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As 7 melhores biografias de empresas

22/08/2016
biografias de empresas

 

 

Antes de começar, vou dizer que Sonho Grande não faz parte dessa lista.

Wow, Raiam! Mas o Sonho Grande é a principal biografia corporativa já escrita no Brasil. Como é que você vai deixar ele de fora da sua lista?

Li Sonho Grande quando tinha 22 anos (hoje tenho 26) e fiquei inspirado e impressionado com a história do trio da 3G.

Foi esse livro que me fez virar um serial-reader de business books e biografias.

De 2012 pra cá, já li uns 500-600 livros e fiz questão de compartilhá-los com os leitores desse humilde site (lista de 2015; lista de 2014).

Nego me critica e me questiona por ostentar livros aqui no site mas tá aí o principal benefício desse meu hábito de leitura: a formação de um pensamento crítico. 

Uma coisa que deu para perceber depois de devorar tanto livro é a diferença entre um “livro sincero” e um “livro encomendado”.

O livro encomendado é muito mais uma ferramenta de public relations para a empresa ou para o homenageado.

O cara vai lá, contrata um jornalista, senta com ele e escreve uma biografia para levantar a imagem dele e/ou da empresa dele. Daí ele atrai mais investimento, mais talentos nos processos seletivos e mais exposição à marca dele.

Alguém lembra daquela autobiografia do Eike Batista O X da Questão?

Recomendo que pegue para ler hoje em dia. Prepare os músculos do seu abdômen porque você vai rir pra caralho!

O livro já até saiu de linha. O negócio tá tão desatualizado e fora da realidade que virou item de colecionador.

Não preciso nem falar que O X da Questão não faz parte da minha lista de hoje por se tratar de mais um “livro encomendado”.

Não vou negar que o Sonho Grande é muito bem escrito.

O problema é que, assim como o X da Questão, ele só conta a parte boa. Parece que a autora escreveu ele com uma coleira de espinhos no pescoço, tá ligado?

Mas aí…  funcionou!

O “efeito Sonho Grande” foi o seguinte: hoje o sonho de muita gente top da minha idade é trabalhar numa das empresas do 3G Capital vendendo hambúrguer (Burger King), enlatados (Kraft), ketchup (Heinz) e cerveja (Ambev).

Já viu os números dos processos seletivos de trainee dessas empresas aí?

Mano, todo mundo sofreu a mesma lavagem cerebral que aquele Raiam de 22 anos: dinheiro é mais importante do que integridade.

Lembra daquela série de posts sobre a Conferência ENE aqui no MundoRaiam? Sim, foi antes de eu desenvolver esse pensamento crítico e acordar para a vida.

Vai numa livraria ou no próprio Amazon e você vai ver um monte de biografia estruturada no “Modelo Jornada do Herói” que funciona muito mais como um “meio” do que um “fim”.

Como assim meio e final?

Quando o livro é um “meio”, o cara já escreve pensando nos efeitos que o tal livro vai trazer para a empresa dele ou num possível up-selling.

Hoje em dia eu passo longe de biografias e business books de “meio”.

Meu negócio agora é o livro sincero, o livro que é escrito como um “fim”.

O livro sincero vem de dentro, conta a parte boa, conta a parte ruim, coloca emoção, passa a mensagem sem rabo preso, transmite conhecimento novo e muda a vida do leitor por sua autenticidade.

Separei 7 biografias corporativas que se encaixam muito bem nessa categoria aí.

Vale lembrar que a grande maioria desses livros está disponível em formato audiobook no aplicativo Audible.

Ainda não tem conta? Se inscreve em http://mundoraiam.com/audible que o MundoRaiam te desenrola 2 livros grátis.

 

 



1. Quebra de Contrato: O Pesadelo dos Brasileiros -Murilo Mendes & Leonardo Attuch


Esse aí foi o melhor livro entre os 122 que eu li esse ano, empatado com o Manual do Guerreiro da Luz.

Quem me indicou foi o meu mentor Alexandre Garcia, que é o cara responsável por cortar o rating das empreiteiras brasileira na gigante americana Fitch Ratings.

Ele me indicou o Quebra de Contrato em 2013 e eu empurrei com a barriga porque não existia em audiobook e porque estava praticamente fora de linha nas livrarias do Rio de Janeiro.

Depois dessas tretas da Operação Lava Jato, me senti na necessidade de entender um pouco mais a fundo o business de construção civil.

Irmão, que livro sensacional, completo, interdisciplinar, moralizador, agressivo!

Leitura mais que obrigatória para todo estudante brasileiro de relações internacionais, engenharia civil e direito.

Tem petróleo, governo militar, Guerra do Golfo, Minas Gerais, exportação de tecnologia, contencioso jurídico, FHC, Irã, mega-obras de infraestrutura, Saddam Hussein, siderurgia, xiita versus sunita, George Bush Sr, multinacionais brasileiras, corrupção pra caralho, Banco do Brasil, IRB e várias outras tretas para provar que essa porra aqui já era bem suja e anti-capitalismo muito antes dos merdas do PT entrarem no governo.

