o bonde mais heterogêneo do sudeste asiático.

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Ásia + Oceania + América + África + Europa… tinha tudo ali.

Foi aí que eu descobri outra grande vantagem de dormir em albergues de mochileiros na Ásia: o networking.

Se um dia eu for fechar negócio em Beijing, sair pra night na Albânia, assistir um jogo do Borussia na Alemanha, surfar no sul da Austrália ou soltar a versão cantonesa dos meus livros, eu já sei por onde começar.

Viva os albergues, caralho!

 

 


O post ficou grande.

Clica aqui e vai para a parte 3 do Negão Asiático que tem mais Hong Kong lá.

No próximo post, eu falo sobre globalização, ostentação, noitadas, Tinder, ética de trabalho, racismo, pastelarias, taxistas malucos e Barack Obama.

 


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NEGÃO ASIÁTICO

Parte 1: Tailândia

Parte 2: China

Parte 3: Hong Kong

Parte 4: Macau (coming soon)

Parte 5: Vietnã (coming soon)

Parte 6: Cingapura (coming soon)

Parte 7: Malásia (coming soon)

Parte 8: Indonésia (coming soon)

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