Mundo Raiam
Vida de Escritor

Será que dá para viver de livros no Brasil?

04/12/2016

Em março de 2015, eu publiquei meu primeiro livro Hackeando Tudo: 90 Hábitos Para Mudar o Rumo de Uma Geração. 

De lá pra cá, larguei o emprego, mandei meu chefe tomar naquele lugar e apostei todas as minhas fichas naquele velho sonho de infância: escrever livros.

Parece historinha de empreendedor de palco mas isso é uma parada que eu tenho na cabeça desde os 10 anos de idade. Olha essa foto aí:

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Lembra daquele ditado que todo ser humano precisa fazer três coisas na vida? Plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro?

O problema é o seguinte: a sociedade programa a nossa cabeça para fazer o que é menos arriscado.

Cansei de ouvir coisas do tipo:

“Raiam, arruma uma profissão de verdade. Nem Carlos Drummond de Andrade conseguia fechar as contas só com livros”
“Você não tem editora”
“Escrever livros não dá dinheiro.”
“Você é muito novo ainda para escrever livros.”
“Você não tem público. Quem é que vai pagar para ler essas merdas que você escreve?”

Foi exatamente por isso que eu demorei 25 anos para perder o medo e me lançar com escritor, tá ligado?

À medida que eu ia colocando o pé nesse mundo dos livros, eu vi que eu tinha uma enorme vantagem sobre nomes como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e outros grandes escritores das antigas que precisavam de outras profissões: ESSES CARAS NÃO TINHAM ACESSO A INTERNET.

Graças a Deus, tenho uma porrada de coisas para me orgulhar hoje em dia: minha família tem saúde, minha estante está lotada de livros e eu viajo para o exterior uma vez por mês.

Mas vou te falar que o negócio que mais me faz feliz nesse mundo é saber que eu afeto positivamente a vida de dezenas de milhares de pessoas com meus livros e sou um dos poucos brasileiros que realmente vivem de livros.

Desde o lançamento do Hackeando Tudo, escrevi mais 4 livros (Ousadia, Wall Street, Missão Paulo Coelho e Classe Econômica: Europa Comunista), co-produzi mais 3 títulos, fiz uma parceria bem lucrativa com o Ubook, fechei contratos com 2 grandes editoras e criei mais de 40 fontes de receita em volta do meu trabalho como escritor.

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Em agosto desse ano, ganhei o prêmio Amazon de Autor do Ano e lancei a versão impressa do Hackeando Tudo na Bienal de São Paulo pela Editora Leya.

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Chique né?

E se eu te falar que essa dos livros impressos é a parte menos lucrativa do meu business de escritor, você acredita?

 



O mito do livro impresso

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Sim, sinto-lhe dizer que livro impresso dá pouco dinheiro.

É claro que tem as exceções globais como JK Rowling, Stephen King e Paulo Coelho mas a matemática é simples.

As grandes editoras te repassam 5-10% do preço de capa do seu livro, dependendo do seu peso como autor.

Vamos dizer que um livro vende por R$20 na Saraiva do shopping.

O autor só leva 2 pratas.

Wow, Raiam! Que facada, cara!

É assim que a banda toca… pelo menos no Brasil.

E o resto?

A maior fatia da pizza fica com a loja que comercializou seu livro. Faz sentido, né? Os caras têm que pagar funcionário, aluguel caro no shopping e também os custos do estoque.

Uma pequena parte fica com a editora, outra parte vai para distribuidora e o nosso querido governo também fica com a porcentagem dele.

Vamos dizer que o cara precisa de 20mil reais por mês para viver tranquilo no Brasil.

Para chegar esse número, o escritor da editora precisa vender 10mil unidades em cada período de 30 dias!

Vou ser sincero com você: vender 10mil unidades por mês num país onde o cidadão comum lê um livro por ano é uma tarefa difícil.

E tem outra!

Experiência própria: o lugar mais difícil do mundo para se vender um livro é….. UMA LIVRARIA!

Para pra pensar: seu livro está competindo com uma caralhada de outros títulos no campo de visão do cliente. Segura esse conceito do campo de visão que ele vai voltar depois.

Aí são duas as possibilidades:

1. O cliente chega na livraria com um livro certo na cabeça para comprar…

“Estou indo na FNAC para comprar o livro Hackeando Tudo do Raiam dos Santos para dar de presente para meu sobrinho vagabundo que precisa acordar para a vida”

2. O cliente chega na livraria e compra os livros que estão expostos na primeira mesa

“Que legal esse livro com o Sérgio Moro na capa. Odeio o PT e vou comprá-lo”

Para colocar seu livro na primeira mesa, são outros quinhentos. A editora tem que ter nome, o gerente da loja tem que ser amigo, o livro tem que um bom histórico de vendas, etc etc etc.