Quebra de Contrato é estruturado como uma biografia da empreiteira Mendes Junior.

Mendes Junior quem?

Perguntei para uma galera da minha idade se eles conheciam essa empresa. 100% das pessoas disseram que não.

Para você ter uma ideia, a Mendes Junior era uma das empresas mais poderosas do Brasil na década de 1970, tipo a Odebrecht de uns anos atrás.

Eles manjavam muito de construção pesada: construíram Furnas, Itaipu, a Ponte Rio-Niterói e uma porrada de obra grande Brasil afora.

Daí os caras viraram referência mundial no setor e começaram a pegar projetos no exterior.

O mais curioso deles? A construção de ferrovias e estradas no Iraque de Saddam Hussein na época que eles estavam nadando na grana do 2o Choque do Petróleo.

O livro inteiro gira em torno dessa treta aí com o Saddam.

Não vou dar muito spoiler não senão acaba a surpresa.

Se quiser um aperitivo, entra nesse vídeo aqui do YouTube sobre os 10mil brasileiros que se mudaram pro deserto do Iraque pra trabalhar com a Mendes Junior: Brasileiros no Iraque.


 

 

 



2. Satisfação Garantida – Tony Hsieh


 

A Zappos é uma empresa desconhecida de muita gente aqui no Brasil.

Eles começaram lá atrás como um e-commerce de sapatos estilo Netshoes e foram comprados pela Amazon em 2009 pela bagatela de 1.2 bilhões de dólares.

Satisfação Garantida é uma mistura de biografia corporativa com auto-ajuda para empresários que lidam diretamente com vendas.

Acho que vale a pena a leitura só por causa do Tony Hsieh. O cara é sinistro.

Com 9 anos, ele criou sua primeira empresa. Com 24 anos, ele vendeu o Link Exchange para a Microsoft por 265 milhões.

Ao invés de colocar o boi na sombra e/ou virar venture capitalist como a maioria dos seus peers fazem, o cara voltou a trabalhar e criou a Zappos.

O título do livro em inglês é Delivering Happiness: A Path to Profits, Passion and Purpose.

Mas pô. Isso é uma empresa de e-commerce como qualquer outra… o que eles querem dizer com “enviar felicidade” para o mundo?

É aí que entra o conceito-chave do livro: customer service.

Os caras criaram uma cultura corporativa extremamente centrada no consumidor.

Calma aí, Raiam! Toda empresa tem isso né?

Clichê! Toda empresa DIZ QUE TEM isso.

Bom, pega o livro pra ler e presta atenção na parte do call-center de Las Vegas.


 

 

 

 



3. Marissa Mayer: A Mulher Que Revolucionou o Yahoo – Nicholas Carlson

Esse livro aqui é interessante porque ele praticamente compila três livros em um.

Marissa Mayer: A Mulher Que Revolucionou o Yahoo é um terço biografia da própria Marissa Mayer como pessoa, um terço biografia do Yahoo como empresa e um terço história dos dois juntos.

Marissa Mayer é uma loira bonita, cheirosa e super-dotada que se formou em Stanford no fim dos anos 1990 e foi uma das primeiras empregadas do Sergey Brin e do Larry Page no Google.

Não preciso nem dizer que ela botou uma grana agressiva com as stock-options dela.

Yahoo é aquela empresa que dominou a internet lá nos primórdios e hoje não fede nem cheira.

A história dos dois se entrelaça depois de 2012 quando o conselho da Yahoo pagou uma mega-bolada para tirar a Marissa Mayer do Google e colocá-la como CEO da empresa.

O fato de ela ser uma das mulheres mais bem-sucedidas e mais inteligentes do mundo corporativo americano não significa que ela sabe tocar uma empresa.

O livro foi escrito de 2013 para 2014.

Vou te dar um spoiler: a Yahoo acabou de ser vendida para a Verizon (um espécio de Claro/Vivo dos EUA) por 5 bilhões de dólares.

Nossa quanto dinheiro né?!

E se eu te falar que a Yahoo chegou a valer 100 bilhões de dólares na época do dot-com boom?

Bolha não conta? Ok, então me explica aí por que a Yahoo rejeitou uma oferta de 44 bilhões da Microsoft em 2008?

Mano… de 100 bilhões, para 44 bilhões para 5 bilhões?

Que merda, hein?!

Leia esse livro e veja como a merda foi jogada no ventilador. E a culpa não foi só da Marisa.


 

 

 


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4. Startup Land – How Three Guys Risked Everything to Turn an Idea into a Global Business – Mikkel Svane


Startupland é a biografia da empresa de software ZenDesk.

Tudo bem que você nunca ouviu falar na ZenDesk mas a história dos caras é simplesmente sensacional.

O que eu achei mais legal é a parte que o autor dedica a descrever o lifestyle anti-empreendedorismo do país dele: a Dinamarca.

