Mundo Raiam
Livros, Mercado Financeiro

Ben Horowitz e a verdade nua e crua sobre o empreendedorismo

11/11/2015
ben horowitz mundoraiam

Esses dias, meu flatmate André me chamou para colar numa festa lá em Botafogo com os amigos dele.

Dei pra trás, como sempre.

Como eu expliquei no último post O Hack Que Aprendi Com o Neymar, era o rei do álcool e das noitadas até meus 23 anos (aquela época da série FanfaRaiam).

Só que, depois que decidi parar de beber, fiquei um cara totalmente boring quando o assunto é festa e diversão.

Para você ter uma idéia, não lembro nem da última vez que eu pisei numa balada.

É a idade né… 25 não é 18 não.

Tenho uma sorte do caramba de sempre estar no lugar certo… na hora certa …e com as pessoas certas.

E faço questão de agradecer por isso todos os dias no meu querido diário de gratidão. 

(Não sabe o que é? Pega meu livro Hackeando Tudo e vai direto para o Hack #45…aprendi isso com a Oprah).

O André já tinha feito um convite daquele para sair com ele umas 50 vezes… sempre disse não.

Nesse dia aí, não sei o que deu na minha cabeça que eu topei de colar na festa com a galera dele.

 

O Dono da Festa

Acabou que a tal festa era na casa de um cara chamado Marcelo Salles.

Marcelo Salles é um dos brasileiros mais bem sucedidos do ramo de tecnologia e é peixe de gente como Peter Thiel, Marc Andressen e Elon Musk lá no Vale do Silício.

marcelo salles ben horowitz raiam

Junto com o Rafael Duton (segue meu resumão da palestra dele sobre empreendedorismo aqui), o Salles criou a Movile, empresa responsável por alguns apps de sucesso no Brasil e no mundo.

Para você ter uma idéia, o aplicativo deles Playkids é o mais baixado no app store da China!

E na apresentação corporativa em que a Apple apresentou o novo Iphone 6S em San Francisco, o CEO da Apple Tim Cook fez questão de abrir o Playkids no palco.

Gol do Brasil!

Não conhece, dá uma olhada nessa matéria do VentureBeat sobre o sucesso desse app genuinamente brasileiro.

Já compartilhei com vocês no post do café da manhã com o Luis Stuhlberger que eu tenho meio que um ritual toda vez que conheço gente pica e bem-sucedida mundo afora.

Faço uma pergunta bem simples:

Qual é o maior conselho que você pode dar para um cara de 25 anos que tá meio perdido na vida?

Com o Marcelo Salles não foi muito diferente… só que ele me respondeu com outra pergunta.

M: Tem mais de 30 anos? 

R: Não!

M: Tem filhos?

R: Não?

M: Tem um milhão na conta?

R: Não!

M: Então você não tem absolutamente NADA a perder… Vai empreender! 

Caramba… profundo!

De quebra, ele me recomendou o livro Hard Thing About Hard Things: Building A Business When There Are No Easy Answers de Ben Horowitz.

Cheguei em casa da festa, baixei o livro no Audible e botei pra tocar.


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Tava para escrever alguma coisa sobre o livro mas eis que me aparece um email de camarada meu da Fraternidade Alpha chamado Marco Antônio Borges com o título HARD THING ABOUT HARD THINGS.

 

Quem é Marco Antônio Borges?


marco2

Quando eu quero provar a alguém que a Fraternidade Alpha só tem gente muito jovem, muito acima da média e com pegada de mudar o mundo, sempre uso o exemplo do Marco.

Conheci o Marco agora em Agosto lá na Conferência ENE em São Paulo.

Ele também foi escolhido a dedo pela equipe de Jorge Paulo Lemann entre os 100 jovens brasileiros que fizeram o “pitch” de 2 minutos naquela sala lotada de executivos.