E agora, Raiam?

 



A margem de lucro do escritor-empresário

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Eu consigo viver de livros porque eu apostei no online primeiro!

Vamos voltar para aquela matemática dos royalties ali em cima.

Lembra que eu falei que o escritor de editora leva 10% do preço de capa do livro?

O mundo online é bem mais gente-boa com o escritor. O cara que escreve o livro fica com 70% da grana!

Eu, Raiam, sou uma exceção e levo 80%… depois eu explico isso melhor.

Simplificando: para cada livro que eu vendo no online, eu precisaria vender 8 na livraria.

Além do aspecto financeiro, coloca mais duas grandes vantagens na equação aí!

São elas: o campo de visão e o efeito viralização.

1- O campo de visão

Falei para você que ia trazer esse conceito de volta.

Você entra numa livraria e seu cérebro registra a presença de milhares e milhares de livros no seu campo de visão.

Mesmo se você dedicar sua atenção, ainda tem aquele “resíduo de atenção” dos outros livros que ficaram registrados na sua mente subconsciente.

Quando alguém te manda o link de um livro, só tem ele lá!

2- O efeito viralização

Com o livro digital, você pode pegar o link do livro, rodar uma campanha de Facebook Ads, Google Adwords, Taboola ou Outbrain e atingir um público imenso com pouquinho investimento em marketing.

Atraiu um possível cliente?

Boom! Já que só tem seu livro no campo de visão dele, a possibilidade dele apertar “buy” aumenta!

 



O fator seriedade

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Nem tudo são flores nesse negócio dos livros digitais.

Vou te mandar a real: ninguém me levava a sério antes de ter livro impresso.

E nesse barco, eu incluo meu próprio pai.

Ele ficava empurrando um monte de oferta de emprego pra mim e fazia questão de que eu conhecesse seus amigos bem-conectados para cavar uma vaguinha numa multinacional.

“Pai, eu sou escritor!”

Não adiantava, nada!

Quando ele viu as fotos e a repercussão do lançamento do meu livro Bienal de São Paulo, ele passou a olhar o meu trabalho com outros olhos.

“Ohhh meu filho está realmente tendo resultado na vida”

Mal sabia ele que os cheques do Amazon, do Kindle Unlimited e do Ubook estavam caindo na minha conta há pelo menos 2 anos e meus livros estavam sendo vendidos em mais de 10 países.

Sim, ainda existe um preconceito contra o autor self-published.

E muito disso tem a ver com o fato da pessoa não conseguir pegar aquele livro na mão e mostrar para o outro.

Não foram poucas as vezes que me perguntaram “Raiam, quero ver teu livro” e ficaram com cara de bunda depois que eu respondi que só tem no Amazon.

Apesar de ter gerado menos dinheiro para o meu bolso, o Hackeando Tudo verdinho que foi lançado pela Editora Leya (sem os hacks politicamente incorretos e sem os palavrões) acabou levantando meu nome no mercado literário.

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Mas esse “preconceito” todo é porque o mercado de Kindle e ebooks ainda é relativamente pequeno no Brasil.

Tá crescendo pra caramba ano após ano… mas ainda é considerado pequeno.

Aí é aquela coisa: tudo que “pega” nos Estados Unidos… acaba pegando aqui também alguns anos depois.

Foi assim com a cocaína nos anos 1970, com a MTV nos anos 1980, com as boy bands nos anos 1990, com as redes sociais nos anos 2000 e com o UFC nessa década.

Vamos ver no que isso vai dar. Mas não dá para esperar sentado, né?!

Enquanto isso, eu não paro de escrever.

Dia 8 eu lanço o Classe Econômica: Europa Comunista exclusivamente no Ubook, no Natal vem o Imigrante Ilegal: Negro, Latino e Sem Papéis nas ruas da Califórnia.

Fora esses dois que são projetos solo, ainda tem o Arábia que é uma co-produção minha com o Rafael Coelho (aquele mesmo que virou amigo do Rei Abdullah da Arábia Saudita).

 

Como publicar um livro?

Depois de participar de algumas palestras patrocinadas pela equipe do Amazon e de prestar consultoria a alguns aspirantes a escritores, decidi massificar o conteúdo e criar um curso online especificamente para aquelas pessoas que já sonharam em escrever livros mas nunca deram o primeiro passo.

Se você estiver interessado em saber como ser um escritor de sucesso com dezenas de milhares de livros vendidos e gerando valor para pessoas em vários países do mundo, clique aqui e conheça o curso Como Publicar Seu Primeiro Livro e Gerar Renda Extra.

~Raiam



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