Fiquei extremamente surpreso ao saber que o “mindset coletivo” lá é beeeem parecido com o que a gente vê por aqui no Brasil.

O título por si só é cheio de ironia… e você vai descobrir o porquê quando pegá-lo pra ler.

Startupland é o tipo do livro que te deixa pensando mais ou menos assim:

“Pô se esses zé ruelas lá da Dinamarca de quase 40 anos, filho pra criar, esposa enchendo o saco e zero dinheiro no banco conseguiram, eu também posso uai!”


 

 

 

 



5. Bitter Brew: The Rise and Fall of Anheuser Busch and America’s King of Beer – William Knoedelseder


Esse aqui é leitura obrigatória para a galera que leu e gostou de Sonho Grande.

Diria eu que Bitter Brew é o Sonho Grande ao contrário.

Por que, Raiam?

Bom, se o Sonho Grande toca na história da fusão Anheuser Busch – Inbev pela perspectiva do lado de Jorge Paulo Lehman e seus comparsas, Bitter Brew pega essa mesma história pelo ângulo dos americanos.

Enquanto o Sonho Grande idolatra os feitos do Jorge Paulo Lehmann como se eles fosse a reincarnação de Jesus Cristo, Bitter Brew mostra todas as merdas de Augustus Busch como se ele fosse o capiroto coisa-ruim.

A verdade é que o herdeiro da Budweiser fez merda PRA CACETE… e continua fazendo mesmo depois da “expulsão” dele da empresa.

O livro descreve uma por uma e depois leva a narrativa para o lado corporativo, mostrando todas as merdas que ficaram praticamente tatuadas na cultura corporativa da Anheuser Busch ao longo dos anos.

Dá pra ver claramente que os brasileiros que chegaram lá depois da fusão tiveram um mega de um desafio pra botar ordem na casa.


 

 

 



6. Fordlandia: Ascensão e Queda da Cidade Esquecida de Henry Ford na Selva – Greg Grandin


Apesar do nome, Fordlandia não é a biografia da Ford desde os primórdios do patriarca Henry Ford e seu Model T.

Fordlândia é a história do braço brasileiro da montadora americana.

É o seguinte: nos anos 1920, a Ford teve a brilhante ideia de criar uma fábrica no meio da Floresta Amazônica para se aproveitar da alta oferta de borracha que tinha por ali.

O que eles fizeram? Compraram um pedaço de terra do tamanho do estado de Sergipe e criaram uma cidade americanizada no meio do mato para abrigar os peões de fábrica e os engenheiros expatriados.

A ideia era criar uma cidade próspera estilo Detroit para os caras se sentirem em casa: tinha escola americana, cinema, igreja, encanamento, campos de golfe, diners e outras paradas beeem americanas.

Só que o negócio deu ruim e a mãe natureza comeu o cu da megalomania de Henry Ford.

O livro é meio longo, previsível, fica meio repetitivo lá pra segunda metada mas a história é pica pra caramba.




7. Tudo Ou Nada – Ascensão e Queda do Império X


 

Já falei desse livro num post lá de 2014 (Os 10 melhores business books que eu já li)  então não vou me estender aqui.

Puta que pariu, que livro foda da porra!

Cheio de name-dropping, cheio de histórias de bastidores, cheio de tretas, cheio de fofocas, cheio de traição, Tudo Ou Nada é o dos melhor romance policial que eu já li na vida.

A cereja do bolo é que, ao contrário daqueles policiais que a gente encontra na livraria, tudo aquilo realmente aconteceu!

E aconteceu aqui no Rio… sob os nossos olhos.

As reuniões foram em restaurantes que eu freqüento, os bancos de investimento envolvidos foram bancos que eu já trabalhei/estagiei, as bebedeiras foram em puteiros que eu conheço e os personagens (vilões e heróis) são pessoas que fazem ou fizeram parte do meu círculo.

Muito real e muito intenso.

Uma aula de história contemporânea do Brasil, estrelada pelo Judas Iscariotes do século XXI: titio Eike Batista.

Antes de zoarem o cara como sempre zoam, lembra daquela Olimpíada que você se divertiu pra caramba e sentiu muito orgulho de ser brasileiro? Foi o titio Eike que bancou!

Tá aí… apesar do livro e do monte de merda que o cara fez, eu respeito muito mais o Eike Batista do que o próprio Jorge Paulo Lehmann.   


 

Menção honrosa:

Antonio Ermírio de Moraes: Memórias de Um Diário ConfidencialJosé Pastore

Accidental Billionaires: The Founding of FacebookBen Mezrich

Como o Google Funciona – Eric Schmidt

When Genius Failed: The Rise and Fall of Long Term Capital Management – Roger Lowenstein

 

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Falando nisso, depois dá uma olhada nos meus livros Hackeando Tudo (best-seller em auto-ajuda), Wall Street (best-seller em negócios e biografias),  Turismo Ousadia (best-seller em Turismo) e Missão Paulo Coelho.

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