Falei sobre minha experiência lá na Conferência ENE nos seguintes posts:

Conferência ENE pt. 1: A Cultura 3G e o Legado de Jorge Paulo Lemann

Conferência ENE pt. 2: Dois Minutos Para Convencer os Maiores Executivos do Brasil

Para mim, o Marco era top-5 desse top-100.

Ele tem 22 anos mas tem muito mais experiência de vida do que muito marmanjo por aí:

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Já faturou 40mil reais/mês com o business de palha italiana que montou com os amigos…

Já tomou passada de perna de sócio e quebrou…

Já passou para a UFRJ sem fazer vestibular…

Já liderou programas da Fundação Estudar como Núcleo, Imersão e LabX…

Já estagiou num dos lugares mais hardcore do Rio…

Tudo isso com 22… e rostinho de 16.

Ele perdeu o pai há pouco tempo e, do nada, virou o breadwinner da família.

Há alguns meses, o Marco passou no processo de seleção de estágio para a Arpex Capital, um dos mais concorridos aqui no Rio de Janeiro entre a galera de engenharia, administração e economia.

Aí veio um probleminha:

Ele mora em Vargem Grande, estuda na Urca e o escritório da Arpex é no Centro do Rio.

Num dia bom, demora 2 horas e meia e três ônibus para chegar de Vargem Grande até o Centro do Rio.

Só que o grande objetivo pessoal dele para esse ano de 2015 era SER EFETIVADO NA ARPEX.

O que ele fez?

Trabalhou duro e pensou fora da caixa!

Mesmo morando longe pra caramba e ganhando merreca de estagiário, ele fica no escritório até altas horas.

Maluco, isso que eu chamo de sangue no olho.

Tenta mandar mensagem no Whatsapp ou no Facebook dele durante a semana…

Ele vai te responder só no sábado de tanto que ele gosta de trabalhar.

Não sei se os caras da Arpex vão efetivá-lo no fim do ano mas uma coisa eu tenho certeza: o Marco nunca vai ser pobre.

Ele é o tipo do cara que sonha grande, arrisca e usa qualquer fracasso temporário como combustível para ser mais bem-sucedido ainda.

Dos meus!

Outra parada que eu respeito muito no Marco e uso de exemplo nas minhas sessões de mentoria 1-to-1 é a seguinte: ele desenvolveu o hábito de ler um livro de negócios por semana. 

Mas o muleque vai além.

Além de ler o livro, ele vai lá e faz resumo e o compartilha com o mundo na página dele no LinkedIn.

Vale a pena acompanhá-lo!

No guest post de hoje, Marco escreve sobre o livro que o Marcelo Salles me recomendou: Hard Thing About Hard Things: Building A Business When There Are No Easy Answers, de um dos venture capitalists mais respeitados do Vale do Silício Ben Horowitz.


 

Hard Thing About Hard Things (Ben Horowitz)



por Marco Antônio Borges

ben horowitz mundo raiam

Escola da Vida

Ben Horowitz começa o livro descrevendo como foi ser neto de comunistas e ter um pai que foi doutrinado na filosofia de Lênin e Stalin.

Ele era uma criança quieta e envergonhada, com medo de quase tudo e todos à volta dele. Apesar disso, Ben aprendeu muito cedo que encarar seus próprios medos poderia lhe dar grandes descobertas.

Na escola, Ben aprendeu que só de olhar o mesmo problema de ângulos diferentes poderia alterar totalmente seus resultados.

Na faculdade, foi um pouco mais além.

Concluiu que as primeiras impressões (tanto as próprias quanto as dos outros) nem sempre estão corretas e o conhecimento verdadeiro é confiável e poderoso.

Esses ensinamentos da “escola da vida” o prepararam para um dos seus maiores desafios: começar seu próprio negócio.

No Vale do Silício

Ben começou a sua carreira como um engenheiro no Vale do Silício… trabalhando para os outros.

Passou um tempo pulando de galho em galho e concluiu, a partir dos erros de seus chefes e gestores, que é crucial para os fundadores liderarem as próprias empresas.

Ben queria se tornar fundador do primeiro serviço baseado na nuvem, o Loudcloud.

Ao longo do livro, ele usa sua própria experiência como fundador e como venture capitalist para ilustrar os desafios que aparecem quando se começa um negócio, faz ele crescer e depois o vende.

Adicionando mais histórias, Ben analisa os problemas que afetaram ele e os seus parceiros no crash de tecnologia dos anos 2000.

 

Tocando sua própria empresa

Ben Horowitz passa boa parte do livro endereçando desafios muito comuns para empreendedores:

– a dificuldade em ter um bom investimento

– a dificuldade de se tornar competitivo

– a dificuldade contratar e manter empregados de alta qualidade

– a dificuldade de ser um bom CEO.

 

Seus exemplos provam que qualquer barreira para o crescimento de uma empresa tem um único denominador comum: pessoas.

Um dos conselhos apresentados veio de sua experiência prática ao “despromover” um amigo leal da faculdade.

Ele também discute o valor de usar títulos e promoções e como ter certeza para não criar ou promover políticas de promoções sem sua organização estar indo bem.

Finalmente, Ben discute como fazer decisões em relação a vender uma empresa e como fazer isso quando você toma essa decisão.

No final do livro, Ben reflete sobre como ele se sentiu depois de ter vendido a sua empresa e sua dor de ir trabalhar na HP como assalariado, mesmo sendo chefe de software.

Ele pensa não só sobre seu futuro, mas o seu passado, se perguntando se outros tiveram a mesma dificuldade e experiência que ele em ter seu próprio negócio.

Algo interessante, ele se perguntou porque essas pessoas nunca escreveram nada sobre o que aprenderam.

 

26 conclusões:

Tirei 26 lições do livro para minha futura vida de empreendedor.

1- O medo pode levar para novas oportunidades se encarado de forma apropriada.

2- Diversidade e olhar as coisas de diferentes perspectivas abre portas.

3- Desafiar o pensamento dos outros, ajuda a criar amizades e parcerias de sucesso no trabalho.

4- Pensar sobre o que você faria se o dinheiro não fosse um problema faz você pensar em soluções criativas

5- Quando se está à procura de investidores, procure por somente um “sim” é só disso que você precisa.

6- Trate seus empregados bem e sempre os conte a verdade.

7- Você deve tentar ultrapassar seus competidores, se não está, o que você está fazendo?

8- A melhor maneira para aprender algo e fazendo.

9- Não segure todos os problemas da empresa nas suas costas, compartilhe com pessoas que podem ser capazes de resolver.

10- Pense sobre onde o processo de contratar estava errado quando você determina que uma pessoa seja demitida.

11- Seja transparente sobre as razoes de alguém estar sendo demitido.

13- Alta qualidade de treinamento é o investimento mais importante que você pode fazer.

14- Um ótimo RH é crucial para o bom crescimento da empresa.

15- Um executivo de uma grande empresa tem muito mais coisa em jogo do que o de uma companhia pequena.

16- Pessoas inteligentes podem ser empregados ruins.

17- Determine o que você quer que a sua cultura seja, depois do modelo, espalhe pela empresa.

18- Ache um mentor experiente para te guiar enquanto sua companhia cresce.

19- Mantenha a sua cabeça no lucro da empresa.

20- Foque onde você quer ir ao invés do que quer evitar

21- Dê tempo para as pessoas conquistarem suas metas e um feedback decente e constante.

22- Não há regras no empreendedorismo. Desde que seja lícito.

23- Criatividade é uma habilidade essencial para começar um negócio.

24- Se você tem a oportunidade para se tornar o número 1 no seu mercado, permaneça independente dos seus concorrentes.

25- Os melhores empreendedores trabalham com as melhores firmas de capital de risco.

26- As coisas difíceis no trabalho sempre serão difíceis, mas com coragem e determinação o sucesso poderá ser seu.

Bom, é isso!

~Marco Antônio Borges


 

 

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